Sempre que estou em situações cotidianas e sociais, começo a questionar-me sobre a configuração das relações e seu funcionamento. Quanto mais aprofundo-me neste pensamento, mais percebo que o laço que liga-os é o da casualidade. Relações superficiais e frágeis, compostas por diálogos despreocupados sobre assuntos aleatórios...
Na maioria das vezes, fico sentado em um canto observando tudo isso, e quando percebo que, mesmo sem querer, acabo atraindo atenção por estar sozinho enquanto todos estão afagando-se emocionalmente com conversas casuais, tento encaixar-me em um dos grupos. As tentativas são acompanhadas de êxito, tirando a parte que, fazendo uma referência ao livro "O Lobo da Estepe", o lobo que há em mim olha-me enojado pela situação. Sou impotente diante disso, e acabo submetendo-me no piloto automático.
Quando sou abordado por alguma pessoa que puxa-me para uma conversa um por um, inicio a execução da minha ocupação: dono de uma loja de inconveniências. Como atributos negativos também são atributos, eu executo com primor minha ocupação, à qual recebi de forma inerente.
Graças a isso, tenho uma personalidade a parte, caracterizada pela definição das outras pessoas: esquisito. Felizmente, ou não, sou completamente indiferente a esse "eu" das pessoas.
