Acidente

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O vento estava forte, pessoas iam e vinham por todos os lugares, para todos os lados, o avião acabara de pousar, o aeroporto se encontrava lotado, as vozes se sobrepunham, umas mais altas que outras, pessoas diferentes falando sobre todos os assuntos possíveis, um misto de alegria e incredulidade por reencontrarem pessoas que a muito tempo não viam, abraços apertados e calorosos eram dados, corpos se encontravam e sorrisos se espandiam por rostos felizes, bem perto do saguão de desembarque, logo na escada rolante, uma jovem mulher falava ao telefone, sua voz rouca mal era ouvida por alguém ao seu lado, ela encarava o nada com fixação, uma veia grossa pulsava em seu pescoço mostrando sua irritação, uma criança descia eufórica a escada rolante, esbarrando na loira de cabelos longos, os fios balançaram quando ela virou e encarou a pequena menina, sua voz sumiu, o celular foi desligado no susto, ela estava pronta para discutir com quem fosse a mae da criança quando viu seus pequenos olhos azuis, mais azuis que o último mar que viu, seus cabelos também eram loiros e longos, um brilho ecoou nela, a visão de sua própria mãe lhe fez parar, a rolagem parou e a obrigou a seguir.
Seus passos foram errados e longos, descendo o óculos de sol pelo rosto, sua bolsa foi agarrada para mais perto, em alguns minutos ela atravessaria todo o saguão e encontraria seus seguranças que a escoltariam para a casa do seu pai, uma rotina cansativa, mas necessária.
As portas se abriram, seus olhos não encontraram nenhum obstáculo por perto, duas paredes pretas surgiram do nada na sua frente, ela já estava acostumada.
- Senhorita Valentina Carvajal- a voz forte do homem mais largo a sua direita surgiu, outras vozes surgiram mais abaixo, pessoas à reconhecendo, sempre era assim, ela era aquela que todos viam em todos os lugares, toda hora, todo mundo na america Latina a reconhecia e isso era apenas dela.
Suas longas pernas se moveram com pressa, o carro preto já à esperava, os seguranças a projetaram para dentro das portas abertas, o mundo brilhou por um instante quando flashs dispararam em sua direção, foram ouvido gritos sobressaltados e ela se acomodou em um dos bancos de couro, deslizando sua calça jeans pela superfície.
Sua cabeça estava explodindo, a conversa pelo celular não tinha sido uma das melhores da sua vida, estava de volta a cidade do México para um evento mais que especial: o casamento do seu pai, Léon Carvajal com com uma mulher que ela ao menos conhecia, era muita dor de cabeça para um dia só.
A menina realmente não queria estar ali.
Desligando o celular, e o jogando no mais fundo de sua bolsa a fez ignorar todas as mensagens e ligações que chegavam até ela, sua mente estava explodindo, sua voz tinha sumido, estava com fome, todas relações em sua vida estavam complicadas, 21 anos e era como se ela estivesse decaindo, todo mundo era cansativo demais.
O carro começou a se mover, sua mente viajou por todo o último ano, para todas suas viagens, todo o cansaço, todo mundo à irritando, algumas poucas pessoas que à tiravam do sério, fugir por 20 minutos do mundo virtual era um perigo, algo poderia acontecer, ligações seriam perdidas, mensagens de pessoas importantes, só de pensar nisso ela já começava a ter dor de cabeça.
Se deitando no encosto do banco, Valentina olha o nada, mexendo nas unhas, descascando o esmalte preto que foi pintando perfeitamente na noite anterior, o vôo tinha sido cansativo e ela estava mais do que exausta em estar ali, seus ossos doíam, os músculos estavam duros e ela precisava de uma massagem, o carro parou, o trânsito estava mais caótico que a jovem que se encontrava em seu interior.
O dia estava chuvoso, as nuvens se encontravam cinzas no céu, cheias de água que caíriam mais tarde, no fim do dia.
O motorista do carro desviou de um motorista a sua frente e seguiu o percuso para a mansão dos Carvajal, umas das maiores famílias de toda América, do Mundo.
Valentina depois de muito refletir, esticou o braço para sua bolsa, sua mente borbulhava, pessoas precisavam dela, ela tinha que estar ali, sua empresária deveria ter ligado milhões de vezes, a menina batia o pé no tapete do carro, o interior do carro era retangular, a porta abria ao deslizar para o lado, enquanto pegava a bolsa e à abria ela analisava tudo ao seu redor, os bancos largos, o tapete grosso e felpudo, seu salto se sobrepunha na superfície, Valentina pegou o celular em maos, seu peito apertado.
O trânsito por fora estava quase sendo comparado com uma corrida, rápidos, mais que acelerados, fazendo com que as pessoas que passasem por ali, tomassem cuidado, mesmo na faixa de pedestre, pelo menos algumas.
O motorista girou o volante rápido ao ver um grupo de estudantes passar ao seu lado, o celular dentro do carro ainda não tinha sido ligado, Valentina batia o pé impaciente, deslizando um pouco pelo banco, a cabeça martelando, irritada pelo trânsito caótico.
O volante girou mais uma vez, só que dessa vez mais forte e de forma brusca, os pneus queimaram no asfalto e marcaram a rua, carros freiaram logo atrás e o corpo da menina dentro do veículo foi lançado para frente, sem o cinto de segurança ela caiu, o celular jogado ao longe, sua cabeça bateu na quina de um dos bancos e ela sentiu a dor fina entrar na pele, sentando no tapete e segurando-a entre as mãos, sentindo um liquido viscoso na pele.
Do lado de fora o caos se instalava, metade do carro tinha ido parar sobre a calçada, um minuto atrás, algum pedestre distraido atravessou a rua correndo e sem olhar para os lados, fazendo com que o motorista tivesse que desviar no mesmo segundo.
Valentina voltou as mãos para frente do rosto, vendo o vermelho do sangue que saiu pelo fino corte de sua testa, sua irritação aumentando.
A porta do carro abriu, a imagem dos seguranças grandes tomou toda a saída, o desvio foi rápido, não machucando nenhum dos envolvidos.
Uma mao foi estendida para ela, Valentina ignorou o gesto, precisando de espaço, seu coraçao tava pulsando forte, as pernas estavam bambas quando ela as estendeu para fora, irritada demais para ser educada com alguém - Que inferno aconteceu aqui?- a menina perguntou sobressaltada, pisando forte na rua.
- Senhorita Valentina, está tudo bem?- perguntou um dos homens.
Ela definitivamente não estava bem - estou, muito bem- afirmou seca, andando mais para frente, vendo uma multidão de pessoas ao redor do que parecia ser a causa do acidente e do seu corte na testa, ela nem teve que andar dois passos para que a pessoa surgisse na sua frente
- Você é louca?- seus seguranças já estavam ao seu lado, como muros, firmes, as buzinas estavam cada vez mais altas, o trânsito tinha parado.
A mulher surgiu, seus olhos arregalados, não entendendo nada do que estava acontecendo na sua frente, lançou um olhar surpreso e incrédulo para a loira, não tinha nem voz para dizer nada à alguém.
Valentina deu mais dois passos, sentindo os olhares das pessoas ao seu redor, ela odiava a incompetência de qualquer pessoa nesse mundo, a lerdeza delas e o rosto perdido da morena na sua frente lhe irritava mais ainda, furiosa -perdeu a voz?- ela gritou rouca, a mulher a sua frente em vez de baixar os ombros, ela os ergueu, parecendo sair do transe causado pelo ocorrido.
- Quem você pensa que é?- falou mais alto ainda, ajeitando a gola da camisa, seu sotaque forte, Valentina ergueu a mão para a ponta do nariz, respirando fundo para não perder o controle.
- Senhorita Valentina, estamos atrasados, o Senhor Carvajal está esperando- seu segurança falou firme, mas baixo, ao seu lado.
A mulher lhe encarava, Valentina mesmo irritada estava ansiosa para ver seu pai, ela tinha que ir rapido, aquele momento não podia atrapalhar todo seu dia, ela tinha que estar bem, e feliz, pelo menos um pouco, e ela sabia disso.
Pisando firme ela saiu, ignorando a pessoa a sua frente, sua respiração funda. A menina foi de volta ao carro, a porta sendo fechada.
Fora dali, logo na rua o transito começava a se arrumar, as pessoas prestavam atenção na acidentada, pegando os papeis e pastas que ela tinha em mãos, com uma respiração e coisas na mente, ela se foi, crente que odiava qualquer riquinho mimado que aparecia na sua frente.

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