— O que foi Saeng? — o mais velho perguntava mais uma vez, mas o pequeno Park apenas negava e continuava em prantos
Era uma tarde fria de inverno, a brisa gelada passeava pelas extensas ruas de Seul, provocando arrepios na maioria das pessoas que era atingidas por ele
Em um parque não muito movimentado — na verdade podia ser considerado abandonado pelo seu estado — estavam Min Yoongi, um menino de porte médio, tão branco como a neve, fios negros com mechas tonalizadas de azul escuro. Trajava uma calça jeans rasgada na altura do joelho junto com uma blusa azul, a qual era quase totalmente coberta por um casaco moletom de zíper com estampa militar, nos pés usava seus clássicos all star pretos, levemente gastos. Tem 18 anos e sonha cursar fotografia
O Min tentava conversar com seu dongsaeng que chorava ali ao seu lado, Park Jimin. Jimin era dois anos mais novo que Min, tem 17 anos e pensa cursar designe ou dança. Trajava uma calça jeans preta que combinava perfeitamente com sua blusa listrada vermelha e preta, a qual aparecia somente a parte central de seu peitoral por estar usando um moletom de zíper, como seu hyung, mas o de Park era preto, nos pés usava o seu tão amado vans preto. Seu rosto é angelical, bochechas gordinhas, olhos pequenos — os quais viravam pequenos e adoráveis riscos quando ele sorria — boca vermelha e cheinha, cabelos castanhos com as pontas meio ruivas
Mas nesse momento, os lindos olhos de Park estavam vermelhos e inchados, sendo lavados pelas lágrimas que ele derramava enquanto abraçava seus joelhos e enterrava a cabeça nos braços. Yoongi estava sentado ao seu lado na posição de índio enquanto tentava de tudo para falar com o mais novo, o albino sabia que Jimin era sensível a palavras e, ainda mais quando aquelas proferidas com sentidos de rejeição por sua família, e suspeitava que era isso que havia acontecido
Então, cansado de ver seu dongsaeng assim ele desfaz a posição do menor, retirando os braços das pernas dele e o puxando para um abraço, o apertando forte em seus membros superiores
Ficaram longos minutos assim, Yoongi fazia um leve carinho nos fios castanhoss de Park enquanto cantarolava baixinho uma canção calma que estava compondo mais cedo, antes de receber a ligação de Jimin e ir ao seu encontro na praça que sempre iam, desde pequenos
Logo, os soluços de Park deram lugar a longos suspiros e fungadas, mas Yoongi continuou na mesma posição, até ver que o seu tão amado dongsaeng estava respirando melhor e não fungava tanto
— Eles parecem perfeitos, mas não são, nós não somos — o mais novo sussurrou, dando ênfase no "nós"
— O que? — Min perguntou, tentando entender a que o menor estava se referindo
— Em público parecemos a clássica família perfeita, mas não somos — Jimin falou, um pouco mais alto, mas não deixando o tom baixo — Minha irmã sai para beber e volta de madrugada quase caindo — ele deu um longo suspiro antes de continuar, deitando a cabeça no ombro de seu hyung — Meu pai trai minha mãe com qualquer uma da rua, vovó culpa minha mãe por isso, mamãe... — sua voz falha e ele respira fundo antes de continuar — Mamãe bebe e fuma para esquecer tudo que ele faz, e todos me julgam... — ele para e respira fundo, sentindo o choro preso em sua garganta, formando um nó tão forte que chegava a doer, mas forçou-se a continuar — Todos me olham com desprezo, como seu eu fosse um assassino que matou dezenas de crianças — ditou com voz embargada
Desde que falara que estava apaixonado pelo seu melhor amigo de infância — Min Yoongi — Jimin sofria críticas e rejeição, recebeu um tapa de seu pai, até ameaças de expulsão ele recebeu — as quais apenas não foram cumpridas porque sua mãe acreditava que era apenas uma confusão causada pelos hormônios da adolescência. Mas ninguém aceitava-o do jeito que era naquela casa, e isso o machucava em um nível que nem ele sabia explicar porque; ele sentia que todos os sentimentos se misturavam em seu sub consciente, as lembranças das horríveis palavras proferidas por seu pai, a expressão de decepção de sua mãe, o jeito que era tratado naquela casa, tudo contribuía para as crises de choro de Park Jimin, as quais nem ele mais sabia controlar
Yoongi sabia a situação que Jimin enfrentava, conhecia seus parentes a muitos anos e sabia o pensamento que rondava na cabeça deles sobre as pessoas que não obedeciam o clássico, um homem e uma mulher. O que Yoongi não sabia era que os insultos e problemas daquela família estavam tão sérios, o que Jimin lhe falava nem se compara ao que está acontecendo
— Por que não me disse? — Min questionou em tom baixo, no ouvido dele
— Você já me ajuda tanto hyung, não queria lhe deixar mais preocupado — Jimin respondeu entre fungadas
— Sabe que não me incomodo com isso — o de mechas azuis respondeu, suspirando em seguida — Para mim, dói muito mais te ver assim, me machuca tanto que chega a doer o peito — confessou enquanto relaxava o corpo
— Desculpe — falou o mais novo, segurando as lágrimas e sentindo aquele incômodo na garganta ainda mais forte que antes
— Pelo o que? — indagou o mais velho
— Por ocupar sua cabeça com meus problemas — uma lágrima escorreu por sua bochecha — Talvez eu devesse tentar ser como eles, perfeito na frente dos outros e guardar meus problemas apenas para mim
— Nem cogite essa ideia — Min respondeu sério e alto, fazendo Jimin levar um pequeno susto — Sei que não demonstro, mas eu também te amo Jimin — declarou, surpreendendo Park — Estou disposto a enfrentar isso com você — um sorriso bobo surgiu nos lábios vermelhos do de fios castanhos
— Mas eles...
— Jimin, entenda — Min respirou fundo — Eles não enxergam uma sociedade diferente da clássica, eles não aceitam um amor entre o mesmo sexo, não é só com você anjo, não serão só eles, mas eu estou aqui com você e se você aceitar enfrentaremos isso juntos
— Aceitar o que? — Levantou a cabeça do ombro de seu hyung, finalmente olhando em seu rosto
— Park Jimin, você aceita namorar comigo? Não te garanto estar de bom humor todos os dias, ou que sempre serei sensível e romântico, mas garanto um relacionamento onde superaremos todas as dificuldades juntos, onde eu serei o seu pilar para o que precisar, se quiser desabafar eu estarei do seu lado, se quiser uma tarde clichê de filmes de romance e drama acompanhados de sorvete eu estarei do seu lado... mesmo preferindo ação e terror — Min fala a última parte baixinho, arrancando uma risada nasal de Park — Aceita ser meu namorado Park Jimin? E futuramente sermos uma família?
Jimin o olhava com os olhos brilhantes e o sorriso mais bobo que já havia estampado em sua face. Ele sabia que se aceitasse estaria arcando com uma responsabilidade gigante, sabia os olhares que iriam receber das pessoas, dos cochichos que iriam escutar e das críticas que iriam ler e ouvir. Mas isso parecia tão insignificante naquele momento, Park estava feliz, diversas vezes havia imaginado aquele momento, mas nunca pensou que aconteceria
— Aceito — respondeu e viu Min soltar o ar que prendia, suspirando aliviado
— Não sabe o medo que eu estava de você dizer não — confessou jogando seu cabelo para trás
— Bobo — Park sorriu — O meu bobo
Yoongi sorriu com a fala do menor e o ajeitou em seu colo, de modo que eles ficassem de frente um para o outro, assim Min inclinou-se um pouco para frente, roçando ambos os lábios
— Eu te amo — sussurrou e então quebrou a distância que havia entre eles, beijando os lábios vermelhos de seu namorado
O beijo era doce, sem malícia, ambos sentiam diversos sentimentos bons surgirem em seus corpos, curiosidade, amor e carinho são apenas pequenos exemplos que poderiam ser citados. Min pediu passagem com a língua, que em pouco tempo foi cedida pelo Park, assim ele podia sentir e explorar cada pedaço da boca de seu amado dongsaeng
Mas como tudo que é bom acaba, eles sentiam o oxigênio faltando em seus pulmões, então foram quebrando o contato pouco a pouco
Jimin encarava Yoongi com um pouco de vergonha, eles nunca haviam feito isso e ele não esperava que algum dia isso fosse acontecer
Após pouco mais de duas horas, as mesmas repletas de risadas, carícias e principalmente sorrisos bobos, viram o sol começar a descer pelo horizonte, e Jimin não queria chegar depois de anoitecer — pois sabia que seria mais um motivo para lhe xingarem —, então foi para casa. Min lhe acompanhou até o portão de casa, e após um selinho ele seguiu caminho, rumo a sua residência
Jimin suspirou, se preparando psicologicamente para o que aconteceria a partir de agora, tudo que ouviria e sentiria. Introduziu a chave na fechadura do portão de madeira, pintado em tom marfim e girou o pequeno objeto de metal, abrindo o grande retângulo em seguida. Caminhou pelo quintal, em direção a casa, e assim que pôs a mão na maçaneta suspirou mais uma vez e pensou "Eu não estou sozinho, eu consigo". Assim adentrou na casa, já esperando sua mãe vir gritar consigo ou seu pai me xingar sem nem sequer olhar na em sua face, ou até mesmo os olhares de desprezo de sua avó. Mas nada disso aconteceu, os primeiros cômodos da casa estavam silencioso, então adentrou mais no imóvel, ouvindo um baixo som de seus tênis em contato com o piso. Não demorou para ouvir risadas vindo da sala, então foi espiar o que estava acontecendo
" Só podia ser" pensou
Ali, não muitos metros distante, estava sua mãe abraçada de lado com seu pai, sua irmã estava ao lado, usando o vestido florido — que ela deixava bem claro que detestava —, e ocupando o penúltimo lugar estava a vovó, que elogiava sua mãe enquanto sorria animadamente. Todos sorriam, mas eram todos falsos
Eles estavam assim apenas por um motivo, um antigo amigo da família havia ido os visitar com sua esposa, então todos colocaram suas máscaras
"C-A-S-A D-E B-O-N-E-CA Eu vejo coisas que ninguém mais vê"
Melanie Martinez - Dollhouse
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Dollhouse - YooMin - OneShot
FanfictionYoongi e Jimin sempre foram amigos, pelo o que se lembram desde seus cinco ou seis anos já estavam brincando e comendo terra juntos Eles cresceram e sua amizade continuou, porém um sentimento se desenvolveu em seus peitos, os quais faziam ambos sent...
