Duas horas de caminhada, pensei. Duas horas desde que deixei a lancha na beira do rio e vim andando floresta adentro. Eu já deveria ter chegado nas piscinas termais, não? Segui as instruções o melhor que pude, mesmo assim cá estou eu, sentindo meu facão ficando mais cego a cada galho de árvore que eu cortava para poder avançar cada vez mais fundo na mata.
Suspirei.
Quantas vezes será que eu já larguei tudo só pra me perder de propósito no meio da floresta? Vezes demais. Ainda assim, eu nunca me cansava; o som do vento balançando as folhas, do rio correndo atrás de mim, o cheiro de orvalho. Era intoxicante, mas... eu deveria voltar... foi o que pensei antes de ouvir uma voz.
Parei de andar e prendi a respiração para ouvir melhor. A voz ecoou entre as árvores de novo. Não restavam dúvidas: eu não estava sozinha. Convenci-me de que era apenas outra exploradora e continuei, mas à medida que eu avançava a voz ficava cada vez mais alta, mais alta, mais alta.
Quando dei por mim estava em uma clareira. E do outro lado estava uma mulher de longos cabelos escuros e lisos que escorriam de sua cabeça e delineavam gentilmente as curvas do seu corpo. Ela virou-se de repente e se assustou com a minha presença quase tanto quanto me assustei com a dela. Agora ela me olhava intensamente, lendo o meu corpo, tentando prever o meu próximo movimento, ela tinha lábios grossos e um olhar feroz. Era uma bela visão, excitante até, não fosse o fato de que ela segurava uma lança nas mãos e vinha se aproximando devagar.
Eu ainda não tinha decidido se ter minha vida ameaçada por uma das mulheres mais lindas que já vi na vida era excitante ou não, eu teria que pensar mais a respeito. Quando ela se aproximou um pouco mais eu levantei as mãos e disse que vinha em paz, mas ela não pareceu entender uma palavra do que eu disse, então continuou andando até ficar mais ou menos a um braço de distância. Meu coração palpitava intensamente. Era medo que eu sentia, ou... outra coisa?
Ela aproximou o rosto do meu, como se para sentir meu cheiro. Ela fez isso por alguns segundos e então... abaixou a lança. Algo no meu odor indicou que eu não era uma ameaça, talvez? Abaixei os braços e me pus a observá-la. Ela não pareceu se sentir desconfortável com o meu olhar, mais que isso, ela parecia encorajá-lo. Aquela era uma mulher que queria ser vista, E eu queria vê-la. Queria muito, muito vê-la.
Ela então colocou a mão livre, a que não segurava a lança, sobre o próprio peito e então falou:
— Inatu.
— Eu não entendo. — Falei. — Desculpe.
Então ela fez uma expressão irritada e então veio andando até mim, pegou minha mão e colocou sobre seus seios. Deu pra ver que os mamilos dela estavam firmes por baixo do tecido fino que ela usava para cobri-los.
— Eu Inatu! — Falou ela, mais firme dessa vez.
Em seguida ela pôs uma mão sobre o meu peito e perguntou:
— Você?
— Ártemis. — Falei.
— Ártemissss! — Repetiu ela como uma cobra peçonhenta, depois sorriu. Um sorriso simples e alegre, ainda que com um toque sutil de desejo.
A essa altura não pude mais me conter. Levei minha mão a nuca dela e a puxei para perto. Ela não me rejeitou como eu pensei que faria, ao invés disso ela ficou na ponta dos pés e levantou o rosto, entregando-se completamente ao meu toque. Aquela era uma mulher que queria ser tocada. E eu queria muito, muito tocá-la.
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INATU
RomanceInatu descreve um encontro romântico entre uma intrépida exploradora e uma mulher indígena em um conto que mistura sensualidade com uma pitada de sarcasmo.
