Capítulo 1

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Gargalhava alto no sofá em frente à televisão, enquanto assistia a desenhos animados, aliás começo a acreditar que a televisão será muito disputada entre mim e meus futuros filhos, pois eu simplesmente amo a falta de sentido que eles tem, e é exatamente aí que mora a graça.

Era sábado e eu não tinha absolutamente nada por fazer, como quase todos os outros sábados, na verdade. Eu nunca fui de sair muito, a calmaria e o silêncio eram minhas coisas favoritas e isso era algo que dificilmente encontraria fora de casa, por isso não saia.
Desde sempre tinha tido essa preferência pela calmaria, embora tivesse amigos que eram o oposto de mim, pois eles não descartavam suas saídas constantes.

-Você não tem de estudar Kira? - perguntou meu pai com sua frieza habitual, oque me fez saltar do sofá pelo susto de sua abordagem repentina. Tal foi o susto, que o controle remoto voou de minha mão e foi directo ao chão da sala.- além de não estudar quer me quebrar a casa. Por Deus menina, com a sua idade eu já sabia o  que queria da vida e não gastava horas em frente à televisão quebrando coisas do meu pai.- e com essa fala retirou-se da sala me deixando não mais tão feliz em assistir aos meus desenhos.

Esse era meu pai, Miguel Almeida, homem que há alguns anos vem se mostrando totalmente o oposto do que foi tempos atrás. Ele era insensível na maior parte das vezes, e nada do que eu fizesse parecia lhe agradar, como se minha existência o incomodasse! Mas eu preferia acreditar que era o resultado de muito estresse lá da empresa, a Almeida Jewelery. Meu pai tinha assumido o controle da empresa muito cedo, assim que meu avô Alberto faleceu.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo toque do meu celular que estava na mesinha de centro à minha frente, peguei-o habilmente e procurei imediatamente ler o nome de quem me ligava.
E não pude conter o sorriso em meus lábios, ao ver de quem se tratava, era Filipe. Meu namorado.
Eu o tinha conhecido numa pastelaria aqui do bairro, nós moramos no mesmo bairro, mas a casa dele fica do outro lado e é consideravelmente longe da minha, dava uns 25 minutos de caminhada. Depois que nos conhecemos, nos cruzamos outras vezes até que trocamos os contactos e hoje cá estamos.

- Oi meu amor- disse eu derretida por Filipe.

-Olá princesa, tudo bem? - pude perceber pelo tom que ele sorria, o que só me deixava ainda mais apaixonada por ele. Filipe era um fofo.

-Sim e você? Está tudo bem contigo amor?

-Está tudo bem também linda, te liguei na verdade para perguntar se aceita ir dar uma volta, respirar ar puro e tomar um sorvete comigo hoje. Ou está ocupada?

-Você chegou na hora certa, estava apenas a ver televisão, claro que aceito. Onde quer ir? Vem me buscar?

-Pensei em deixar você escolher- ao dizer isso Filipe me fez suspirar por seu cavalheirismo e pensar na sorveteria do centro.

-Porquê não vamos àquela sorveteria que fica no centro? É bem perto para nós e sem contar que dá para ir a pé e você precisa perder uns quilinhos.- eu disse na intenção de fazê-lo rir.

Ouvi sua gargalhada do outro lado da linha e não pude deixar de gargalhar junto.

-Eu sabia que você não ia deixar passar uma única oportunidade para zombar de mim- ele dizia entre risos o que me fazia rir também- Passo em uma hora, está bom para ti?

-Óptimo, até logo.

-Até, beijos.

E encerramos a chamada. Deixei o celular no sofá e me dirigi ao meu quarto no andar de cima onde rapidamente tomei um banho que durou apenas 10 minutos. Já no closet, prefiri optar por roupas frescas pois fazia bastante calor em Alfama, um dos inúmeros bairros de Portugal. As roupas consistiam num short não muito curto até porque não me sentiria confortável em sair à rua de roupa muito curta, uma blusinha bem leve e nos pés sandálias super confortáveis. Passei perfume, coloquei acessórios e me olhei no espelho.

A Traumatic AdolescenceStories to obsess over. Discover now