Estou olhando para o teto por mais segundos do que eu deveria.
Hoje se inicia meu segundo semestre e já repeti várias vezes para mim mesma os meus horários.
Sinto uma sensação estranha, como se algo ruim fosse acontecer, algo diferente.
Por que sinto essa sensação de aperto? É como se eu estivesse sufocando.
Passo a mão no meu peito e respiro fundo.
— Isso é só na sua cabeça, Hope. Levante! — resmungo para o silêncio.
Ter dormido cedo não me ajudou em nada. Eu durmo cedo e acordo tarde; ou durmo tarde e acordo cedo.
Quando entro debaixo do jato quente, sinto a água relaxar meus ossos tensos.
Fico feliz por finalmente ter meu próprio apartamento e um estágio.
Passei os anos do meu ensino médio imaginando e esperando ansiosamente esse momento.
Em várias ocasiões achei que isso não seria possível. Não ter tido o apoio dos meus pais dificultou bastante. Eles não sabiam os meus sonhos, e eu também não facilitava falando sobre eles.
Eu era a menina que passava mais tempo com a cara enfiada nos livros lendo romances e assistindo, do que conversando com a minha família.
Quando chegou a carta informando que eu tinha sido aceita na Cornell central, foi um momento de pura alegria, e ali eu soube que a minha vida ia começar à entrar nos eixos.
E assim que entrei na faculdade, consegui um estágio e comprei um apartamento que fica perto dos dois, então o trajeto só dura uns 15 minutos.
Enrolo uma toalha no meu corpo e outra no cabelo.
Meu rosto está rosado e decido passar apenas rímel e batom. Ainda bem que não preciso passar muita maquiagem, pois sou uma garota de 18 anos que mal sabe se maquiar. Seco meus cabelos sem pressa e ligo o babylisse.
Hoje acordei mais cedo do que o normal, e tenho tempo de sobra para me arrumar.
Faço cachos leves que caem no meu ombro. Talvez eu devesse pintar meu cabelo, ou só escurecer um pouco. O castanho dele é bonito, mas mudar é sempre bom.
Visto minha calça jeans e uma blusinha azul-marinho.
Me olho no espelho e calço meu tênis branco. Pego minha bolsa e um casaco.
Estaciono no estacionamento do campus.
O lugar está tão bonito quanto da última vez que estive aqui.
Entre alunos conversando no Jardim e pais abraçando com beijos e apertos de mão.
Nunca gostei muito da ideia de morar no campus, prefiro ter um apartamento e trabalhei duro para conseguir isso.
Entro na lanchonete que fica dentro do campus. É uma das coisas boas desse lugar.
O aroma de panquecas e ovos faz meu estômago roncar, mas não tenho tempo para isso.
Me acomodo na fila atrás de um rapaz.
— Merda, tem como o dia ficar pior? — o rapaz resmunga.
Ele coloca uma mão no bolso e outra passa nos cabelos castanhos, puxando-os para cima.
Parece procurar algo, talvez a carteira.
— Moça, o seu pedido?
A voz da garçonete me trás de volta de meus pensamentos.
— Hã... uma coca-cola e um pacote de bagel, por favor.
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Por Um Belo Acaso
RomanceHope Markey é uma bela jovem que desde cedo aprendeu a não depender de ninguém. Ter um relacionamento não é algo que ela queira, mas ao conhecer Harry Green, sua vida e todos os sentimentos que achava que era capaz de controlar, viram de ponta-cabeç...
