Primeiro Capítulo

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As árvores balançavam fortemente, as folhas farfalhavam entre si, o cheiro era bem característico, forte e bem pronunciado. O outono estava no início, e estava aproveitando essa caminhada, ver as folhas alaranjadas caírem na grama verde e macia, os pássaros serenos nas árvores me observando. O céu está realmente muito belo, um azul claro e vívido, nuvens tão brancas que até parecem grandes algodões.

Estava apenas eu e meus pensamentos ali, questionando qual seria a forma mais rápida de fazer meu trabalho. Eu realmente queria ter algo a mais para pensar, e não apenas em meu trabalho de assassina de aluguel; é apenas em morte que penso. Não que eu tivesse mais alguma escolha para poder me sustentar e me manter viva, deveria arcar com as consequências, fiz minha escolha quando tinha doze anos. Poderia ter sido uma cortesã, apesar de achar essa profissão um tanto quanto ridícula. Também poderia costurar, mexer com plantas, ou até mesmo pesca, mas não, escolhi um caminho mais difícil e nada gentil; mas aquele que rendia grande quantidade de dinheiro.

Ainda não sabia como estava viva. Viver em um mundo de seres feéricos não é uma das coisas mais seguras, são criaturas mágicas e poderosas, que poderiam simplesmente me queimar viva, me congelar, ou até mesmo tirar meu oxigênio. Mas também há os humanos, não somos tão santos como a maioria dos feéricos acham. Posso dizer que tenho muita sorte, e gostaria de me manter deste jeito.

Minhas botas fazem barulhos enquanto piso nas folhas secas, as quais foram obviamente afetadas pelo outono. Elas quase chegam na altura dos joelhos, botas são práticas no ramo que pratico, preciso de roupas confortáveis e que facilitam minha fuga; vestidos não são minha praia. Uma roupa íntima simples e de tons brancos e feita de seda, a qual roubei. Calça de couro, de um tom preto quase fosco, justa e muito confortável. A camiseta também é preta, mas ao invés de couro, acabo preferindo algo feito de algodão. Uma vestimenta simples e prática.

Mas também carrego um cinto com diversas adagas presas, e em minhas costas, uma espada poderosa e bem afiada. Proteção em primeiro lugar, meu ramo exige isso.

Meu cabelo ruivo fica preso em uma trança, assim ele não irá atrapalhar caso precise lutar com um indivíduo surpresa. E tudo que menos preciso neste exato momento é uma surpresa assassina.

A grande parte dos criminosos não gostam de minha pessoa, matei a maior parte dos amigos deles, era de se esperar algo deste tipo. Mas minha única resposta para o ódio deles é um grande dane-se.

Estava indo para um vilarejo ali perto, falta provavelmente apenas cerca de quatro quilômetros. Um trabalho me esperava, e eu rezava aos deuses para que meu esforço não fosse extremo, pois eu merecia descanso. Talvez ir á um bar, apostar em jogos de azar e roubar, e provavelmente entrar em uma briga. Bom, cada um possui uma definição de noite de folga. E a minha talvez seja um pouco esquisita.

Meus pés me levavam para o caminho certo, passos tranquilos porém firmes, eu cantarolava uma música que aprendi num bar em minha cabeça. Eu desejava por mais momentos desse jeito, normais e passivos, sem sangue e violência. Mas duvido muito que também estaria feliz sem toda aquela ação, acabei me acostumando, e dificilmente conseguiria ser normal, nem mesmo se eu quisesse. Talvez fosse melhor assim.

Ouvi o som de um riacho, parecia um bom local para beber um pouco de água, isso com toda certeza poderia aliviar o cansaço da caminhada. Adentrei no bosque, a água soava mais forte agora que me aproximara, as árvores tampavam os raios solares, transformando aquela parte em um local fresco e com sombras maravilhosas. Tenho certeza que dormiria tranquilamente de baixo de uma dessas árvores, mas não poderia me auto privilegiar.

Asas e SombrasWhere stories live. Discover now