Sentado diante da tela, enquanto você dorme, me pego em silêncio perguntando o que fiz para merecer tamanho milagre: você. Basta olhar para trás, para os escombros do meu passado, para perceber que não construí nada que justificasse a chegada desse anjo em minha vida. Pergunto-me, de verdade, qual a razão de você ter escolhido ficar. Nunca encontro uma resposta justa.
Perco-me nos seus olhos — mares castanhos onde tantas vezes me afogo sem perceber. Há uma intensidade ali que me fascina, uma elegância que me desarma, uma delicadeza que me silencia. Se pudesse ver a si mesma com meus olhos, entenderia o meu costumeiro e desajeitado “Uau”.
Quando observo seus gestos banais, percebo o absurdo da existência: como pode caber tanto em apenas uma pessoa? Nos seus momentos de distração, quando um sorriso verdadeiro escapa e revela uma inocência tão pura quanto rara, sinto um desejo imenso de parar o tempo. Guardar essa fração de eternidade, como quem aprisiona a luz num frasco, só para poder contemplá-la sempre que o mundo escurecer.
Mas então vêm os dias em que a irritação aflora — e me pergunto se realmente lhe faço bem.
Nas madrugadas insones, minha mente constrói labirintos onde só encontro espelhos quebrados. Conheço bem a mecânica da minha autossabotagem e sei para onde ela costuma levar. É injusto: você não merece o peso das minhas ruínas.
Ainda assim, enquanto o inevitável não chega, quero me permitir o consolo de vê-la sorrir sempre que puder. Porque quando essa bomba enfim estourar, desejo ao menos ter um relicário de lembranças luminosas para guardar.
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Confissões De Uma Mente Bagunçada
RandomDesabafos de uma mente completamente bagunçada, embarque nesses textos encharcados de sentimentos, com muitos cigarros e bebidas.
