(Sem revisão)
Dor.
Era o que resumia todos os meus pensamentos. Cada fibra muscular do meu corpo doía, respirar se tornava cada vez mais difícil e por conta do cansaço parecia que meus pulmões estavam em chamas. Eu poderia deduzir que pelo estado de exaustão e pelos ferimentos que se espalhavam pelo meu corpo me torturando a cada movimento brusco, que, seria impossível prosseguir com as buscas, mas mesmo assim eu continuava apertando as rédeas de Fúria com movimentos firmes e com uma leveza que parecia contrariar o estado lastimável do meu corpo.
O grupo de buscas composto por vinte e quatro alados e quatro alquimistas, galopava calmamente atrás de mim, alheios a minha dor, mas não era uma surpresa que eles não haviam notado a exaustão evidente em meus movimentos, afinal, como líder do grupo eu havia me transformado em uma espécie de máquina, sem sentimentos, fria e calculista em cada movimento, o que transmitia uma imagem de força inabalável, mesmo em meu pior estado, por conta disso me chamam de Dark.
Estávamos passando por uma espécie de trilha, localizada no meio de uma floresta densa, que levava até uma pequena aldeia de alados ferreiros, nosso último local de verificação que ficava a alguns dias de viagem da capital do reino alado.
Com os recentes ataques do reino lupino ao reino alado o rei aumentou as patrulhas e as sentinelas que por muitas vezes não conseguiam evitar ataques por conta da dimensão do reino, diante dessa situação o rei formou secretamente uma aliança com os caçadores de aluguel - como os caçadores eram fugitivos da lei adotamos o nome "grupo de buscas" para servir como disfarce aos olhos de fora - para ajudar em algumas dessas buscas.
Sofremos grandes frustrações por chegarmos atrasados aos locais que estavam sofrendo ataques por muitas vezes só podendo testemunhar o rastro de destruição e os corpos dos nossos irmãos alados deixados para trás, tendo que engolir meu ódio enquanto limpava a "bagunça" deixada pelos lobos.
Como líder, tive essas mortes somadas nas minhas costas, com isso eu não conseguia dormir, por sempre ver o rosto daqueles que eu não consegui salvar todas as vezes em que eu fechava os olhos.
Os alados ferreiros ficavam na parte sul do reino, sendo a área com maior índices de ataques, os lobos preferiam atacar os alados ferreiros com maior frequência do que os outros vilarejos.
-Dark, senhora!- Um dos alados que participa do grupo de busca chamou minha atenção.
-Sim? - Respondi com a minha rispidez de costume.
- A aldeia se localiza logo em frente, senhora- respondeu prontamente- Recebemos informações de que ela estava sendo atacada a alguns dias.
-Tiveram mais alguma informação?
-Nada, senhora! - Abaixou a cabeça em uma conclusão silenciosa.
- Vamos! - Eu falei alto o bastante para que todo o grupo ouvisse.
Afrouxei as rédeas de Fúria dando a liberdade para que acelerasse, o barulho dos seus cascos ficaram mais altos e o impacto de suas patas do chão mandavam pequenos choques pelo meu corpo, a floresta se tornando um borrão conforme aumentava sua velocidade.
Logo atrás de mim o grupo imitando meus movimentos me acompanhava.
***
A cena que presenciei assim que cheguei a aldeia fez com que eu puxasse as rédeas de Fúria de maneira brusca, fazendo a mesma ficar sobre as patas traseiras em protesto.
Os lobos já haviam passado por aqui, a pequena aldeia antes alegre e festiva se tornara irreconhecível. As casas pareciam ter sido incendiadas ficando somente os escombros entres as cinzas que se espalhavam por todo o chão do vilarejo, os corpos podiam ser identificados em vários pontos do vilarejo. Mulheres, crianças, homens e idosos.... Todos mortos.
Não sei se pela exaustão ou pelo choque comecei a sentir um peso sendo depositado em meus ombros.
-Senhora? - estava tão absorta com meus pensamentos que não percebi a aproximação dos cavaleiros, que já se encontravam ao meu lado.
Saindo do meu transe, me endireite e disse firme:
-Quero dois grupos, procurem sobreviventes ou suprimentos. - Mesmo sabendo que a parte dos sobreviventes era improvável pela cena que todos estávamos presenciando eu tinha que seguir o procedimento padrão. -Por ar ou por terra, separem os grupos como preferirem, mas eu quero alados berrantes nos dois grupos.
Em nosso grupo os alados berrantes estavam em uma posição elevada na hierarquia, pois eles que inspecionaram o local e avisavam o grupo ao sinal de qualquer perigo.
-Sim, senhora!- disseram em uníssono, fazendo uma leve reverência.
Tirei meu pé direito do arreio e passei a perna por cima de Fúria, descendo com um baque surdo.
Ao atingir o chão minhas pernas queimaram e meus joelhos falharam, me obrigando a segurar disfarçadamente na sela dourada de Fúria, conclui que seria melhor eu ficar aqui, se houvesse uma emboscada ou coisa parecida não teria condições de entrar em combate, eu seria só um peso morto para o grupo.
-Os grupos já estão prontos, senhora.
Me virei para verificar que, alguns alados estavam no chão enquanto os outros continuavam montados.
A roupa Negra padrão dos Caçadores contava com um manto preto, com capuz, botas de couro e uma blusa preta com colete preto, fazia com que todos parecem quase iguais se não fosse por uma marca dourada em cima do colete de cada um mostrando a marca do nosso grupo, duas espadas cruzadas em cima de um par de asas.
-Quero uma varredura padrão, sem falhas os alados berrantes irão me passar o relatório final. - Eu disse por fim.
Todos fizeram uma pequena referência em resposta.
Os alados que estavam no chão tiraram as capas libertando suas longas asas brancas e com as marcas douradas brilhando no peito bateram suas asas e com ajuda das pernas se lançaram para cima iniciando as buscas pelo ar.
Já os que estavam montados instigaram os cavalos se afastando um trote suave.
Quando tive a certeza de que estava sozinha puxei o capuz mais para baixo tampando completamente meu rosto e me permitir sentir a dor causada pelos dias sem dormir e pelas lutas sem fim.
Fúria encostou seu focinho nas minhas costas parecia sentir a dor comigo.
Me virei e acariciei sua cabeça sentindo a textura dos seus pelos brancos macios e bem aparados.
-Boa menina!- Disse encostando minha cabeça na sua.
***
Depois do que pareciam horas escutei um bater de Asas e me virei a tempo de ver o alado atingir o chão.
-Senhora! - falou ofegante e fez uma pequena reverência desconcertada, seus cabelos cacheados que tem uma coloração em um azul forte estavam grudados em sua pele branca por conta do suor. -Achamos algo!
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Dark- O nascimento da escuridão
FantasyDark vive como líder dos caçadores de recompensas em um mundo onde lobos e alados estão em guerra, atormentada pelos monstros do passado e com um futuro incerto ela terá que tomar uma decisão que salvará seu reino, mas colocará sua vida em risco. U...
