As pessoas andam em ruas alegres e felizes, de uma forma que só falta cantar "happy", e saírem tropeçando em passos de dança bem treinados e mal concluídos, mas ainda sim dançam felizes parecendo não ter problemas ou restrições que as impedem de seguir a vida e serem felizes...ou pelo menos é assim que Elizabeth Winchester pensa olhando pela janela da sala de sua psicóloga. O dia está nublado, com uma leve chuva, mas ainda assim agradável. O estranho é que está no verão, e em San Diego não costuma chover no verão...mas para ela tanto faz. É só mais um daqueles dias em que ela não vê o objetivo de acordar, mas mesmo assim o faz, contra a própria vontade.
- Elizabeth...você está me ouvindo?
- Hã?....ah , sim. Perdão Trudy...me distrai com a chuva
- Claro..a chuva. Eu já devia esperar.
- mas então, qual pergunta você me fez?
- te perguntei como passou essa semana.
- ah, sim. - ela fez uma pausa - bem, essa semana eu fui ao parque e joguei umas migalhas de pão para os pássaros, e sentada em um banco, observando eles comerem, eu vi algo interessante - outra pausa - de longe , do outro lado do rio, consegui ver uma família fazendo um piquenique. Eles estavam tão felizes comendo simples pães com presunto e queijo e com seus copos de suco e olhando uns pros outros como se todos os problemas do mundo estivessem se dicipando...e sumindo.
- você tem o desejo de formar uma família Elizabeth ?
- ainda não acabei.
- opa ..
- depois disso voltei pra casa, e terminei a série " Lost ". O final é péssimo, mas tirando isso é uma boa série .
Os outros dias não se passaram de tardes inteiras com uma pilha de livros do meu lado em um pequeno balcão na sala ao lado de uma xícara de chá.
- você saiu de casa mais alguma vez ?
- não.
- por qual razão?
- bem...é que...ultimamente isso tem sido deprimente Trudy.
- eu entendo. A depressão que você está passando têm o hábito de te derrubar em vários aspectos, mas você tem que reverter isso.
- e tem como? Eu não consigo comer nada desde o dia do parque. Não quero ver ninguém e todos que eu vejo quero que desapareçam. E...eu...
- aconteceu alguma coisa com você ?
- sim...e não...
- você é livre para não me contar se você quiser Elizabeth .
- por um momento me veio na cabeça que dormir e não acordar no outro dia seria uma boa ideia.
- como é?
- eu...
- você quer se matar? Assim sem mais nem menos? Acha que essa é a saída?
- foi só uma ideia depois de acordar. Isso não quer dizer que quero me matar - Elizabeth sempre mentiu muito bem - isso seria ridículo.
- bom nosso tempo acabou Elizabeth. Foram inteiros 60 minutos de palavras mal ditas e pouco explicativas. 80 dólares.
- você tem troco?
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Saindo do psicólogo, Elizabeth passou em frente ao mesmo parque em que ela alimentára os pássaros. No banco em que a havia se sentado agora havia um casal lindo e apaixonado se beijando amorosamente. Por um estante ela sentiu uma pontada de inveja, mas logo percebeu que se não havia acontecido nada igual com ela seria porque o universo quiz assim. Ela abriu a porta de casa e logo depois que entrou trancou a porta violentamente. Se esparramou no sofá esperando que aquilo fosse um sonho, e que ela acordaria de novo no mesmo dia. Ou ela preferiria o milagre de não acordar de novo.
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silence
RomanceDiante de tentos preconceitos e rejeições , Elizabeth Winchester está a procura de algo maior , de algo que realmente venha trazer a ela paz e sossego... até que surge a solução mais conhecida como morte. Sem nada a perder , amigos ou bens preciosos...
