-Senhoritas, o Rei Oreste deseja vê-las na sala do trono em dez minutos. Disse Alfeu, o mordomo.
As outras onze moças que estavam ali se animaram com o que Alfeu acabará de pronunciar. Mas, eu não estava contente. Não conseguia esquecer os acontecimentos dos últimos dias...
Na sala do trono estavam o Rei, a Rainha Amália, a princesa Elisabeth e muitos guardas reais. Quando chegamos, Alfeu nos dirigiu à um local específico e logo após fazermos as reverências o Rei, de pé, começou a falar:
- Caras donzelas do Reino de Muntanyes, como previsto em nossa lei, quando uma mulher menor de idade perde seus parentes e não tem quem se responsabilize por ela, como Rei, eu defino o que deverá ser feito.
Um escrivão que estava ao lado do trono da Rainha, pegando um pergaminho, começou a ler a lei, confirmando o que o Rei falará. Todos aguardavam a leitura silenciosamente.
Eu não concordava muito com aquela lei. Os homens eram livres e podiam fazer tudo o que queriam, pois aquela lei só se aplicava às mulheres.
Parada ali de frente à realeza as lembranças daquele dia voltavam à minha mente. Eu não podia acreditar no que acontecerá! Uma imensa angústia invadia meu coração. Perdi minha mãe muito cedo e agora...
- Confirmada a lei, vamos ao assunto que quero tratar com vocês. O Rei disse, despertando-me de meus pensamentos.
Todas estavam muito nervosas. Principalmente eu! Eu era a mais nova e isso significava que ficaria mais tempo sub a custódia do Rei. Quatro anos para ser mais exata, pois a maioridade em Muntanyes era concedida apenas com vinte e um anos.
- Como todas vocês sabem, meu filho mais velho, príncipe Felipe, está estudando fora. Porém, ele formará daqui dois meses. E eu, como um bom Rei e um bom pai encontrei uma noiva perfeita para ele, a princesa Agustina de Vale do Ouro. Ela tirará nosso reino da crise em que estamos, devido ao ouro de seu reino. Unir os reinos é a melhor solução para nós. E ela também será uma ótima esposa para meu querido filho!
Nascer pobre pode ser difícil, mas também possui suas vantagens. O príncipe vai casar e nem está sabendo. Eu não iria aguentar ser da realeza nunca. Casamento deve ser por amor e não por obrigação!
- Mas, vocês devem estar se perguntando por que estou dizendo tudo isso. O Rei continuou. - A resposta é bem simples! Nem sempre as esposas podem satisfazer as necessidades do homem e é por isso que existem as concubinas.
Meu coração gelou ao escutar essa palavra. E a insatisfação no rosto da Rainha era notável.
- Como estão em minha custódia, selecionarei quatro de vocês, uma será a concubina de meu filho. Selecionarei apenas uma a princípio, quando ele regressar poderá escolher outras. As outras três serão minhas, pois as que tenho já estão muito velhas para a função. As demais trabalharão como servas no palácio até completarem a maioridade.
Eu não podia acreditar no que havia acabado de escutar. Não queria isso! E se o Rei me escolhesse? Não queria ficar com um homem tão velho, ainda mais sem amor!
- Vocês receberão aulas durante dois meses e ao final escolherei as moças. Agora podem se retirar, seus aposentos serão indicados.
Sai da sala do trono com uma enorme angústia e me sentindo completamente preocupada. Eu não queria aquilo para mim! Não queria ser concubina! Não queria!
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A concubina
RomanceApós a morte dos pais, Abigail fica sozinha no mundo e sua guarda é passada ao Rei, assim como a de outras meninas. Mas o que ele prepara para elas é algo jamais imaginado. Junto ao príncipe Felipe, a menina busca escrever o final de sua própria h...
