Eu estive olhando a janela
Por muito, muito tempo.
Eu vi o sol se pôr,
Eu vi a chuva começar,
Eu ouvi o farfalhar do mato lá fora
Depois que o tilintar no telhado cessou
O olhar estático não perdoou
Nenhuma das nuances
De uma mesma cena repetida
Milhares de vezes na tela mental
Desnecessariamente, como sempre
Inevitavelmente mais vívida
Por consumir até as entranhas
Do pensamento febril
Da carne crua de meus braços
Do vômito e suor
Das noites, tardes e manhãs
