Capítulo Sessenta

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Para Elisa, dormir no horário normal pelas três noites seguintes de modo a compensar a madrugada com os amigos não lhe resolveu muita coisa. Tampouco as duas sonecas que tirava durante o dia, uma pela manhã e outra após o almoço. Ela continuava com sono, muito sono.

E ouvir sobre os diversos cursos de pais que Marco encontrava no celular não lhe ajudava. Na verdade, sua tagarelice sobre eles parecia até uma canção de ninar naquele sábado de manhã. Como estava proibida de consumir cafeína por ordens médicas – sua pressão tinha se elevado rapidamente em uma das consultas –, nada afastaria as teias de aranha que travavam a sua mente.

Aquele suco de aparência duvidosa que Fernando colocara à sua frente também não era a resposta. Ela tinha certeza.

Marco percebeu que Elisa estava em outro plano mental, porque lhe tocou o braço e a fez se sobressaltar.

– Elisa, você poderia, pelo menos, me dar atenção? Isso é importante.

Ela afastou a mão dele, ajeitando-se melhor na cadeira.

– Eu sei que é.

– Então deveríamos escolher um dos cursos e fazer – ele falou impaciente.

Fernando achou melhor ficar calado. Aqueles dois teriam que tomar as próprias decisões se queriam manter um relacionamento. No entanto, entendia a falta de vontade de Elisa, Marco já havia mostrado para ele alguns vídeos do curso. Isso quase o fizera desistir de ter filhos.

Elisa não desejava falar sobre os cursos. Elisa desejava comer e dormir.

– É sério, Elisa, precisamos nos antecipar. Você já teve duas crises de hipertensão. E se precisar ficar de repouso? E se o parto acabar sendo antes da hora? Eu não sei nem trocar uma fralda, que dirá dar banho, montar as cadeirinhas no carro, montar os ditos cujos dos carrinhos e...

– Eu estou muito ocupada tentando encontrar uma secretária. Preciso ficar revisando o trabalho do Luís e do Pedro. Acha mesmo que tenho tempo para fazer essas portarias? – Ela pegou um croissant de calabresa e o abocanhou.

Seus olhos ardiam pelo esforço de ficar acordada, então pelo menos faria tudo isso valer a pena comendo os quitutes de Fernando, que sabia muito bem quais as suas fraquezas. Não estava nem um pouco afim de ver propaganda de curso sobre bebês. Ela sabia sim trocar fraldas. Dar banho, montar carrinho de bebê. Os modelos mais novos não seriam um mistério assim tão grande. Pelo amor de Deus, ela lidava bem com qualquer tipo de carro. A única coisa que não tinha muito, na época do Fernando, era a tal da cadeirinha. Mas com certeza não precisava de um curso de engenharia espacial para instalar um.

Marco passou a mão pelos cabelos, estressado.

– Precisamos estar preparados, Elisa. Nós não sabemos nada sobre bebês.

Ela apontou Fernando.

– Quem disse que eu não sei nada? Olha bem para ele e me diz se não foi bem criado.

Marco fez o que Elisa disse, mas para implorar a seu cunhado que o ajudasse. Entendendo, Fernando serviu mais café em sua própria xícara e falou:

– Você é ótima na oficina, Elisa. Isso porque procura continuamente por cursos profissionalizantes, para nunca estar desatualizada. Sabia que agora existe curso até de pilates para bebês?

Elisa quase se afogou ao ouvir um absurdo daqueles. Pilates? Para bebês? Marco bateu levemente em suas costas, para ajudá-la, até que ela fez um sinal de que já estava bem e tomou um gole de suco. Hummm. Não era ruim não. Então, antes de responder àquele absurdo, ela largou o croissant pela metade e decidiu que agora experimentaria o bolinho de tapioca.

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