Na terceira série, meu colega de classe caiu da escada, era alta e sem proteção, observei o sangue escorrer pelo seu braço enquanto um osso pulava pra fora como uma mola, e foi a primeira vez que percebi que o cheiro do sangue era um dos melhores que eu já havia sentido, quis chegar mais perto, quis sentir a textura, quis sentir o seu calor, me senti atraído, aquele cheirava suor, alecrim, gordura, e... havia um cheiro doce, um cheiro doce que poderia passar a minha vida sentindo, e eu acho que era Medo.
Depois do acidente do Bryan, acabei descobrindo que era muito fácil tirar sangue de coisas vivas, os gatos não gritavam tanto, os cachorros eram um desafio, mas eu acho que eu gostava.
Na quinta série, minhas visitas aos cemitérios começaram a ser mais constantes, mamãe havia me colocado em uma psicóloga por ter achado um cemitério de animais mortos no nosso terraço, ela me dizia coisas como ''Você ainda não sabe a quantidade de dor que os animais sentiam'' e eu me perguntava sempre, porque eu me importaria com a dor dos animais se me causavam sentimentos tão bom. Comecei a tomar remédios e fazer coisas que eu não gostava, e percebi que nem todo mundo sentia o cheiro do sangue como eu, e que seria melhor que elas não soubessem, percebi que se eu fizesse oque eles queriam, eles me deixariam sentir o cheiro do meu sangue em paz, e assim o fiz.
na sétima serie, ganhei um prêmio pela melhor pontuação da escola em redação e matemática , mamãe ficou orgulhosa, e disse que eu não precisaria mais de psicóloga, e eu fiz novos amigos, e andei com o pessoal legal do colégio, o cheiro do sangue deles me causava enjoo, eu tinha 13 anos e era a hora de beijar uma menina, a gente bebia vinho e fumava maconha no cemitério no lugar das aulas de história, eles não notaram como eu sabia aqueles caminhos de cor, estúpidos. Bryan me disse que eu deveria beijar a Alissa, já que ela não parava de me olhar, resolvi chamar ela pra dar uma volta comigo enquanto o resto das pessoas bebiam vinho, e Bryan me deu uma camisinha, ela me disse que era virgem, e eu descobri que as meninas sangram, e eu me senti muito bem, ela parecia sentir dor, mas eu não me importava muito, era bom, eu a sentia escorrendo pelas minhas pernas, o seu cheiro era limpo, puro, ela cheirava margaridas. No outro dia percebi que ela não sangraria mais daquela maneira, acho que o sexo não era tão divertido quando não tinha cheiro de margaridas.
nas ferias de verão, passei dois meses com meus avós, eu conheci uma menina que me olhava na praia todos os dias, chamei ela pra dar uma volta comigo, eu sentia seu cheiro de rosas de uma maneira diferente, ele era mais forte, eu me apaixonei pelo cheiro daquela menina, gostaria de me banhar nele, ela olhava nos meus olhos enquanto ofegava, e eu sentia seu cheiro cada vez mais perto de mim, fervendo como brasa, gostava daquela sensação, todos os dias a gente conhecia lugares diferentes da floresta. Faltava algumas horas pra mim ir embora e ela chorava... Me sentia tão bem de ver suas lagrimas escorrendo.
- Se você ir, eu vou me matar!! - Ela falava entre soluços e lágrimas, eu a observava com curiosidade, sentia seu sangue ferver dentro dela, e isso me trazia sensações estranhas, minha mão suava, e eu me sentia enjoado, eu não sabia oque eu queria, mas talvez meu corpo soubesse.
- Você quer morrer? - Perguntei lentamente, enquanto minha visão tinha pequenos flash's pretos, sentia uma euforia, meu estômago borbulhava, e eu sentia todos os pelos do meu corpo se arrepiar, um calor que ia dos pés a cabeça, sentia minhas veias saltando, e meus olhos percorriam o lugar a procura de algo, que eu não sabia oque era.
- Não vou aguentar ficar sem você. - eu a abracei, senti seu pescoço muito perto de mim, o sangue dela borbulhava, a afastei de mim e quando ví minhas mãos eu segurava um toco de madeira grande, minha visão ficava turva, mas eu sentia o cheiro de sangue cada vez mais fortes, eu sentia meus pés encharcados, soltei o toco de madeira pingando vermelho. Me ajoelhei do lado do seu corpo ainda quente, e beijei o pouco que restava do seu rosto, depois disso eu corri com álcool e fogo, eu já sabia oque fazer, meu corpo agiu sozinho, não precisei me esforçar. Entrei no ônibus pra casa, me sentia bem, as cores eram mais intensas e brilhavam com mais frequência, estava estudando, e logo chegaria em casa, o ensino médio talvez fosse mais interessante do que eu pensei.
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O cheiro do Sangue
RandomTudo era tão natural pra mim, tão necessário, era o ar que eu respirava, por mais que parte da minha cabeça gritava que era errado, a outra parte me trazia prazeres tão inimagináveis, meu corpo emitia ondas de calor tão quentes e prazerosas que nenh...
