As Muralhas de Dubrovnik são o grande símbolo da cidade, que atrai visitantes de toda a Croácia e de outras regiões do mundo. Considerada Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1979, tem uma vista exuberante para o mar Adriático, que Raphael passou minutos admirando a beleza de suas águas esverdeadas, cor que sempre lhe foi de muito apreço. Em suas contemplações de observador nato, lembrava-se da tortuosa viagem que fizera até chegar a esse paraíso e se realmente valeria tanto esforço. Felizmente, ou infelizmente para outros, sua família viera com ele, destinada a começar uma nova vida longe dos tumultos de Roma e justamente haviam escolhido esse pedaço de céu como destino.
Em poucas horas começaria seu primeiro dia de aula na Universidade de Dubrovnik e ainda haveria de finalizar matrícula ao chegar lá. Mas o tempo passava devagar, sem pressa alguma, no tempo ideal para que sua xícara de chá de hibisco não esfriasse com o vento úmido litorâneo. Porém, percebeu que teria de se apressar, pois um segurança do local procurava por algum invasor sorrateiro que teria passado pela entrada deixando alguns porteiros atordoados e sonolentos.
Vestiu seu capuz preto, tudo voltou ao normal e entrou num tumulto de pessoas. O segurança tendo-o visto agir em velocidade estranha correu atrás do rapaz que furtivamente desaparecera do local deixando apenas uma flor de hibisco no chão, que o segurança ao pegá-la furou seu dedo em um espinho. Mas flores de hibisco não tem espinhos... aquela tinha.
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A residência dos Ceccarini já possuía seu cheiro habitual de torta de maçã pelas manhãs, que Claudio e Lisa tinham a tradição de inaugurar a casa nova com a torta, faziam para início de mês também, semana, ou qualquer dia que lhes desse vontade. Antonella se encontrava deitada no sofá da sala lendo seu livro pessoal e fazendo algumas anotações, enquanto admirava por uma fresta de porta a bagunça que seu marido e filha faziam na cozinha. Mas antes mesmo que a porta pudesse ser aberta sentiu a fragrância peculiar de seu primogênito, típico de quando andara aprontando algo, hibiscos.
-Raphael Ceccarini, o que estava fazendo uma hora dessas? Não são nem nove horas di giorno. - a morena de cabelos curtos, fala antes que o rapaz pisasse dentro de casa. O mesmo respirou fundo, sentindo o ar de repreensão provindo de su madre e adentrou a casa tirando seu par de tênis verde musgo e os deixando na sapateira ao lado da porta.
-Madre, eu estava apenas tomando um ar pela cidade, e você tem que para de me tratar como criança. - revirou os olhos e seguiu seu caminho para cozinha.
-Hael, você sabe que sempre será meu filhinho - olhou para fora da janela por um instante e se deparou com as horas -Que por sinal está em cima da hora para o primeiro dia na universidade, acha isso certo? Não lhe eduquei para chegar atrasado em seus compromissos.
-Já estou indo, madre. - avistou seu pai e irmã que estavam tirando a torta do forno. Aquela imagem o lembrava de casa, antes das coisas desandarem. Pegou um cacho de uvas na fruteira, deu um beijo na cabeça de Lisa e um abraço em seu pai.
-Não vai ficar para comer uma fatia, Raphito? - Os olhos azuis piscina da pequena imploravam por alguns minutos a mais de companhia de seu irmão.
-Não posso, quando voltar de noite eu como, pode ser?
-Não garantimos que irá sobrar até mais tarde, não é Lisy? - Claudio falou pegando a menina nos braços e sorrindo, ela balançounegativamente a cabeça brincalhona e Raphael foi até os dois fazendo cócegas em sua irmã junto com seu pai.
-Um bom giornio para vocês, até la notte. - o rapaz saiu da cozinha indo até sua mãe e dando um beijo em sua mão que a mesma retribuiu na dele.
-Nada de aprontar, acabamos de chegar na cidade.
-Já tenho 20 anos, madre, sei me comportar. - deu uma piscadinha para ela e pegou sua bolsa de couro sobre a cadeira da sala, calçou seu tênis e ia saindo, mas se lembrou de algo muito importante para ser esquecido. Sibilou palavras baixinho de olhos fechados, e abriu sua bolsa para conferir se estava lá. Sorriu ao ver seu livro de couro e saiu de casa apreciando o sabor azedo das uvas verdes.
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Muralhas
FantasyEm um cenário atípico da Croácia, as histórias de diferentes pessoas se cruzam por acidente e acabam definindo a vida de cada um de maneiras jamais imaginadas. Raphael e Maya dois jovens extremamente diferentes por diversos aspectos, possuem persona...
