Nas madrugadas quentes da fogueira da caverna falamos a língua do pecado.
Entre todas as tentativas e artifícios frustrados, o desejo me consumia até que me tornasse uma criatura selvagem.
Naqueles longos dias, noites e madrugadas na desconhecida selva, onde o horizonte escondia o proibido, confiava nas trilhas de suas pétalas. Seguia em direção ao calor que sem ilusões me seduzia.
E em tantos abismos e traiçoeiros campos de solidão, no final da noite das noites encontro o meu descanso na caverna ardente da paixão.
Nas águas do mar, todas as lembranças das dores de não ter você em meus braços, ficaram as lágrimas e todas as cartas de amor que não pude escrever.
Precisava saber que tudo não viria sem que deixasse aquelas falsas crenças de não poder te fazer feliz.
Eu estou aqui, e te trouxe os melhores frutos do pomar dos campos escondidos.
Atravessei a escuridão, enfrentei os inimigos até que não conseguisse me levantar.
Mas do meu desejo havia um poder que me fazia continuar nessa busca. E agora estou aqui pra desfrutar a minha recompensa.
