Prólogo

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Alfred estava sentado no trono olhando com carinho para uma ogra mal vestida que estava de mãos dadas com uma criança, já era quase manhã quando ela chegou com o filho, aos prantos, pedindo para ser atendida pelo rei e ele, abnegado como era, decidiu ouvi-la mesmo estando com sede, com vontade de ir ver os filhos dormindo e então deitar com sua linda esposa. Desde que fora coroado, ele vivia a promessa que fizera no altar da capela: daria o próprio sangue pelo povo.

- Fale, minha querida, o que deseja do vosso rei? – ele perguntou, olhando fixamente para ela.

- Meu Rei, eu estava em minha cabana hoje com meu marido e meus três filhos, quando do nada a minha casa foi invadida por vampiros mascarados. Eles entraram derrubando tudo, pegaram minha filha mais nova que estava brincando no chão e cravaram uma espada de prata no peito dela antes de jogar seu corpinho pela janela, sem perder tempo eles avançaram e uns dois lutaram contra o meu marido, outros se aproveitaram do medo das crianças e mataram o meu filho mais velho, apenas porque consegui pegar esse aqui... – ela sacudiu de leve a mão do menino choroso. – E sair de casa por uma passagem secreta quando meu marido teve que ser contido pelos outros vampiros, ele sobreviveu... nós dois sobrevivemos.

O rei levantou do trono, olhando indignado para os guardiões que estavam à postos em cada canto do salão, e gritou:

- Chamem o Silvino aqui imediatamente!

- Sim, Majestade. – um guardião se prontificou, rapidamente saindo da sala do trono.

A mulher ogra pegou o filho no colo e o aninhou nos braços, eles eram bem altos, até o menino que deveria ter uns dois anos, mas pela altura aparentava ter uns quatro, tinham uma constituição física robusta, pele marrom-escuro e cabelos desalinhados e castanho. Eram uma visão surpreendente, além de serem bem bonitinhos se a pessoa desconsiderasse o cheiro de ovo podre deles e a roupa suja. O rei Alfred gostava muito de ogros, sempre dizia isso, e por esse motivo ele desceu o degrau que levava ao trono e caminhou pelo tapete vermelho até a mulher, então pegou a criança nos braços dizendo:

- Calma, pequeno garotinho, tudo ficará bem. – Ele sorriu para a mãe que havia parado de chorar e olhava surpresa para ele e perguntou: - Como vocês se chama?

- Sou Khatrina e o meu filho é o Ranar, mas o chamamos de Fedorento. – a mulher respondeu, olhava para o rei como se ele fosse Deus na terra.

- O meu general, Silvino Dragomir, virá daqui a pouco e mandarei que ele investigue o atentado à sua família. Arrumarei um lugar seguro para a senhora e seu filho morarem, mas enquanto isso não acontece sintam-se convidados a permanecer no castelo comigo e a minha família.
A mulher ogra parecia estar esperando ouvir exatamente aquilo, pois abriu um sorriso enorme e rapidamente pegou o filho do colo do rei, que estranhou a atitude da mulher, mas não fez nada até ela gritar:

- Morte ao rei duas caras!

E então, as portas da sala do trono se escancararam e vários seres do submundo de espécies variadas entraram empunhando lanças, espadas, tinha até um ogro com um machado enorme na mão, e se puseram a atacar os guardiões surpresos, que por não estarem esperando por aquilo ficaram em desvantagem. A ogra, Khatrina, abraçou forte o filho e saiu correndo para a porta antes que o rei Alfred pensasse em usá-la como refém e sumiu dalí rindo.

- O que está acontecendo aqui? – o rei gritou quando, para sua surpresa, um guardião de sua confiança saltou em sua frente e tentou lhe dar um soco, que ele conseguiu desviar por pouco. – Vocês perderam a cabeça?

- Não, apenas cansamos de seguir um rei duas caras. – Ele respondeu, atingindo o rei com um soco no estômago.

Alfred sentiu o ar lhe faltar e se curvou para a frente, os olhos cheios de lágrimas por causa da dor, não teve tempo nem de se recuperar quando o vampiro o atingiu com uma joelhada no nariz, ele caiu de bruços no chão com sangue escorrendo sem parar, tossindo para cuspir o sangue que entrava em sua boca. Ele estava tonto por causa da pancada do joelho do vampiro, mas sentiu quando dois pares de mãos fortes o ergueram do chão, o forçando a ficar de pé, e ao erguer a cabeça com dificuldade ele percebeu que eram ogros. Alfred não estava entendendo nada do que estava acontecendo e, quando ouviu a voz do seu general e amigo, foi que ficou mais confuso ainda.

Serena e a Guerra do Trono Où les histoires vivent. Découvrez maintenant