Chegando naquela delegacia, Iracema começa a sentir a mesma tensão que incomoda Cláudio – ao começar a subir aquelas escadarias – imaginando que talvez a juíza não entenda o seu lado naquela história toda. Mas por outro lado, a única coisa que ainda servia para reconfortá-la naquele momento, era o apoio de seus filhos. Que tinham lhe dado a coragem necessária para que ela enfim, conseguisse se libertar de todo aquele casulo de segredos e mágoas, que a estavam aprisionando-a, por todos aqueles anos que estava casada com ele.
"Eu sei que vou pegar uma condenação, mas o gosto da liberdade em meu corpo novamente não tem prisão nenhuma que possa impedir-me de estar sentindo-a, nesse exato momento. Meus segredos se diluíram por completo... Pois sei que estarei completamente livre dentro de minha cela. Por mais que incrível que isso possa parecer para alguém." – pensa Iracema, se segurando nos braços de sua advogada, como se estivesse implorando por clemência, se conscientizando tardiamente por tudo aquilo de errado que ela tinha feito junto com o seu marido, para que assim, finalmente fosse absolvida de todos os seus atos, aos olhos da justiça.
– Acalme-se Iracema! – aperta-a a sua mão Carla – Não precisa você ficar desse jeito. Vamos conseguir expor todos os fatos para a juíza. Está bem?
– Claro! Claro!... Só estou meio preocupada. Só isso! – explica-lhe sua cliente, sabendo que sua vida está prestes a ser averiguada naquele instante.
Ao se aproximarem do balcão de atendimento, Carla imediatamente toca aquele sininho de atendimento, para chamar a atenção de qualquer policial federal que estivesse atendendo naquele setor em específico.
– Pronto! Agora aquele lá está vindo nos atender – avisa Carla para eles.
– Boa Tarde senhora! Em que posso lhe ajudar? – pergunta aquele policial muito atencioso e simpático.
– Oi! Meu nome é Carla, sou advogada de Iracema de Almeida, e temos uma hora marcada com a juíza Isabella – explica-lhe a advogada de forma serena.
– Todos vocês? – pergunta o policial para aquele grupo.
– Sim! – intromete-se na conversa Eliberto, para que também conseguisse explicar o motivo de sua presença ali, antes que aquele policial fosse embora – Sou advogado de Cláudio de Almeida, o deputado federal, e também fomos chamados para esse mesmo interrogatório – explica aquele advogado, percebendo que não era mais o mesmo policial que estava naquele local de atendimento, pela manhã.
– Como não irei me lembrar desse rosto?... – pergunta o policial com ar de deboche – Não foram vocês que estavam aqui há pouco tempo, com aqueles outros corruptos?
– Mas respeito pelo meu cliente senhor policial! – aconselha-o Eliberto cortesmente.
– E ele por acaso teve algum respeito pelo povo brasileiro? – pergunta o policial de forma séria – Quando resolveu desviar todo aquele dinheiro para as contas de sua esposa e de sua filha, na Suíça? Por favor!... Aguardem aqui um instante, que vou avisar a juíza. Sim?
– Está ótimo senhor policial! – responde Eliberto, priorizando a sua educação de trabalho, preferindo ignorar aquela patada desnecessária em seu cliente – Muito Obrigado pelo seu atendimento.
Para a surpresa de Cláudio, quando o policial começou a caminhar até a sala da juíza para avisá-la da presença dos réus de seu interrogatório criminal, ele infelizmente acabou escutando o comentário de outro policial, a respeito de seu caso, que o deixou totalmente perplexo, preferindo-o não ter tido o privilégio de ter aquela audição perfeita que a vida tinha lhe proporcionado até aquele momento.
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As Cinzas de uma Pátria: volume II
Ficción HistóricaMesmo com toda aquela crise de corrupção instaurada no país, finalmente tinha chegado o dia da formatura de Laura, em jornalismo; ela até que estava bastante feliz por um lado, porque pela manhã teria que escolher um vestido de formatura que fosse a...
