Música

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Querido diário,

Sei que estou em falta para contigo mas não te posso dizer como forma de desculpas nada mais do que te perdi quando tinha por volta de 15 anos e nunca mais te encontrei em lado nenhum até agora. Devo avisar-te de que neste momento já somei 25 anos aos que tinha quando te perdi e vou agora descrever como correu a minha vida até o ponto em que estou.

Como sabes, quando tinha 10 anos entrei para o Choral Phydellius, local do qual saí com 14 ou 15 anos, após cinco anos de estudo e aprendizagem. Na altura tocava guitarra e, mesmo não estando no conservatório, continuei a tocar num grupo.

Bom, a verdade é que quando acabei o secundário em ciências e tecnologias ainda não sabia muito bem a profissão que queria ter, então, acabei por me envolver bastante com a guitarra, como uma espécie de escape das decisões que necessitava de tomar, mas que não sabia como. Decidi assim, dar uma nova chance a este instrumento que amo profundamente.

Fiz um curso e acabei com um mestrado, voltando depois às origens que, neste caso, é o Choral Phydellius. Trabalho lá desde o final do curso com alguns dos meus colegas do tempo de escola.

Estou casada com Ricardo, que conheci num dos meus concertos, um empresário apreciador de música clássica com um porte forte e pele escura, que acabou por se revelar um bom marido e principalmente um pai espectacular que nunca deixou de estar presente. Temos quatro filhos.

O primogénito, Guilherme, tem 16 anos, já tem namorada, e é muito parecido com o pai, toca clarinete e ama fazer qualquer tipo de desporto, está agora no curso de economia na escola secundária Artur Gonçalves e parece-me que um dia se tornará um empresário tão bom ou melhor como o seu pai.

Após Guilherme, Ricardo e eu decidimos adotar uma criança que na altura tinha 9 anos, Catarina, que fez há um mês 13 anos, esta, vive encantada com o teatro, tendo aulas no Teatro Virgínia e, também canta, tanto em aulas particulares como no coro juvenil do Choral Phydellius.

Na nossa última surpresa, vieram as gémeas que neste momento estão com 7 anos, a Matilde e a Raquel, que só são parecidas por fora. Matilde passa a vida calada a fazer desenhos ou trabalhos, já Raquel parece um furacão, que nem a dormir está quieta, nem quero ver como o pai dela vai ficar quando começar a namorar.

Hoje é sábado, Ricardo está no escritório a trabalhar, Guilherme foi jogar futebol com uns amigos, Catarina foi a uma festa à qual só a vamos buscar amanhã de manhã e as gémeas foram a casa da minha prima onde ficarão até amanhã também.

Como as crianças já estão encaminhadas, Ricardo e eu vamos sair pois precisamos de um tempo só para nós também. Ontem reunimo-nos com o meu antigo grupo de guitarras, como fazemos várias vezes, já que são daqueles amigos com os quais eu não acho que vá perder contacto algum dia.

Espero continuar com uma vida tão boa como a que tive até agora, preenchida de amor e de alegria,

Maria Martins

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