A casa que ficava separada por dois rios em meio a floresta de Seul, era a de Jennie. Um sobrado velho, caindo aos pedaços, cheio de teia de aranha, pó e com pedaços da madeira da casa espalhada no chão inteiro da mesma. O dia era ensolarado, e Jennie estava como mais um dia, saindo para procurar um emprego decente, a qual pudesse trabalhar sem remorso. Jennie ganhava dinheiro, e bastante, só que não era de uma forma honesta. Seu ganha pão vinha das noites que dançava em uma boate. Jennie é bem conhecida no vilarejo que fica próximo a sua casa, e tudo isso graças a sua fama de “Prostituta” naquele lugar. Como morava sozinha, Jennie vivia infeliz. Sem ninguém para lhe acompanhar nas refeições, ou para ver tv consigo, a mesma chorava sem parar, até não poder mais. Sua filha Jenny havia sido arrancada de seus braços para ir morar em um orfanato qualquer, já que a mesma fora proibida de ter filhos dos quais não pudesse — Ou se até mesmo quisesse ter, não tivesse interesse em cuidar. — criar. Quando se trata de Jennie, todos se juntam para criticar ou fazer algo com a mesma, a qual fizesse a mesma se sentir culpada por ser tão impura. As pessoas daquele lugar eram crentes, e Jennie tinha uma certa abominação por isso, e também achava ridículo ser uma pessoa crente, mas fazer o que aquele povo faz. Por mais que Jennie acreditasse em Deus, ela achava desnecessário algumas coisas, que no seu ponto de vista, era muito forçado ser uma pessoa do tipo que aquelas lá são.
Jennie pegou o molho de chaves que estava jogado no sofá e saiu de sua casa, acompanhada de um gato que passava por ali. Por não possuir roupas muito decentes, a mesma teve, mesmo não querendo, sair com uma blusa que mostrava muito e que com certeza, iria fazer as pessoas lhe julgarem, falando a mesma coisa de sempre, que era lhe chamar de “Prostituta”, ou alguém lhe tacar algo dizendo, “Vá se arrumar direito, prostituta”, e isso era algo que lhe incomodava muito. Jennie queria mudar de vida e se tornar um pouco mais decente, porém, se fosse depender daquele povo, ela nunca ia conseguir nada. Seus fios de cabelo castanho tratavam de bater na cara da mesma, fazendo com que ele pegasse na ponta do cigarro e voltasse para trás. Com suas unhas pintadas de vermelho, Jennie se empenhou no poste e começou a passar a ponta de suas unhas no mesmo, esperando o tempo passar. Com uma pasta branca em suas mãos, Jennie encarava o relógio da praça central com certo nervosismo, esperando com que alguém lhe chamasse para a maldita entrevista que tenta fazer a dias, porém com tentativas falhas. Jennie arrumou seu cabelo, e assim que viu que deu onze e meia da manhã, decidiu voltar para a casa. Com vontade de chorar, a mesma caminhava rapidamente pela rua, segurando as lágrimas que queriam escapar de seus olhos. Assim que chegou em casa, já eram onze e cinquenta e duas, e a mesma partiu logo para a cozinha. Pegou a pena de ferro que estava jogada no canto da pia — Que estava quase caindo no chão — E levou a mesma para o fogão, onde colocou água na mesma e fez um delicioso macarrão. Pensando na possibilidade se sair daquele lugar, Jennie logo gritou, batendo na mesa e tacando o prato de macarrão no chão, que quebrou na mesma hora, e foi também o que ela fez com a mesa, e quando olhou para o que tinha feito, se tacou diante a parede e ali mesmo, escorregou e ficou no chão aos prantos, dizendo,
— Eu não aguento mais… — Fechando a mão fortemente e batendo sua testa contra seu joelho, Jennie gritou e logo começou a se descabelar. Ela estava enlouquecendo. — Eu não aguento mais… — Repetiu por de novo, agora, batendo no sofá.
Ela decidiu tomar um calmante, porém não achava que iria resolver, estava trêmula demais. Assim que tomou o remédio, caminhou em direção ao sofá e deitou no mesmo, não demorando muito para que o sono lhe atacasse e ela dormisse. Seu sonho tratou de lhe lembrar o porque dela não poder ir embora daquele lugar, e assim que ele estava na metade, quase acabando, Jennie acordou e esfregou seus olhos, deu uma olhada na casa em torno de 360 graus e partiu a chorar de novo.
Ela viu no seu relógio que já eram seis e meia da tarde, e a partir daí ficou preocupada… ela deveria ir para a boate às cinco em ponto, porém esqueceu desse detalhe. Pegou a vassoura e limpou sua casa em menos de dez minutos e partiu para um rápido banho, que demorou uns três para quatro minutos. Depois que ficou pronta já estavam marcando quase sete horas da noite, então ela saiu de sua casa correndo, no maior desespero. Chegando lá, partiu direto para a sala de seu chefe, que por sinal não estava nada feliz com a demora de Jennie para ter chegado ali no local.
— Eu já disse que não gosto de atrasos! — Yoonseo gritou, tacando o seu copo de whisky gelado no chão, fazendo as pedras de gelo se espalharem pelo chão. Ele se virou e encarou Jennie, logo pegando no seu queixo e dizendo o que dizia toda maldita vez em que essa situação ocorria. — Eu já disse para você nunca mais se atrasar, e por que se atrasou? — Ele logo soltou o queixo do mesmo e passou a mão em seus lábios, enquanto bufava nervoso.
— Eu estava dormindo, senhor Yoon... — Ela disse de cabeça baixa, se encolhendo por medo dos guardas que haviam ali. Yoonseo apenas fez sinal para a mesma sair de sua sala, e foi o que ela fez, logo gritou, “Maldita”, na intenção de que ouvisse. Chorando, Jennie foi até seu camarim, onde iria se arrumar, porém o que não fosse esperar, e que fosse ter companhia.
Jennie encarou a mulher ruiva ali em sua sala e abriu um sorriso largo, que ia de orelha a orelha, não demorando muito para partir para os braços da mesma. Ela deu um selinho nos lábios da mulher e arrumou o seu cabelo, ainda permanecendo com o sorriso, ela disse baixo, — Pensei que não vinha… — Jennie mordeu o lábio da mesma e entrelaçou seu braço na cintura da mulher, que lhe respondeu, — Estava enganada, querida… — Ela sorriu e voltou a beijar a mulher, que no maior prazer, fez o mesmo.
Yoonseo que estranhou a demora de sua dançarina para chegar ao local, foi diretamente a sala de Jennie para questionar o por que dela não ter ido ainda, porém quando chegou lá, se deparou com Jennie beijando outra mulher, e assim que a morena viu, soltou seus lábios do da ruiva no mesmo momento e foi caminhando para trás, e Yoonseo foi andando junto até chegar em Jennie e partir para cima da mesma.
— Todos têm razão em te chamar de prostituta, afinal, é isso que você é! Uma grande Pros… — Foi interrompido por Jennie que lhe entregou uma bofetada com toda sua força. Yoonseo apenas riu e encarou Jennie, e assim que sua raiva subiu a cabeça, decidiu ignorar a mesma e sair da sala, porém logo deixou avisado que ela iria pagar caro por aquilo. Jennie, trêmula, deu um beijo na mulher e logo foi para o palco performar.
— Aceita alguma bebida, senhor? — Uma garçonete da boate perguntava para o suposto senhor ali sentado observando tudo, apenas balançando a mão dizendo um não.
Jennie que estava performando pollydance, estava em cima do poste, e com o tempo que foi descendo, encontrou quem menos esperava, o que logo surpreendeu a mesma e a fez parar naquele mesmo momento.
— Você? — Jennie perguntou impressionada com que o que tinha acabado de ver ali.
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Coração Ao Limite, JenSoo
RomanceJisoo estava presa a uma vida a qual não suportava viver. Jennie carregava a dor de uma longa vida arruinada em suas costas. Os caminhos de ambas nunca mais foram o mesmo quando se tratou de mudar de uma pessoa e uma dor para uma duas pessoas e duas...
