Estava anoitecendo na cidade.
O céu timidamente abria passagem para as estrelas e a lua se ocuparem em meio ao manto negro que substituia aos poucos o tom alaranjado típico do final de tarde.
Não demorou muito para as luzes se aglomerarem pelas ruas, e a garota encontrava-se na varanda situada em seu pequeno quarto, diante de uma das mais agradáveis visões que seus olhos estavam a observar naquele dia.
– Marietta, vem jantar! – um grito proferiu-se das escadas, interrompendo seu devaneio.
– Estou indo mãe! – disse a garota, despedindo-se mentalmente da encantadora paisagem noturna que se formava em Xangai.
Assim que se pôs a seguir sobre o acesso que levava a cozinha, sua mãe lhe repreendeu em um tom alto.
– Estava na varanda de novo?! – a garota revirou os olhos. Esqueceu-se do pacto que fizera com sua mãe na noite passada – outra vez.
Parou por um ínfimo àtimo em meio a um dos degraus, conduzindo seus dedos ao corrimão enferrujado da escada.
– Mãe, não existe maníacos voadores ainda! – exclamou ironicamente, rindo baixo após analisar a frase que acabara de relatar.
– Marietta, não tem graça. Você sabe o perigo que corre expondo-se para a rua?!
– Mas mãe, eu...
– Não quero explicações! – Sabine a interrompeu de maneira rude, fazendo a garota relutar em silêncio.
Sem mais palavras, Marietta voltou a deslocar-se sobre a passagem, encontrando-se em poucos segundos na cozinha.
O apartamento em que residiam localizava-se em um bairro central de Xangai. Sua área era tão minúscula que aparentava ser mais uma pequena casa de bonecas, contudo bastante organizada.
O emprego exercido por Sabine lhe limitava de adquirir uma casa mais "adequada" para residir ao lado de sua única filha, somente. Na verdade, Marietta sempre obteve curiosidade em saber o motivo pelo qual seus pais não moravam juntos, já que eles se consideravam casados.
Sua mãe lhe contava que a causa para seu pai não estar ao seu lado na China, era em razão a rotina altamente comprometida de seu pai em Paris, sua cidade natal.
Claro que eles se viam, pois seu pai as visitava algumas vezes por ano. Todavía, a mestiça sempre duvidava da argumentação esclarecida por Sabine. Afinal, se ele é ocupado na França, então por que elas não foram acompanhar a ida de seu pai, então? Mesmo questionando, Marietta não se interessava em discutir sobre tal assunto com sua mãe, sendo que é óbvio a resposta que sua mãe lhe daria.
Acomodou-se em uma das cadeiras que rodeavam a mesa fixada no cômodo, satisfazendo-se do delicioso Lámen servido e preparado por Sabine.
– Marietta, precisamos conversar... – sua mãe declarou, falhando na tentativa de conquistar a atenção da garota.
– Você vai mudar-se para Paris. – ao ouvir aquela frase, engasgou-se de modo instantâneo com um pedaço de frango que acabara de colocar em sua boca.
Tossiu com rigor e, prementemente, a cor álbida de seu semblante havia sido trocada por um aspecto coralino característico em uma pessoa com ausência de oxigênio. Desesperada, agarrou a primeira bebida que mirou, e sem pensar, ingeriu com pressa, retirando a fatia de carne presa em sua faringe.
– P-Paris?! – gaguejou surpresa, massageando com uma de suas mãos seu pescoço, a fim de aliviar a dor que proliferava no local.
– Sim, filha. Legal não é?
Continuou estagnada por um tempo, tentando compreender a situação.
– E-e quando eu irei?
– Amanhã bem cedo.
– Amanhã?! – bradou, espantada com o súbito fato de ter de partir para Paris logo no dia seguinte.
– Mas não se preocupe, eu já arrumei suas malas. – articulou sorrindo docemente. Sabine sabia que Marietta sentia abalo, e sua intenção naquele instante era apenas tranquilizar a garota.
A garota permaneceu calada, tentando encontrar uma solução plausível e nada trágica para o que acabara de escutar. Viu seu coração parar por um momento, e depressa, foi ao encontro dos braços de sua mãe.
Lágrimas recebiam forma em sua face. Xangai foi seu lar desde sua infância, e deixá-lo junto com sua mãe em menos de 24 horas não agradava Marietta.
– Mas por que você não vai ?! – disse em meio aos soluços ocasionados pelo seu choro contínuo.
Sabine arfou de maneira pesada. O que ela teria que falar para poder finalmemte acalmar os jovens hormônios de sua filha?
Delicadamente, sua mãe põe seus lábios na testa da jovem, depositando um beijo suave.
– Mari, eu não posso abandonar o meu emprego. Além do mais, não vê quantas brutalidades estão acontecendo em Xangai? É perigoso para uma menina da sua idade. – afirmou enquanto acariciava os cabelos da jovem.
– Mas mãe, eu te amo!
– Eu também minha filha, e é por isso que tomei esta atitude.
Logo, o remanso inundou-se por todo o cenário. Mãe e filha envolviam-se em um enorme abraço, pela última vez. Aquele momento não era digno de diálogos que ofuscassem o último minuto em que passavam juntas, e sim de afeto e amor.
O tempo coberta pelo torso de sua mãe conseguiu acalmar Marietta e ela, por fim, decidiu dar uma chance ao destino que surgiu inopinadamente em sua vida.
Depois de algumas horas, Marietta vai repousar em seu quarto. Pecisava dormir cedo para conseguir manter-se acordada durante o período de voo.
Sua mãe estava a arrumar a bagunça feita pelo jantar, quando o telefone em seu bolso vibra de repente.
– Alô? – indagou curiosa em reconhecer quem se tratava do outro lado da ligação.
– Alô, Sabine? Sou eu, meu amor!
– Ah, Tom. – suspirou aliviada. – É você! Fiquei assustada...
– Eles estão indo atrás de você?
– Certamente! – pronunciou, apoiando-se na bancada do aposento. – Eu tenho certeza que isso tudo que acontece em Xangai é por conta deles.
– Sabine, venha com a Marietta, por favor! – Tom murmurou alto.
– Eu não posso! Eles estão a procura de mim, já que eles sabem que o Mestre confiou a mim para guardar os brincos. Se eu fosse para a França, eles iriam atrás de mim de qualquer jeito, cedo ou tarde...
– Sabine, isto é sério! Não quero que eles te machuquem...
– Eles não irão, não se preocupe. – afirmou. – Porém, eu te peço que cuide bem da nossa filha. É muito perigoso mantê-la comigo...
– Claro, Sabine!
– E... Tom... – declarou pausadamente. – eu peço que me faça um favor...
– Pode dizer, Sabine!
– É muito arriscado eu ficar com os brincos, então eu os repassarei a você...
– Os Miraculous?!! Sabine...
– Tom, eu prometi ao mestre que eles nunca irão pôr as mãos nos miraculous, eu não posso quebrar este acordo... E se eles me encontrarem...
– Eles não vão te encontrar, Sabine!
– De fato, mas eu não posso mais ficar com eles, você faria isso por mim? – a voz de Tom foi comprometida por uma curta quietude que instalou-se entre a conversa dos dois.
– Tá bom, mas por favor tome cuidado e... eu te amo...
– Eu irei sim. Eu também te amo! – e com isso encerrou a chamada. Apesar disso, Sabine sabia que eles a encontrariam, e isso não estava longe de acontecer...
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The Mini Menace Ladybug
FanfictionMarietta era uma jovem de 16 anos que habitava normalmente em Xangai – mesmo sendo uma cidade radicalmente tomada pela constante violência. Entretanto, ao se mudar para Paris, a garota se vê diante dos mistérios que estão por detrás de sua família...
