Prólogo

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Em meio ao bosque sagrado de Winterfell, de pé em frente a árvore coração, estava Sansa Stark, que aquela altura poderia muito bem ser a última dos filhos de Ned Stark no mundo. Enquanto fazia suas orações ela quase podia sentir a presença de seu pai junto de si, ouvir Robb usar a voz de Senhor de Winterfell - ao qual somente podia imaginar, já que além do tom de irmão mais velho, muitas vezes usados por ele, ela nunca o vira se tornar Lord ou Rei do Norte -, também podia ouvir as brincadeiras de Arya e Jon, sua saudosa mãe insistindo com Bran para que parasse de escalar os muros enquanto o irmão ria e repetia como sempre que nunca caia, e também podia ouvir o pequeno Rickon, com suas inúmeras perguntas sobre tudo.

Naquele momento, ela também se lembrou de Lady, sua loba gigante, que há tanto estava perdida em sua memória. Foi uma boa loba, a melhor que podia querer, e talvez, se não fosse uma boba menininha cheia de sonhos de verão... Bem, o Sul era perigoso para os Stark, nunca teria certeza se Lady teria alguma chance de ter retornado com vida.

Ned não retornou, nem Cat, Robb, Jon, ou até mesmo Lady ou Nymeria. Arya retornara a Winterfell apenas para enterrar Jon, nunca mais a vira depois disso, sabia que ela visitava a capital muito raramente quando estava por perto, mas nunca voltou para casa. Sansa costumava gostar do Sul quando foi a prometida de Joffrey, antes da execução de seu pai, é claro, mas aqueles dias já estavam no passado. Atualmente, ela evitava ir para o sul do Gargalo com todas as suas forças, e a última vez que estivera em King's Landing foi antes de trazerem o corpo de Jon para casa.

A nostalgia a fez pensar em fazer uma visita as criptas, já fazia algum tempo que não descia até lá e não gostava de ficar muito tempo sem prestar suas homenagens aos seus ancestrais, e a sua família. E o inverno estava chegando.

- Lady Sansa ? - Meistre Wyllis a chamou. - Atrapalho suas orações ?

- Não. - Ela respondeu. - Diga-me, o que há ?

- Chegou um corvo de King's Landing. - Sansa fechou os olhos por um pouco mais de um segundo, ainda de costas para o Meistre, pressentindo algo ruim. Daenerys costumava mandar notícias constantemente, ela mesma sempre mandava um corvo nos dias do nome do Príncipe Daeron ou da própria Rainha, mas o tom do Meistre trazia-lhe maus presságios. - A Mão da Rainha, Lord Tyrion, está morto.

Sansa amava Tyrion, não como homem, mas como um amigo querido, fora grata a ele pelo período em que passaram casados, ele fora o único na corte de Joffrey que a tratara com o mínimo de respeito. Quando a guerra acabou, ela chorou por ele, acreditando que Daenerys o executaria por traição pelo ato de libertar Jaime Lannister, mas a Rainha Dragão o entendeu, e o deu a última chance de se manter no cargo e leal a ela e seus propósitos, mesmo com todos os protestos de Edmure Tully. Tyrion não a decepcionou dessa vez e dedicou sua vida a Daenerys Targaryen, e a ajudou a manter a paz em todos os Sete Reinos.

- Algum sinal de Bran ? - Ela perguntou.

- Não, minha Lady, acredita-se que seu irmão tenha ido para o Norte da Muralha.

- Mande alguém para o procurar. Bran não é visto há muito tempo, e o inverno está chegando.

- Como quiser, minha senhora, mas devo dizer que o corvo trazia mais uma mensagem.

Por favor, não. Ela pensou e olhou para o Meistre com um misto de esperança e desespero.

- Qual mensagem ?

- A Rainha está vindo para Winterfell com sua corte.

Sansa assentiu, e voltou o olhar para a árvore coração, procurando pelos conselhos dos velhos deuses. Claro que podia negar, sempre poderia negar, e Daenerys entenderia, tinha certeza disso, mas se mesmo sabendo de suas limitações, a Rainha estava a caminho de Winterfell, era porque algo estava acontecendo, algo que poderia estar ameaçando a paz do reino, a vida da Rainha e do Príncipe. A honra e o dever a impediam de dizer não. Essa não era uma opção, mas o inverno estava chegando, e o Sul não era lugar para uma loba.

Se lembrou de todos aqueles que foram e nunca voltaram, pelo menos não vivos. Daenerys certamente se lembrava de pelo menos dois ou três, tinha certeza disso, ainda assim ela estava a caminho para a punir. Sim, era também uma punição, sabia disso, e talvez até a merecesse.

- Quanto tempo temos ?

- A mensagem dizia uma quinzena.

- Pois bem, devemos nos preparar para recebê-la então. A mensagem diz se traz os dragões consigo ?

- Apenas Drogon e Aegal.

- Certo, certifique-se de que há animais o suficiente para os alimentar. Agora se me permite, irei fazer uma visita as criptas.

O Meistre assentiu, era um homem de certa idade, já calvo, e incrivelmente magro que a fazia se perguntar como conseguia carregar todas aquelas correntes típicas dos meistres. Sansa passou por ele e se pôs a caminho das criptas, já faziam 15 anos que Daenerys Targaryen governava Westeros, e pelo menos 6 que não se viam desde a última visita dela a Winterfell enquanto estava a caminho da Muralha. O Príncipe ainda era um garoto pequeno, mas incrivelmente inteligente.

Ao penetrar as profundezas das criptas, ela parou em frente a imagem de Jon, onde seus restos mortais se encontravam. O corpo dele havia sido levado de volta para casa pela própria Rainha, e ambas choraram juntas ao dar o último adeus.

- Daenerys está a caminho de Winterfell. - Ela contou ao irmão. - Tyrion está morto, e o inverno está chegando.

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