- Eu já disse que não vou. - pego o lápis amarelo no estojo e termino de pintar a coroa no papel.
- Por favor, maninha. - Tess implora, colocando seus braços sobre meu caderno de desenho. - Veja isso como uma oportunidade perfeita, nunca mais vamos ter uma assim.
Vejamos, existe um concurso na cidade muito concorrido, ele tem o objetivo de te dar uma bolsa para estudar na escola de Mirabell. Príncipes e princesas de todo canto do mundo vinham para essa escola aprender tudo que fora necessário para governar seu país. E os bolsistas? bom a maioria deles se casam ou com uma princesa destinada ao trono ou com um príncipe, mas aqueles que não tem essa sorte, são privilegiados também, conseguem ótimos trabalhos e até mesmo podem trabalhar no palácio. Era um sonho para qualquer pessoa, aprender os costumes de uma princesa, seus modos e refinarias. Todo ano eles sorteavam duas pessoas para estudar e residir lá, normalmente as meninas são as que mais ganham esses sorteios. Como toda criança minha irmã também tinha esse sonho, mas sua idade não era a ideal ainda, e sua cabecinha pensante teve a brilhante ideia de me. inscrever.
- Se você acha um oportunidade tão perfeita, porque não colocou seu nome, ao invés do meu? - Pergunto já cansada dessa discussão.
- Qual é, já expliquei um milhão de vezes. - ela puxa o ar entre os dentes. Para apenas uma menina de 12 anos ela estava muito extressada. - Eu não a tenho idade necessária para entrar. - ela fala como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, e que na verdade era.
- Olha Tess, desculpa estragar seu sonho mas, eu não vou ir para aquela escola cheia de príncipes e princesas. - Tiro seu braço delicadamente de cima do meu caderno. - Eu não quero decepiciona-la, mas tenho quase cem porcento de certeza que não irei me dar bem no meio daquelas pessoas, sou totalmente o contrário delas.
Se dada por vencida, Tess levanta da mesa e se senta no sofá emburrada, tentando se distrair com qualquer propaganda qualquer. Minha mãe que até então estava ouvindo tudo da cozinha, se aproxima e senta na cadeira ao lado. Ainda sem falar nada, a olho e consigo enxergar um pingo de pena, quando ela olha para minha irmã sentada no sofá.
- Eu não vim aqui lhe convencer para entrar na escola. - Ela toca em um fio de cabelo estava caído sobre minha bochecha. - Eu sei que você não quer ir com medo de não se encaixar, eu mesma ficaria com medo. Mas pense melhor, pense no seu futuro. Filha, nós duas sabemos a condição que temos, e pensando por um lado, essa escola é uma grande oportunidade para que você tenha um futuro brilhante como sempre sonhou. - Minha mãe me dá um sorriso acolhedor e volta para cozinha.
Droga. Tudo que eu queria era que minha mãe não viesse até aqui e começasse a falar com aquele olhar preocupado. Eu sei que nós não temos condições para pagar faculdade, e que provavelmente eu não vou fazer por conta do meu trabalho. Pensando por um lado, talvez não seja tão chato como eu penso. Não estar nos padrões para duquesa e princesa me alegra, isso me faz diferente do bando de robô que estão na escola. Não acredito no que vou fazer, nem um pouco.
- Ok! - levanto da cadeira. - Eu vou.
Tess me olha com um brilho no olhar que juro nunca ter visto em seus olhos, ela corre até a minha frente e dá um enorme sorriso.
- Obrigada, Obrigada. - agarra minha cintura num forte abraço.
Olho para minha mãe que parece orgulhosa da minha decisão. Ela acena com a cabeça e sorri, indicando que ficarei satisfeita.
- Vamos, temos que arrumar suas coisas. - Tess me puxa para meu quarto.
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Fecho o zíper da minha mala e à coloco no chão, dou uma última olhada meu quarto, para me despedir e também ver se não esqueci de nada. crescer aqui tem sido muito bom, minha mãe conta a história que quando eu nasci ela não fazia outra coisa a não ser me cuidar e dar todo seu amor, mas quando sua mãe morreu e ela não tinha mais como me sustentar as coisas ficaram difíceis, e realmente piorou quando ela descobriu que estava grávida de Tess, é claro que foi uma benção ela ter a Tess, mas tivemos que nos virar nos trinta. Quando cresci comecei a trabalhar para ajudar em casa, consegui um emprego em uma cafeteria, no qual eu seguia até hoje. Minha mãe é faxineira então não ganha muito. Tess se voluntariou para trabalhar em meu lugar na cafeteria de baixo do prédio.
Puxo a alça da mala de rodinhas e a levo até a sala. Minha mãe e minha irmã estão me esperando para descer. Abro a porta do prédio e vejo a mini van rosa e azul bebê com o logo da escola em dourado estacionada no meio fio da calçada, com um guarda no lado de fora, ele se aproxima e sorri gentilmente para mim.
- Boa tarde, princesa. - ele sorri e faz uma meia curvatura, me impressionou o quão novo ele parece ser.
- Oh, por favor. - fico meio envergonhada. - Não sou princesa, apenas uma plebéia com sorte.
- Tenho certeza que não és apenas uma plebéia. - novamente ele sorri e pega minha mala, colocando no guarda volumes da mini van.
Me viro para minha família, a qual está sorrindo feito loucas. Me aproximo abraçando as duas ao mesmo tempo, tentando guardar o máximo do cheiro delas, para não morrer de saudade.
- Eu amo vocês. - digo ainda no abraço.
- Você precisa ir querida. - minha mãe diz desfazendo o abraço.
- Me mande mensagem todo o dia, e não esqueça de contar todos os detalhes. - Tess segura minha mãe com os olhos cheios de água.
- Pode deixar, não vou esquecer de nada. - acaricio sua bochecha rosada, sentindo uma lágrima cair sobre meus dedos.
Dou um último abraço nelas e me despeço. Viro para a direção da van, fecho os olhos tentando me acalmar e não virar para trás e desistir de tudo. Abro os olhos e vejo o guarda me olhando, caminho em direção a ele que estava ao lado da porta. O guarda estende a mão para mim sorrindo.
- Preparada princesa?
- Por favor, princesa não. - sorrio
Preparada? Não tenho total certeza se estou. Na verdade estou com um enorme frio na barriga, e medo de não conseguir me encaixar. Afinal, estou deixando toda a minha história para trás e agora traçando meu futuro. Sim, estou realmente com medo.
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A Princesa Perdida
Romance- Boa tarde, princesa. - ele sorri e faz uma meia curvatura. - Oh, por favor. - digo envergonhada. - Não sou princesa, apenas uma plebéia com sorte. - Tenho certeza que não és apenas uma plebéia. ~~ Brooke, uma menina de apenas 16 anos tem sua sorte...
