A fraca luz que vinha de um abajur quase não iluminava o pequeno e arrumado cômodo, deixando-o quase na penumbra total, seu silêncio era cortado de tempos em tempos por uma respiração pesada de alguém que jazia em uma imensa cama de casal em posição fetal, coberto quase que totalmente em um fino lençol branco deixando só um tufo de cabelos negros longos e ondulados em total desalinho escapar espalhado pelo travesseiro. Gradativamente o som da respiração se tornava menos espaçada, com longos suspiros seguidos demostrando seu despertar difícil, algum tempo depois o lençol moveu, com muita dificuldade e logo parou, segundos depois a pessoa soltou um gemido alto de descontentamento e puxou um dos braços pra baixo do corpo, apoiando o cotovelo para fazer força na tentativa de se erguer fazendo lentamente o lençol cair a seus pés, revelando uma jovem mulher, ainda meio sonolenta ela levou uma das mãos aos cabelos negros em desalinho que teimava em cair no rosto para então finalmente abrir os olhos, um par de olhos castanhos claros avermelhados.
— Pai... — sua voz saiu arrastada e rouca, quase inaudível para ela mesma, tentou olhar em volta protegendo os olhos da luz do abajur ao lado da cama, forçando para ter foco, ao consegui-lo estremeceu e girou rapidamente a cabeça várias vezes sentindo o estômago revirar. — O que... Esse não é meu quarto...!!
Levantou-se rápido e quase foi ao chão sentindo as pernas não responderem, se apoiou na beirada da cama ainda olhando em volta assustada, minutos depois forçou-as novamente sentindo mais firmeza e caminhou lentamente até a porta a sua frente, ao chegar perto ela deu três batidas leves emitindo um barulho surdo , "— É madeira maciça..." , sua mãos deslizou esperançosa ate a maçaneta forçando-a para todos os lados sem sucesso, sentindo o desespero e a fraqueza ainda dominar-lhe ela deixou as costas escorregarem pela superfície lisa e fria da madeira, jogou a cabeça para trás fixando o olhar no teto e em uma tentativa de se acalmar pegou uma mecha do cabelo e começou a passar entre os dedos.
"— Será que fui sequestrada??" — Ela olhou para sua roupa que vestia, uma calça jeans, tênis preto cano longo e a blusa branca de corte canoa ... "— A mesma roupa que eu fui para o curso na sexta..." — Pegou uma mecha do cabelo tentando se concentrar puxar sua última lembrança, instintivamente fechou os olhos... "— Estava em casa, em um calor infernal, estirada no sofá, seu pai chegara do serviço mais cedo e estava um pouco nervoso e queria falar com ela, mas não falara mais nada e ela se esqueceu do assunto, foi para o curso e quando chegou jantaram juntos, após isso bebera chá na sacada do apartamento... Ela parou sentindo um frio na espinha, lembrada da voz de seu pai antes de beber o chá e depois não se lembrava de mais nada...
Seus pensamentos foram cortados por um imenso estrondo seguido de um forte tremor, ela se levantou assustada e rapidamente virou olhando a porta aturdida, sentia seu corpo tremer e coração acelerar a cada novo tremor que balançava o lugar, olhou para o teto e sentiu o medo lhe invadir ao ver a imensa rachadura acima de sua cabeça, pequenas fendas se originavam da rachadura principal aumentando ainda mais a principal, seus olhos acompanharam uma rachadura que ia até a porta e sem sentir um sorriso formou em seus lábios delineados, havia uma fresta no batente de madeira, sorrindo ela olhou em volta pousando o olhar em dois pedaços de ferro que saiam de baixo da cama, se abaixou e quando pegou ficou paralisada, eram um par de tonfas de ferro não muito pesados com base em couro ... " — Meu pai me ensinou a usar ..." — Algo zunia dentro dela porém não havia tempo para se questionar ou formar um TCC sobre isso, tinha pouco tempo; ela se virou rapidamente e com força encravou as duas armas na fenda fazendo força. A porta começou a ceder e ela então colocou mais força, mas ao sentiu algo bater no seu ombro olhou para cima sentindo o corpo estremecer com a visão e parou sentindo-se aterrorizada, a rachadura da porta estava abrindo mais a do teto, seus olhos seguiam fazendo o caminho ate a rachadura principal que já estava abrindo a aponto de ver uma fresta de onde começara a cair pequenas pedras... Se forçasse mais o batente de madeira poderia por o teto abaixo... Ela parou sentindo a cabeça latejar sem saber o que fazer, amparou a cabeça nas mãos tentando controlar o desespero, "— O que eu faço? Se eu..." , antes que tentasse pesar em algo um novo tremor a fez olhar para cima para seu desespero a rachadura aumentava e uma parte do teto cedera descendo alguns centímetros deixando amostra as vigas de ferro que ainda seguravam a viga de concreto do teto, ela olhou para porta fixamente... "— Eu tenho que sair daqui... forçando ou não a porta o teto ira cair!", — Ela olhou fixo para as tonfas cravadas na fenda e determinada escorou as costas na parede e apoiou os pés nas duas armas e respirou fundo se concentrando e juntando força... Teria apenas alguns segundos e esperou pacientemente um tremor mais forte, o que não demorou a acontecer.
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Re-Writers
AdventureJa teve a sensação de que algo iria acontecer mas todo o cenário muda? Ja teve a impressão de que uma situação ruim iria se agravar mas por um pequeno milagre tudo se resolve da melhor forma possível? Ja teve a impressão de conhecer alguém mas não...
