Quando o Conde Winthered solicitou a valsa para mim, me senti surpreendida. Afinal toda a sociedade inglesa sabia muito bem que este específico conde não apreciava muito os eventos sociais e, nas raras vezes que "agraciava" a todos com a sua presença era para fazer comentários mordazes e ácidos sobre terceiros.
Assim não apenas eu mas a maioria das damas elegíveis do baile estavam se perguntando qual era o objetivo do conde por trás dessa solicitação. Gostaria de pensar que era minha beleza estonteante ou meu modelito francês muito desejado por mim, e pelo qual tive que aguardar alguns meses, afinal a mais velha de 4 irmãos, de uma família que estava seguindo a passos vagarosos para a falência não podia escolher um vestido para cada dedo das mãos.
Mas eu era realista, e tinha certeza que este não era o motivo, primeiro que eu não era de uma beleza inesquecível, com olhos e cabelos castanhos meus principais elogios eram um olhar amoroso ou um sorriso contagiante, segundo que meu modelito era um dos mais simples condizentes com o evento. Eu era tão realista que temia o motivo, já que um conde ranzinza e amargo como ele só podia ter uma das seguintes razões para querer dançar comigo:
Ou queria me humilhar na frente de todos, Ou estava interessado em mim.
Eu não sabia dizer de qual das duas possibilidades me deixava mais amendrontada. Mas apesar de tudo uma coisa eu não era: uma covarde! Eu não ia ficar me escondendo no meio do baile que minha família investiu tanto para eu estar, se o Conde tinha suas razões eu também tinha as minhas. E se ele tentasse me humilhar com seus comentários mordazes ele que se preparesse pois eu não ia sair correndo chorando como uma menininha mimada.
**********
As valsas eram momentos esperados dos bailes e apesar de eu não ser um pé de valsa como minha irmãzinha caçula, era uma dançarina decente. Assim, quando ele fez a sua mesura elegante e pediu minha mão para seguirmos para o salão não demonstrei um traço dos meus verdadeiros sentimentos. Coloquei o olhar mais altivo e obstinado que pude encontrar e segui em frente. Não trocamos uma palavra até a dança começar, e se ele não falasse algo iria seguir assim até o final da dança, não daria meu braço a torcer.
- Para alguém conhecida por ser uma companhia leve e agradável a senhorita parece um tanto silenciosa - Então ele queria provocar! Aguarde então.
- Vossa senhoria sabe o quão desagradável é gastar as palavras sem dizer nada. É de conhecimento de todos seu apreço pelo silêncio. - ele riu debochado pelo canto da boca e respondeu:
- Parece que mesmo alguém pouco assíduo como eu a eventos como esse, não consigo passar despercebido. Me pergunto o porquê. Qual opinião da senhorita? - Ótimo ele não vai me deixar quieta nem vai parar de me provocar até eu falar algo inapropriado e ele enfim dar o bote.
- Apesar da pouca frequência vossa graça nunca deixa de ser notado por seus comentários como posso dizer... ácidos. Na temporada passada na baile de apresentação de Lady Mary o senhor não só disse que ela parecia um abacate verde como disse em alto e bom tom que ela estava ridícula e horrorosa! Foi um escândalo.
- Não exagere inocente dama, fiz o referido comentário apenas entre os ditos cavalheiros, e não deveria ter saído dali. Porém alguma matrona de ouvidos atentos escutou e pronto, a fofoca espalhou-se como leite derramado. Foi apenas um mal entendido... Mas me diga, eu não estava correto?
- Acontece caro Senhor, que algumas verdades não devem ser ditas! - Nesse momento a valsa acabou e seguimos para beber algo, e logo ele perguntou:
- Talvez eu ser Conde solteiro me faça ser notado, mais que por meus comentários ácidos.
- Vossa senhoria ser um Conde permite continuar a frequentar os eventos da alta sociedade, MESMO com seus comentários mordazes.
- touché! Esse é um ponto que não posso negar.
- Eu gostaria de seguir para a sala de jogos acompanhar minha tia, se o senhor não se importar. - Fiz uma pequena reverência e fui embora.
Estava cansada da presença dele, estava me sentindo sufocar. E parecia que ele ainda queria falar mais alguma coisa, mas ele não estava acostumado a ser deixado de lado. Como qualquer Conde de posses, por mais incoveniente e detestável que fosse, sempre existiam os aduladores para lhes fazer companhia. Mas eu não seria um deles.
************
- Tia, quando a senhora quiser partir, estou a disposição, cansei das danças por hoje.
- Mas as valsas mal começaram e vc estava tão anciosa pelo baile de hoje.
- Sim, mas parece que as coisas não foram bem como eu esperava. Vou aguardar sentada.
- Sim minha querida, assim que essa rodada acabar eu irei procurar seu tio e nós iremos.
Após não uma mas três rodadas e mais quase uma hora para encontrar o tio amante das bebidas destiladas, por fim conseguiram ir embora.
O que nossa mocinha não podia esperar era a surpresa que ela teria pela manhã logo após acordar.
***********
Parece que quando a gente deixa a nossa imaginação voar ela vai longe, há muito tempo tenho essa história guardada mas nunca encontrava um jeito de torná-la real. Foi quando um romance de época veio a minha mente, e então tudo fez sentido.
Espero que gostem!
YOU ARE READING
O murchar da Rosa
RomanceÉ possível fazer o amor renascer quando ele pode nunca ter nascido? Essa é a história de um ex-capitao da Marinha inglesa e sua esposa, uma prática e amorosa lady. Ao contrário das histórias de amor essa na verdade vai narrar como esse casal se desa...
