Relato 001: " Magia existe? "

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O mundo é tão belo, não? Tanto tempo de evolução humana e tecnológica, tantas histórias, tantas lendas... Claro, todas foram criadas por algum motivo. Algumas foram para entretenimento enquanto outras foram para controlar as pessoas através do medo. Monstros, acontecimentos, heróis... Essas fantasias relatadas em um pedaço de papel e tinta realmente cativam, né? Porém, irei provar a vocês que a mente humana não foi somente a responsável por tais histórias fictícias.

Meu nome é Akashi Shido, tenho meus vinte e dois anos, sou um perfeito vagabundo que está em seu ano final de jornalismo. Eu sempre fui um fã de histórias, desde livros até filmes e desenhos. Certo, isso pode ter me feito ser vítima de um certo preconceito por não amadurecer rápido, mas se for pelo meu prazer de apreciar a fantasia, eu aceito sorrindo. Voltando ao que sugeri antes neste breve relato, irei provar o que disse.

Em algum momento da minha infância, eu sempre me imaginava como um bravo cavaleiro enfrentando um dragão em busca da princesa, assim como nos contos europeus de cavalaria. No fundo, eu sabia que nunca iria acontecer, afinal, nada daquilo era real, ainda mais a princesa. Mas... Um dia em específico, com meus nove anos em punho junto a um pedaço de vassoura, eu, um pequeno menino de cabelos negros, lisos e opacos que caiam até a nuca, com uma camisa de dinossauro bem fofinha em um fundo verde, junto com uma fiel bermuda de mesma cor, se divertia no quintal daquela casa medíocre no meio daquela vizinhança calma. Brandir um pedaço de madeira com aqueles meus olhos animados, com um brilho destacados para as iris cor-de-mel era quase como um paraíso para mim. Eu me imaginava diante de um mundo rico de cores, de seres, a projeção de minha imaginação e além dela... Eu era bem inocente em amar fazer aquilo, mas, nesse dia... Nesse dia não foi imaginação. Eu realmente podia sentir tudo como se eu estivesse lá, era a fronteira de imaginação se expandindo e tomando conta da realidade. Cada criatura que já li sobre, mesmo que bem pouco, eu era capaz de ver... Meu nobre gladio feito de madeira barata realmente parecia emanar alguma energia que não fosse a simples alegria de o ter em mãos. O canto de passaros que eu nunca vi na vida, junto com as silhuetas ao horizonte que eu sequer imaginaria que existiam em tais formatos. Sim, aquilo era a magia... A magia e seus derivados. Mas, não durou muito para mim. Minha querida mãe executou um belo de um grito pelo meu nome, praticamente me tirando daquele mundo como um puxão indelicado. Meu corpo ficou parado no local, que agora retornava a ser meu jardim. Um aperto em meu coração, junto com um sorriso enorme em meu rosto. Eles me fizeram mover minhas pernas até dentro de casa para o café da tarde, aonde eu contaria para a mãe sobre o que aconteceu naquele momento.

Ahn? Eu sinto meu bolso vibrar... Que droga, eu estava empolgado em contar marés passadas para o nada. A necessidade de fazer meu aparelho celular parar de vibrar me fez o tirar do bolso. Era uma quantia bem alta de mensagens, sem contar os avisos de jogos de gacha que eu jogava em meu tempo livre. A principal era de uma grande veterana minha, tão preguiçosa quanto eu, mas... Ainda sim dominante. Não me entenda errado, eu não tenho o menor interesse nela, mas, quem tiver, com certeza deve ter o desejo de lamber botas ou de andar em uma coleira para uma mulher. A mensagem dela me exigia de forma educada em meio a palavrões que eu só fui conhecer agora para que eu fosse até a estação de metrô. Mandei uma concordância seca e parti.

Trajado com um casaco branco com uma estampa na lado esquerdo do peito dizendo " Peace ", junto com minha calça de moletom negra, que batia muito bem com o estilo da peça anterior, em meus pés, estavam tênis de cano médio e negros também. Da última vez que me vi no espelho, eu estava com o cabelo preso em uma trança, que ia até parte das costas. Também estava protegido pela franja mais negra que na minha infância. Meus olhos só haviam perdido o brilho e meu cansaço se transformava em uma bela olheira. Eu estava muito estiloso nesse dia, hein?

— Você está seis minutos atrasados. — Uma voz me tirou dos meus devaneios, uma voz feminina, não chegando a ser fina ou delicada.

— Meu " Bom dia! " colocaria um sorriso neste seu rosto fechado? — Respondi em um tom irônico para minha veterana, que gentilmente cerrava os punhos.

Aquela era Miyamoto Kyouko, ele era um ano mais velha que eu, sendo assim tendo seus vinte e três anos. Ela era contados dois centímetros mais alta que eu, tendo assim, 1,82m. Aquilo para ela era o suficiente para me tratar como se eu fosse medido em uma escala de bactéria. Ela tinha o corpo forte, destacado pelos seus braços grossos e pernas definidas, provavelmente a barriga dela deveria ter um tanquinho de invejar muitos. Ela vestia um sobretudo marrom, com uma calça de corrida preta por baixo. Seus tênis também eram de corridas, tendo mais cores que o próprio arco-íris...

— Não encare minhas pernas e pés, imbecil. — Novamente, ela cortando meus pensamentos.

— Desculpa, Kyo-Kun. É que seus pés parecem a Times Square. — Novamente devolvi no tom irônico, que provavelmente deveria fazer a garota querer me matar.

Voltando a ela, seus seios eram medianos, talvez Cup-C... Seu rosto era sua marca registrada, tendo ele bem delicado, fazendo jus ao tom de pele igualzinho a porcelana, seus olhos eram grandes, com uma tonalidade preta-ébano. Uma cicatriz começava de seu nariz fino até a lateral da bochecha direita. Seus cabelos tonalizados de branco iam até os ombros com um elegante e liso corte bob. Agora que não fui interrompido, tomei a palavra:

— Não é comum você me chamar. Geralmente não gosta da minha presença.

— Ninguém gosta de alguém preso em coisas que não existem, Shido. — A garota proferiu suas palavras amoladas pela realidade. — Eu vim lhe dar algo para seguir.

— Eu não sou masoquista. — Recuei um passo, a última coisa que eu queria era servir alguém daquela forma.

— Morra, idiota. Eu estou falando dessas tuas fantasias de criança. — Meus ombros relaxaram um pouco ao ouvir aquilo, mas minha expressão se fechou em dúvida. — Aqui. Vai neste maid-café. Procure a empregada de cabelo rosa e... De pele parda.

— Uau. Não pensei que fosse lésbica. — Peguei o cartão da mão de minha veterana, desviando o rosto para trás evitando o belo cruzado que ela me daria por conta de meu último comentário. — Obrigado de qualquer forma, Kyo-kun. Eu vou lhe pagar o mais rápido que conseguir.

— Você me pagaria muito deixando de ser infantil.

— Isso quebra minha bolsa de valores.

Kyouko levou a mão até a testa, puxou a franja para trás e soltou um suspiro indicando a perda de esperanças em mim. Não era a primeira vez que acontecia... Talvez fosse a décima nessa semana. Mas com a entrega de alguém para comprovar a existência da magia foi a primeira em toda a vida. Eu teria uma testemunha desta vez? A sensação de parecer um detetive é realmente incrível! Kyouko acenou de costas para mim enquanto fazia seu caminho de volta para sei-lá-aonde.

— Incrível, né? — Comentei olhando o papel e tentando me lembrar do endereço. Akihabara... Não era de se esperar.

— Uau! Vão nos notar agora? — Do meu bolso, saiu a cabeça de uma pequena garota sorridente, ela tinha cabelos longos e roxos, sua voz era bem fina. Ela deveria medir seus sete centímetros de altura. Para alguns, ela é uma fada. Para mim, ela é Crimson.

— Quem sabe... Bom, vamos a viagem. — Fiz um breve carinho com a ponta do dedo indicador na cabeça da fadinha, e ela retornou ao meu bolso. Apressei meu passo tomando um rumo em especial. O primeiro artigo que comprova a magia!

Ou eu iria tomar meu lugar na fila para o metrô. Fazia parte desta última. Ainda bem que eles não cobram pela minha companheira.

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