Paris.
O som de taças de cristal se chocando misturava-se ao sussurro abafado de conversas em diferentes idiomas. O salão do Hôtel Plaza Athénée estava iluminado por lustres de cristal, refletindo um brilho dourado nas paredes de mármore e nos rostos impecavelmente maquiados da elite internacional. Homens em ternos sob medida e mulheres em vestidos que valiam mais do que apartamentos competiam discretamente por atenção — mas todos sabiam quem já havia vencido.
Aurora Devereaux não precisava competir.
Ela atravessava o salão com a graça de quem sabe que o mundo gira em sua órbita. O salto fino de seus Louboutin ecoava com a cadência exata entre confiança e provocação. Vestia um vestido preto de seda, simples, mas desenhado para cair sobre o corpo como se tivesse sido costurado diretamente em sua pele. O colar de diamantes Cartier no pescoço? Apenas um detalhe, como uma vírgula bem colocada em uma frase perfeita.
Ela não sorria o tempo todo. Não precisava. O poder estava em um olhar calculado, em um meio sorriso que deixava qualquer um se perguntando: "O que ela está pensando?"
E o mais interessante? Eles nunca adivinhavam.
Aurora era um mistério que os homens queriam desesperadamente decifrar — e ela sabia disso. Conhecia cada detalhe do jogo: o ângulo certo para inclinar a cabeça, o tom de voz que parecia confidencial mesmo em uma sala lotada, a pausa estratégica antes de responder, fazendo o interlocutor se inclinar só um pouco mais para ouvir. Não era charme. Era estratégia. E ela era a rainha.
Naquela noite, um bilionário russo ofereceu um vinho raríssimo, um herdeiro italiano tentou impressioná-la com histórias de iates na Costa Amalfitana, e um diplomata suíço riu de todas as suas piadas — mesmo das que ela não contou. Aurora sorriu, flertou, conquistou. Ela chegava onde queria com facilidade.
Como sempre.
Mas, no canto da sala, um homem permanecia alheio ao espetáculo. Alto, de ombros largos e expressão serena, observava uma pintura renascentista pendurada discretamente, ignorando o desfile de vaidade ao redor. Enquanto todos olhavam para Aurora, ele parecia mais interessado em uma rachadura sutil no verniz da obra.
Aurora notou.
E pela primeira vez, em muito tempo, sentiu algo inesperado.
Curiosidade.
Ela ergueu sua taça de champanhe, o cristal cintilando sob a luz quente, e pensou:
"Vamos ver se você sabe jogar."
O jogo havia começado. Mas, desta vez, Aurora não fazia ideia das regras.
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Rainha do Flerte
RomanceAurora sempre soube como conquistar o mundo - com inteligência afiada, charme irresistível e regras infalíveis de sedução. Em Paris, Milão e Roma, ela domina salas como quem nasceu para ser a estrela. Mas quando conhece Enzo, um restaurador de arte...
