Eu queria poder falar do amor em toda sua beleza, mas realmente, apenas não sairia nada. Não que o amor não seja belo, porque ele é. Mas as pessoas, não. Nosso coração sempre vai escolher amar aquele coração que não quer ficar. Parece que sempre vamos querer dar tudo para quem não suportaria o tudo que somos. Sempre queremos mover montanhas, para quem não moveria um dedo por nós. E o pior, é que quase sempre, essas pessoas nos farão incrivelmente bem, até nos destruir da pior maneira possível. Esse é o problema de dar tudo pra alguém, porque esse alguém, terá você nas mãos, para lhe quebrar ou lhe descartar, e no final, esse alguém dirá que você caiu acidentalmente, mas não será capaz de lhe consertar, ou até será, mas não vai querer, e sabe o que mata? O que mata é essa nossa mania absurda de dar murro em ponta de faca, de ver amor onde não tem, de alimentar sentimentos que só existem dentro de nós e tudo acaba em dor, as milhares de palavras nos engolindo, o mar de angústia nos afundando e, ainda sim, vazios, tudo isso por ter montado milhares de cenas com uma pessoa e em nenhuma delas ela ia embora...
–E. Albuquerque / M. Ramos
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Um texto, uma vida.
PoetryNão é sobre a vida em sua beleza, é sobre a vida em toda sua dor.
