Essa poderia ser uma história de amor, um conto de fadas, mais não, é apenas a minha história.
Meu nome é Lia, tenho 20 anos e não faço a mínima ideia do que fazer da minha vida. Meu pai morreu faz 2 meses e mesmo antes eu já não sabia o que fazer, porém era tudo mais fácil, ele sempre estava ali me ajudando e me dizendo o que fazer, agora, pois é agora eu não sei o que fazer.
Bom como minha mãe diz, um dia de cada vez, ah! eu moro com minha mãe, Maria, a gente não era próxima apesar de sempre morar juntas, mais desde que meu pai faleceu ela se aproximou mais de mim, acho também pelo fato que meu irmão mais novo, Isac mora em outro estado entao de família só temos nós duas.
Eu trabalho em uma biblioteca, no início eu não gostava, achava que era meio sem graça, parado, coisa de velho. Aos poucos fui me encantando com meu trabalho e as pessoas que frequenta sempre a biblioteca. Nós dias difíceis eu procuro histórias alegres e assim acabo esquecendo um pouco meus problemas, mais infelizmente tenho sempre que voltar pra realidade.
Seu Nicolau é meu chefe, ele é um senhor um tanto diferente, as vezes misterioso, acho que é pra manter o ar pomposo dele, ele sempre é gentil comigo, quando está de bom humor passa horas me falando de livros e contando suas histórias de mais novo. Seu passa tempo preferido é olhar um livro grande que tem na biblioteca que somente ele pode mexer, eu sempre tento olhar o que tem no livro mais ele sempre diz que a curiosidade matou o gato.
- eu já falei varias vezes senhorita Lia, que essa sua curiosidade vai acabar te colocando em maus lençóis. Aqui não tem nada pra você, volte ao seu serviço e guarde todos os livros em seus devidos lugares.
- eu não sei o que tem de tão importante nesse livro, é só um livro!
- não tem nada que seja da sua conta, Agora chega desse assunto, vá fazer seu trabalho. Ah! Sua mãe deixou um recado, ela pediu pra vc regar as plantas quando chega e colocar comida para o gato.
- tá bom, obrigada.
As vezes era fácil conviver com seu Nicolau, mais tinha dias que ele é insuportável, e hoje é um desses dias. Passei o dia guardando os livros e limpando prateleira, e pensando o que eu ia fazer da minha vida, mas também estava muito curiosa pra saber o por que seu Nicolau estava estranho, hoje com certeza ele não está normal, muito calado não brigou comigo, nem atendeu os clientes, o tempo todo no celular olhava para o relógio com tanta ansiedade parecia que ia ter um infarte. Bom no caminho pra casa eu comprei a janta, mãe não gosta muito de cozinhar e eu hoje não estava com vontade pra cozinhar.
- Lia? Lia?. Era kleysla me chamando, minha melhor e única amiga.
- ah!! Oi Kleysla, tudo bem?
- Você ficou sabendo???
- sabendo do que ??
- aquela casa velha no final da rua, ela foi vendida, dizem que os donos chegam amanhã, mandaram arrumar e limpar a casa toda hoje, está o maior movimento na rua, você realmente não ficou sabendo?
- não eu não estava sabendo, passei o dia na Biblioteca hoje, ninguém comentou nada. Mais quem será que comprou essa casa, ela esta abandonada desde de antes da gente nascer.
Fiquei imaginando quem seria o louco que iria comprar uma casa velha, caindo aos pedaços, e com fama de mal assombrada, Kleysla interrompeu meus pensamentos.
- acho que vou indo para casa, minha avó está doente não quero deixar ela só por muito tempo, amanhã a gente vai no cinema né??
- ah sim, vamos sim, melhoras a sua avó, tchau.
- tchau.
Kleysla não conheceu os pais, sempre foi criada pela avó que também não faz muita questão de falar de sua filha, ela diz que não tem nada de bom a se dizer e que pra ela a filha está morta, mais minha mãe sempre disse que a mãe dela fugiu por que não suportava viver em cidade pequena que não tinha pra onde evolui, o que não deixa de ser verdade, pois Cristal City era rodeada por mata virgem e algumas fazenda. Minha mãe gosta muito daqui diz que o charme da cidade é o fato que todo mundo se conhece e todo mundo se ajuda, mais eu não acredito muito nisso, tem muita gente fofoqueira nessa cidade, vivem cuidando da vida uns dos outros. Um dia eu também vou sair daqui, só ainda não sei como.
Chegando em casa cumpri com as obrigações que minha mãe deixou, reguei as plantas, dei comida pro gato. Quando já estava terminando de jantar minha mãe chegou, aparentemente muito cansada, coisa que eu não duvido, minha mãe trabalha em uma loja de antiquário, ou como eu digo logo, coisa velha que eu não sei pra que serve mais alguém com certeza vai pagar algo por elas.
- a senhora parece muito cansada, como foi seu dia?
- de fato muito cansativo, mais lucrativo pra gente, consegui uma ótima comissão vendendo vários produtos pra família que comprou a casa no final da rua.
- hum, a senhora conheceu a família?
- ahh! Não,não, eles mandaram o advogado fazer a compra.
- eu fico me perguntando que tipo de pessoa compraria uma casa assim, ou que tipo de pessoa iria querer morar aqui, uma cidade pequena sem nada pra fazer.
- eu conversei um pouco com o advogado, e ele me disse que o patriarca da família está muito doente por isso ele veio pra cá, a cidade é rodeada de floresta o ar é limpo, com certeza vai ajudar na recuperação dele, fora que ele quer paz enquanto se recupera. Pelo menos foi isso que ele me disse.
— ah sim! Tomara que ele melhore da doença que ele tem, deixei em cima do fogão seu jantar.
Ela foi jantar.
Acordei com pessoas falando alto na rua, corri pra ver se tinha acontecido um acidente, que na minha imaginação essa era o único motivo pra ter esse falatório tão cedo. Mas não era, os vizinhos estavam comentando que a família nova havia se mudado durante a noite, em silêncio, e todos estavam discutindo uma desculpa para ir fazer uma visita aos novos moradores do bairro. Bom eu não estou nem um pouco interessada em fazer visita alguma aos novos moradores que nem o nome eu sei. Eu ainda não consigo entender como alguém vem morar aqui, com certeza esse senhor deve estar muito doente, só assim para vim morar em uma cidade pequena. Mais enfim o dia começou e eu preciso trabalhar, minha mãe sempre sai cedo, mais graças a Deus ela sempre deixa o café da manhã pronto. Tomei meu café da manhã, me arrumei e partir rumo a biblioteca da cidade, meu trabalho, meu refúgio, eu me sinto tão bem quando estou na biblioteca, não consigo explicar esse sentimento, nem deveria existir esse tipo de sentimento é só uma biblioteca é só um trabalho, mas eu amo estar lá.
— bom dia senhorita
Disse seu Nicolau, me dando um susto, ele saiu de trás de uma pilha de livros, que por sinal ontem não estavam ali.
— Han! Bom dia seu Nicolau, como o senhor está?
Perguntei ainda com o coração acelerado depois do susto que ele me deu.
— estou bem, caiu da cama hoje? Você não tem o costume de chegar tão cedo assim.
— ah! Não senhor, os vizinhos me acordaram, estavam todos falando muito alto, todos curiosos para conhecer os novos moradores da rua. Aliás o senhor ficou sabendo? Uma família se mudou para aquela casa velha no final da rua que eu moro.
— ouvi algo do tipo ontem no restaurante, mais devo confessar que eu estava entretido neste belo romance, que me pareceu mais proveitoso do que dar ouvido as fofocas.
— o senhor está certo. Hum, eu vou guarda esses livros, eu não me lembro de eles estarem aí quando eu saí ontem.
— tive outra noite de insônia, e resolvi procurar um livro que li quando era mais novo, mais eu não achei, e nem lembro o nome, só me recordo da capa. É uma pena a história era muito boa.
Ele pareceu triste em não ter achado o livro, o que eu achei estranho, seu Nicolau não costuma ler duas vezes o mesmo livro, ele sempre diz, que existem muitos livros nesse mundo para ele ler mais de uma vez o mesmo.
Passei o dia guardando os livros que seu Nicolau tirou do lugar durante seu ataque de insônia. Fazia tempo que ele não tinha insônia.
— boa noite seu Nicolau, eu já vou, até amanhã.
— boa noite Lia. Lia?
— oi
— amanhã não abriremos, já coloquei o aviso na porta, amanhã estaremos de recesso, vou precisar me ausentar da cidade amanhã e não vejo motivo para você ficar aqui sozinha, então tire um dia de folga, vá se divertir sair com seus amigos, vc fica muito tempo nesse trabalho.
— tá bom, obrigada.
Quando olhei para o relógio eu lembrei que tinha marcado cinema com a Kleysla, com certeza ela deve tá furioso, peguei meu celular e tinha várias ligações dela, ela tava furiosa, mandei uma mensagem para ela. " Amiga, me desculpa eu acabei me distraindo com os livros e esqueci da hora, chego aí em 20 minutos, pega pipoca pra mim, e guarda meu lugar, bjus". Ela apena olhou a mensagem, e não respondeu, entendi o sinal e corri para o ponto de ônibus, era 20 minutos de ônibus até a cidade vizinha onde tinha o pequeno cinema que raramente passava um filme bom, ou atual, mais mesmo assim a gente sempre ia no cinema, era um ótimo programa de diversão.
— boa noite!
Me virei com o coração acelerado, não tinha notado ninguém no ponto, mais lá estava um rapaz, que eu nunca tinha visto antes.
— boa noite!
Respondi sem conseguir dizer mais nada, ele notou minha aflição e nervosismo por estar ali só, com um estranho.
— meu nome é Rodrigo, eu moro na casa no final da sua rua, me mudei hoje para a cidade.
Olhei fixamente para ele, surpresa, não esperava mesmo que alguém que se mudasse para aquele casa se parecesse com ele.
— ah sim! Meu nome é Lia, trabalho na biblioteca aqui perto, você vai pegar o ônibus? Você está indo no cinema na cidade vizinha?
— prazer Lia. Não eu não vou ao cinema, estava apenas caminhando, aí vc chegou achei que seria falta de educação não me apresentar, ainda mais que estamos no escuro e só, vc poderia se assustar com minha presença.
Eu me senti meio boba.
— ah sim, claro eu levei um susto não tinha te visto, mais tudo bem. O ônibus chegou, tchau!
— tchau.
Ele disse e enquanto eu entrava no ônibus, ele se afastou indo em direção a nossa rua.
Eu fui o caminho todo pensando no que dizer a Kleysla pra ela não ficar brava, e pensando no susto que o Rodrigo me deu. O que será que a família dele veio fazer na cidade?
ANDA SEDANG MEMBACA
O Livro Dos Guardiões.
FantasiA história acompanha Lia, uma jovem sem perspectiva do que se fazer da sua vida, e vai descobrir que pode fazer além do que ela imagina
