Capítulo 1

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Me acordo com o barulho do celular, tive uma noite e tanto com Helena e o Samuel.
Pego meu celular e sem ver quem está me ligando atendo.

- Alô? - falo com meus olhos fechados, minha cabeça parece que vai explodir.
- Ana? Não me diga que você está acordando a essa hora! São 11 horas, Anabeth Rose Gerard! - afasto o celular do meu ouvido.
- Não estou dormindo mãe, deve ser minha garganta, acho que peguei uma gripe - minto com facilidade.

Minha mãe entra no seu modo médica, apesar de ela ser obstetra, ela vive aprendendo tudo o que pode e sempre que estou doente ela cuida de mim, me sinto mal por mentir, mas não estou com cabeça para escutar sermões.

- Você está tomando remédio? Eu só liguei porque seu pai me contou que seu tio Jonathan está na cidade e eu queria da um jantar para ele e queria você aqui.
- Mãe... - eu moro bem longe de casa, queria ser independente e ficar longe de toda a proteção da minha mãe, o que é bom, mas tem as suas desvantagens como essa.
- Ana, você nunca o conheceu, eu só o vi uma vez e foi no meu casamento. Venha por favor, o jantar vai ser amanhã à noite, da tempo de você vir e eu não aceito não como resposta.
Respiro exasperado.
- Tá, eu vou, mas tem uma condição. - falo sorrindo, eu sempre faço isso. Eu deveria trabalhar com algo relacionado a negócios.
- Sério que você vai fazer isso com sua mãe, Ana? - minha mãe começa a fazer drama e eu reviro os olhos.
- Faça minha sobremesa preferida! Tenho que ir mãe, amanhã estarei aí. Beijo, te amo! - sem esperar resposta, desligo o telefone. Ela vai me comer viva amanhã, mas não me importo.

Depois de ter arrumado a casa, me sento no sofá e ligo a TV. Estou esperando a Malu voltar. Divido o apartamento com ela, mas ontem ela dormiu na casa de algum cara, ela sempre faz isso. Meu seio esquerdo está doendo, faz duas semanas que decidi por um piercing no mamilo, na hora eu estava cheia de coragem, mas depois... Deus! Dor do caralho. No final, eu gostei.
Sempre gostei de chamar a atenção, nunca levei um não de mulher ou homem, todos sempre estão na palma da minha mão. É isso mesmo, eu sou bi. Minha mãe sempre diz que um dia eu vou encontrar um homem que vai me mostrar o que é ter controle. Pensamento do século dezenove, nenhum homem me controla.
Malu aparece e eu conto a ela que vou ter que viajar hoje à noite para chegar amanhã cedo.

Quando chega à noite, depois do jantar, ela vai comigo até meu carro que ganhei de presente do meu pai.

- Se você encontrar algum gatinho fala de mim pra ele, tá? - ela me abraça e me beija.

Houve um tempo que eu me senti atraída por ela, ficamos uma vez, mas não deu certo, hoje ela só é minha melhor amiga.

- OK, agora eu preciso ir. Se cuida. - solto ela e entro no meu carro. Solto um beijo para ela e acelero o carro.

Horas depois, o sol tá aparecendo, estacionou o carro na porta de casa. O carro do meu pai ainda está aqui. Saio do carro e bato na porta, logo minha mãe aparece e me abraça.

-Ah, eu tava morrendo de saudade! Você deve está cansada, seu pai está na cozinha e seu tio vai aparecer na hora do almoço. - ela fala tudo rápido, como se eu fosse desaparecer.
-Calma, mãe, eu não vou sumir. Como assim ele vai aparecer na hora do almoço? Achei que seria no jantar.
- Ah, mas ele vai dormir aqui, ele só vai colocar suas malas e só volta à noite.
-OK, vou ver meu pai então.

Entro na cozinha e meu pai está lendo jornal enquanto toma café, nunca gostei de café, sempre me dá dor de cabeça.

- Pai! - não me sinto confortável com ele, desde que meu irmão morreu, ele quer que eu siga os sonhos do Thomaz, quando eu tenho meus próprios sonhos.
- Ana. - Ele se levanta e me abraça, é um abraço rápido, não somos muito de demonstrar afeto, puxei esse lado dele.
- Como você tá? Já está fazendo faculdade? - meu pai sempre faz essa mesma pergunta.
- Estou fazendo fisioterapia, pai. Achei que já tivesse dito. - falo sem querer ser rude, mas ele percebe.
- Essa não é uma boa profissão, Ana. Não vai te dá muito dinheiro, por que não tenta administração?
Esse era o sonho do meu irmão, mas eu nunca gostei disso, nunca soube administrar nada, nem mesmo meu dinheiro.
- Gosto do curso que estou fazendo. Agora, se me dê licença, vou subir para meu quarto, estou cansada.

Meu pai me olha por alguns minutos e só balança a cabeça, interpreto isso como um sim e subo para meu quarto logo depois de beijar o rosto da minha mãe.
Quando chego no meu quarto, vejo que não mudou nada, tiro meus sapatos e caio na cama, estou morta de sono.

Foi um prazer conhecê-lo, TioHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora