1. Muitas felicidades, muitos anos de vida!

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Eu realmente não esqueço esse dia! 10 de junho, dia em que completei meus 18 anos. Nossa! Como estou ficando velha... rsrsrs. Mas foram momentos incríveis; eu me descobri de uma forma que, se fosse nos dias de hoje, praticamente não sei se faria da maneira que fiz. Mas confesso que foram coisas e momentos que me marcaram. Eu hoje me vejo uma mulher mais madura, plena, dona de mim.

Daniela é meu nome. Hoje tenho 25 anos. E sim; me acho velha!

Mas, voltemos àquela data; foi lá que tudo começou: criei uma amizade de um jeito inesperado que, de verdade, de certa forma me marcou.
- "Parabéns, minha branquinha! Muitos anos de vida!!!" - Foi a mensagem que li no celular assim que ele apitou à chegada de mais um SMS.
- "Obrigada, meu bem!" - Respondi ao Anderson, amigo que, em questão de dias, eu criaria um vínculo maluco e, ao mesmo tempo, intenso e incrível.
- "O que vai fazer hoje pra comemorar?" -Perguntou ele - "Afinal, é seu dia, e agora já é adulta!"
- "Não sei. Mas acho que vou comemorar com amigos no shopping. Bora?! - Disse eu.
- "Ahm! Melhor não... rsrsrs. Não tenho intimidade com seus amigos. E outra que sou mais velho que vocês." - Ele respondeu ao meu SMS.
- "E o quê que tem? Nada a ver. É só uma comemoração." - Falei.
- "Não não." - Ele não estava disposto - "Vai lá. Curta e comemore com sua galera. Depois a gente se fala e, quem sabe, tenho algo para te dar. Beijos."
A conversa acabou ali. Nos despedimos.
Aprontei-me e fui ao shopping com amigos da escola, de infância. Lá percebi que o Anderson estava certo: ele era quinze anos mais velho que eu. Realmente ficaria deslocado.
Cheguei em casa antes das 23 horas. Liguei o computador e loguei no MSN (Sim! Em 2012 ele ainda existia). Anderson estava online. Resolvi chamar.
- "Ei, meu bem!"
- "Uai, branquinha! Já?! Pensei que iria madrugar."
- "Não não. Acabou que fomos a praça de alimentação e zuamos um pouco. Tá tudo bem aí? Fazendo o que uma hora dessa na net?"
- "Nada de mais. Tava criando meu facebook. Virou moda agora isso."
- "Ah! Sim... Eu já tenho o meu."
Resolvi enviar duas fotos do passeio ao shopping com os amigos.
- "Olha só!" - Comentou ele ao abrir as fotos - "Você tá gata, hein? Curti a forma como deixou seus cabelos."
- "Você achou, meu bem? Obrigada." - Agradeci.
Nossa! Eu amava quando ele me elogiava... Não eram elogios vazios como os garotos da minha faixa etária faziam; Eu via maturidade nas palavras dele. Sei lá... Acho que gostava pelo fato de ele me ver como mulher, não uma adolescente como a maioria me via. E isso me fazia bem. Confesso que enviei as fotos esperando, justamente, receber um elogio dele.
- "Aqui: e meu presente?" - Cobrei em tom de brincadeira.
- "É mesmo, branquinha!" - Respondeu ele. - Amanhã, assim que chegar do trabalho, compro e te dou. Você merece!"
- "Vou cobrar, hein?" - Comentei.
- "Pois pode cobrar." - Ele disse.
Terminamos a conversa. Ele já não estava mais online. Eu fui escovar os dentes, remover a maquiagem, vestir meu baby dol. Fiquei um tempinho me observando no espelho. Eu era magrinha. Sempre fui magra, até hoje sou! Mas estava reparando que, mesmo de forma sutil, meu corpo começava a delinear as curvas.
Comecei a deslizar minhas mãos por elas, foi me dando um sensação estranha, gostosa até... Eu senti que meu corpo nunca fora tocado assim. Parei na hora. Afastei qualquer possibilidade de pensamento e fui me deitar. Eu precisava descansar; tinha aula no outro dia.

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