Eris
A sala do trono de Amarantha estava repleta com seus "súditos",quase todas as cortes estavam presentes, exceto a minha. A sala estava inteiramente iluminada, tochas acesas adornavam as paredes, no centro um grande lustre adornado com ferro abrigava velas que colaboravam com a iluminação do local.
Os rostos dos presentes exibiam expressões indecifráveis, se meu pai estivesse aqui, ele provavelmente exibiria um sorriso orgulhoso conforme as unhas feitas de Amarantha perfuravam a córnea de Lucien afim de arrancar-lhe o olho tão vagarosamente como se quisesse prolongar ao máximo seu sofrimento,como se soubesse que mesmo essa punição, não seria suficiente para fazê-lo se calar, ele gritava e o sangue jorrava de seu rosto conforme ela puxava.
O grito de Lucien ressou pela sala do trono enquanto ela esmagava o olho que residia em sua palma, as lágrimas de seu olho restante agora se misturavam ao sangue que se acumulava aos seus pés, Amarantha o olhava com todo o desprezo presente em sua alma, o sorriso brotava de seus lábios cor de sangue, seus olhos exibiam o mais puro desprezo e como se ele não fosse nada além de um mero feérico inferior, ela deu-lhe as costas.
Eu não podia ajudá-lo, ninguém podia, ele morreria nas mãos de Amarantha e como se ele pudesse prever meus pensamentos, Lucien virou-se para mim, me encarando com o rosto parcialmente ensanguentado, com aquele buraco no rosto. O rosto de meu irmão possuía uma expressão agonizante, mas eu sabia que no fundo ele jamais se arrependeria pelo que havia feito.
Tudo a minha volta tornou se escuridão e o grito de Lucien era tudo que existia, cada vez mais alto, cada vez mais assombroso.
Abri meus olhos e me sentei na cama passando as mãos por meus cabelos já encharcados de suor, minhas mãos tremiam e tudo ao meu redor girava, como se o calor da corte outonal me sufocasse mais e mais a cada noite,eu sabia que iria vomitar a qualquer momento se não conseguisse me controlar, eu tinha que estar no controle, tinha que saber o que fazer, estar sempre um passo a frente.
No entanto eu já me acostumara com os pesadelos, os gritos de Lucien rondavam minhas manhãs e eram o assunto principal em minha cabeça toda noite, às vezes eu sonhava com Mor, via suas asas serem arrancadas e a via sendo jogada na floresta após ser rejeitada,via a mistura de sentimentos em seus olhos, ódio, fúria, desprezo.
As vezes o remorso me tomava e a culpa era o único sentimento além da fúria e do rancor que habitavam cada pedaço do meu ser.
Respirei fundo enquanto apertava os punhos vazios, fechei os olhos na tentativa de assumir mais uma vez o total controle sobre mim e meus pensamentos.
Levantei e abri a janela para deixar que o vento varresse toda a culpa e a frustração em mim, era mais uma manhã típica da corte outonal, quente e úmida, alguns pássaros rondavm as árvores e os jardineiros ocupavam-se com as plantas no jardim.
Tomei um banho frio a fim de aproveitar o dia até que meu pai, Beron, ou algum de meus irmãos decidissem estraga-lo , perdiam-se sempre em discursos e desavenças a respeito das outras cortes e da nossa própria, como se não estivesse claro que eu seria o próximo Grão senhor ou que eu seguiria os costumes de meu pai, afinal é melhor ser temido do que submeter-se a ser um capacho de outras cortes como Lucien fazia.
As vezes eu discordava das atitudes de Beron, do modo como ele tratava seus súditos, do modo como ele tratava a própria esposa.
Alinhei meu cabelo ruivo e minhas roupas, o couro marrom, típico da corte outonal, a camisa branca, e o boldrié preenchido com as facas que reluziam conforme eram atingidas pela luz.
Passei pelos empregados a caminho da sala onde fazíamos as refeições diárias, todos eles de cabeça baixa bem como lhes foi ensinado, nenhum deles jamais atreveu-se a levantar a voz para nós ou recusar uma ordem direta.
As paredes da mansão estavam cheias com fotos de nossos antepassados e o piso de mogno estava semi coberto com um tapete vermelho, a casa toda emanava riqueza,ela estava presente em cada maçaneta encrustada com esmeraldas, no brilho impecável do piso e no olhar decepcionado de minha mãe assim que ela me parou no corredor.
Ela era uma mulher de porte médio, a postura sempre reta e o cabelo castanho alinhado em um coque apertado, sua pele dourada fazia com que seus olhos verdes se destacassem em contraste, sua expressão assumiu desapontamento quando ela disse:
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Corte de Chamas e Destroços
Fanfiction*Atenção: contém spoilers dos livros "Corte de rosas e espinhos" "Corte de névoa e fúria" "Corte de asas e ruínas" #Fanfic O fogo e a fúria queimavam em seus olhos castanho escuro, sua postura impecável tornava-o intimidante a cada passo, o filho...
