Capítulo 42

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" Cheguei a um ponto de angústia que durmo com a estranha sensação de que quero ser diferente do que aquilo que sou. Eu não sou forte como aquilo que deveria ser, não tenho o passo rápido como gostaria nem paraliso como poderia. Mas no final, eu espero conseguir equilibrar-me nos extremos, afinal o que me move não é forte o suficiente para me derrubar, mas é intenso o suficiente para ir mais além."

Hoje é a véspera de Natal e eu não me podia sentir mais sozinha. 

Todos se encontram fora de casa, o meu avô continua no hospital e o Harry não me fala desde a última chamada que fizemos, ou seja, antes de ontem de manhã.

Hoje é o aniversário do Louis e íamos fazer uma vídeo chamada, mas é o que menos me apetece fazer neste momento, apesar de ele ser um grande amigo meu. Porém, eu tenho a certeza que se fosse ao contrário ele ainda não me tinha parado de chatear e, honestamente, eu gosto disso porque eu gosto de saber que apesar de tudo eu tenho e vou ter sempre pessoas ao meu lado. E é por isso que eu vou ter que me abstrair de tudo o que me está a acontecer, que parece surreal, e fazer o meu amigo feliz. 

Dificilmente eu me via sem Natal, nunca me passou pela cabeça e isto é horrivel. Falta-me alguma coisa, de repente fiquei vazia de cima a baixo, sinto-me incompleta e de certo modo um pouco só, afinal quem é que passa o dia 24 de dezembro sozinho, na minha cabeça, não sou eu de certeza.

Isto não pode estar a acontecer-me, simplesmente. O que aconteceram aos velhos tempos? O que é que lhes fizeram, o que é que me fizeram? Melhor, o que é que eu fiz para merecer tal coisa? 

Desde quando é que podem retirar a alguém um Natal de mão larga? Isso não se faz, ao fim ao cabo um mísero Natal que não é Natal vai marcar o resto de vidas, porque nem sequer é só a minha é a de uma família que por acaso é a minha. É repugnante.

Era hora de almoço e daqui a uns minutos a vídeo chamada teria de começar, então, encaminhei-me para o meu quarto e fui buscar o portátil. Rapidamente me enrolei nos lençóis brancos que me faziam querer reviver memórias infantis que passavam pela minha mente. Liguei o portátil e fiquei à espera de algum sinal de sobrevivência de algum deles. 

Entretanto liguei a televisão que se encontrava à minha frente e ía passando por todos os canais. Mas num instante batia-me mentalmente, quer dizer, é Natal o que é sinónimo de televisão repleta de Natal e, por isso, fez-me ficar emocionada. Num movimento rápido desliguei a televisão e agora encontrava-me concentrada no computador.

Será que se esqueceram da minha existência? Enfim.

Ía para me levantar para poder chegar à mesinha de cabeceira, onde se encontrava o meu telemóvel, mas apareceu uma imagem no ecrã em sinal de pedido de chamada e rapidamente atendi, já não era sem tempo.

Apareceu o Niall no ecrã. Ele estava-me a olhar com um olhar desconfiado e sentia-me cada vez mais desconfortável.

- Importas-te?--- protestei.

Niall: O que se passa?--- abri a boca. Como assim ele não sabe, quer dizer, como assim eu não lhe contei.

- Hum, depois falamos, okay? É um assunto delicado.--- engoli a seco tentando fazer desaparecer o nó que se formava na minha garganta e suspirei. Acordem-me deste pesadelo, por favor.

Niall: Sim, estás-me a deixar preocupado...--- olhou-me profundamente e eu simplesmente encolhi os ombros tentando disfarçar, se eu falasse era descoberta.

- Vá, vamos socializar.--- ele gargalhou com a tentativa de piada minha e passado uns minutos encontrávamo-nos todos ligados.

O Liam e o Harry estavam em casa do Harry e já estavam a almoçar e só de olhar para o Harry dava-me arrepios. Como é possível ele estar assim, como se nada fosse? Nós não falamos há quase dois dias e isso é qualquer coisa de anormal e, sinceramente, põe-me ainda mais triste, eu esperava mais cuidado vindo da sua parte, enfim...

O Louis encontrava-se radiante e estava sempre a dizer coisas sem sentido, como já é habitual. Na verdade, todos se encontravam iguais e a conversa era à base de piadas e disparates que me levavam às gargalhadas que não soltava desde o segundo dia que cheguei a Portugal. Era bom ter estes momentos para abstrair, afinal, o que era eu sem eles quando o que mais me apetece fazer é chorar.

Os meus pais e o meu irmão nunca mais chegavam e, sinceramente, estava a achar tudo muito estranho. No entanto, de computador na mão e ainda com a chamada ligada, passei para o compartimento da casa a que chamamos de cozinha e preparei qualquer coisa rápida para comer porque apesar de tudo a fome ainda batia à porta.

Sentei-me na mesa da cozinha e emediatamente prestei atenção à conversa "animada" que decorria.

Louis: Eu sou o top e tu és o soutien.--- disse para a Bárbara fingindo sacudindo o cabelo e de repente surgiram gargalhadas. O que é que eu perdi mesmo?

Bárbara: Eu brilho, tu piscas.--- piscou-lhe o olho.

Louis: Eu sou Bang e tu és Tang.--- mandou um beijo.

Niall: Eu sou King, tu és mac.--- mandou tentando dizer alguma coisa de jeito mas o que é certo é que Niall é Niall e nada muda por isso, a coisa não correu muito bem deixando-nos especados a olhar para o ecrã. 

- Podem verificar as vossas bebidas?--- ergui as sobrancelhas.

Harry: Sim, eu também agradecia, e por favor ladies, não discutam quando sabem que o melhor sou eu.--- ajeitou o cabelo e eu engoli em seco.

Liam: oh, obrigado pela simpatia.--- ironizou.

Harry: Só uma vez por ano.--- mexeu nos lábios olhando paa mim. Ele que não faça isso muitas vezes por favor.

Louis: E aqui vamos nós... Estás-te a tornar mais divertido a cada dia que passa, exceto desta vez, não me fez rir a sério, ops.--- encolheu os ombros.

Harry: Vá lá admite que o único que te faz rir és tu próprio....--- arregalou os olhos.

Louis: Desconheço essa pessoa.--- e foi aí que me estabilizei e reparei naquilo que me rodeava, gargalhadas. Eu estava perante a felicidade dos meus amigos e um suposto namorado e isso chegava para por um único sorriso que fosse na minha cara, nem que fosse por um único segundo, mas ao menos o dia já tinha valido a pena, afinal, um dia sem um sorriso ou uma gargalhada é um dia disperdiçado e, neste caso, estamos a falar da Véspera de Natal.

A pequena discussão foi interrompida pela voz da mãe do Harry.

Anne: Harry, tem cuidadinho com aquilo que dizes, sabes que de vez em quando dizem-se coisas desnecessárias... E não te esqueças que tens o tempo contado, tens que ir arrumar as coisas que vais precisar para levar.

Bárabara: Sim, porta-te bem Harry.

Uou, calma, aonde é que ele vai mesmo? Arregalei os olhos quando me apercebi que o Harry poderia ir numa viagem e não me disse nada. Seria por isto que ele não falava comigo? Quereria ele fugir da verdade? 

E mais uma vez fiquei sem saber o que fazer. Ele não podia fazer isto assim do nada. O que é que me andam a fazer? Eu não preciso de tanto sufoco, eu não preciso de tantas angústias. Já chega e começo a ficar um pouco farta de tudo, parece que há alguém do mal que não me deixa em paz e, portanto os problemas não param de surgir e aparecem uns atrás dos outros.

Todos se encontravam calados e estáticos com a notícia, afinal, não era só eu que me encontrava com a cabeça em forma de ponto de interrogação. Aonde iria ele?

Olhei para o Harry que se encontrava com a cabeça pousada na mão, ele observava-me com os olhos atentos e num instante vi medo e preocupação em si.

hug and kisses, santi

Complete meWhere stories live. Discover now