E foi ali, ao ouvir a porta batendo, que a ficha finalmente caiu.
Estava acabado.
Não soube muito bem como lidar depois disso, sua mente se embaçou completamente, enquanto ela caía no chão frio da sala, tentando, em vão, segurar as lágrimas.
Foi difícil ouvir as duras palavras da pessoa que tanto amou por tanto tempo:
“Eu já não te amo mais. Acredito que seja melhor para nós dois que tudo acabe aqui.”
Tão rápido, tão duro, tão... frio.
Alexia não conhecia mais aquele com quem esteve por boa parte de sua vida. Os sinais de desgaste já se faziam presentes mas ela simplesmente tentava ignorar todos eles e se agarrava a uma falsa esperança de que seriam para sempre.
Mas o para sempre acabou.
A princípio, não sentiu nada. Mas, ao ouvir a porta se fechando, sentiu o bolo na garganta sendo formado e as primeiras lágrimas caindo.
Porra, não estava sendo nada fácil.
Precisava de álcool. Precisava de uma anestesia, por mais efêmera que fosse. Achou uma garrafa de vinho barato pela metade e algumas cervejas na geladeira. Queria estender o sofrimento ao máximo, então resolveu beber as duas coisas, tendo plena consciência de que o resultado no dia seguinte seria dos piores possíveis.
E bebeu.
Bebeu.
Bebeu.
E bebeu mais.
As lágrimas já não pediam licença e caíam copiosamente do rosto da mulher.
Naquele momento, que se danasse toda a organização do pequeno apartamento. O primeiro vidro foi quebrado e, depois dele, mais sete. Em um breve momento de surto e não aceitação do ocorrido, Alexia quebrou três porta-retratos, duas porcelanas que haviam sido dadas por ele e três copos. As mãos trêmulas tentaram, sem sucesso, limpar a bagunça, e ela decidiu deixar tudo aquilo ali, limparia depois, como uma punição do universo por lidar com um coração partido de maneira tão bruta.
Era injusto consigo mesma como cada canto daquele lugar a lembrasse dele, para onde quer que olhasse, havia uma lembrança guardada. Seja os momentos de amor, seja as discussões sem sentido que acabavam em risadas e pizza, seja as lágrimas. Ela sabia que o universo não teria piedade em batê-la com tantas memórias. Queria apaga-las a qualquer custo.
Naquele momento, se sentiu sozinha. Física e emocionalmente. Se sentiu perdida, sem saber para onde correr. Mas como saberia, quando a pessoa para quem sempre corria quando tudo estava difícil tinha saído por aquela porta há horas atrás, para não voltar mais?
O relógio já marcava 3 da manhã e ela ainda não tinha parado de chorar. O álcool já havia acabado há algumas horas, então só a restava chorar e cair no sono assim mesmo. Entretanto, o sono parecia estar bem longe naquele momento.
Foi para a sacada, sentindo a brisa fria da madrugada lhe beijar a pele, enquanto observava as luzes da cidade. Ela sempre gostou de olhar as luzes, lhe faziam sentir em paz, e paz era o que ela mais precisava naquele momento. Sua cabeça estava uma bagunça e ela não sabia por onde começar a arrumar, mas o faria.
Olhou para o céu e pediu para os astros um pouco de paz. Respirou fundo, ignorando, ainda, as lágrimas, e entrou novamente no apartamento revirado.
Estava sozinha.
Escreveria uma nova história assim.
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Alexia
ChickLitAlexia se viu perdida depois que seu namorado a deixou, sem explicação. Seis anos de namoro foram jogados fora sem mais nem menos. Perdida e sem chão, decide se reerguer e buscar de volta a coisa mais valiosa que ela tinha e que sentia que tinha se...
