CAPÍTULO I

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3 de janeiro de 1716, Atlantis

- Sirene!Sirene! Desperta-se!
-...Lydia... Posso descansar por mais alguns segundos?
- Sirene... Um navio naufragou-se... Quero explora-lo com você...
Desperto-me rápido e nado até a penteadeira.
- porque não me disseste antes!?
Eu começo a ajeitar minha cauda de cores dourada e cobre.
- mil perdões! Agora vamos!
Ela pega minha mão e começa a nadar até o outro lado do oceano.
- Lydia... estamos indo muito longe de Atlantis... Papai irá preocupar-se!
- acalme - se, Sirene!
Novamente, as sereias e tritões. olhavam-me estranhamente, pois eu era divergente da maioria.
Tenho olhos verdes claros e chamativos, cabelos castanhos escuros e uma pele mais escura do que era considerado normal.
Era anormal uma criatura ter olhos verdes chamativos e um cabelo castanho escuro.
Enquanto minhas irmãs continham cabelos claros e loiros, peles brancas como porcelana e olhos azuis.
A maioria dos cidadãos de Atlantis e de outros reinos tinham pelo menos uma dessas características evidentes.
- chegamos!!!
Lydia diz entusiasmada enquanto explorava enorme embarcação.
Havia corpos espalhados na areia do oceano, cavalheiros bem vestidos com seus ternos e madames belíssimas com seus vestuários elegantes.
Eu olho ao lado e vejo os corpos de uma senhora e um senhor abraçados.
Os cabelos loiros em um coque, lábios rosados e cílios enormes completam o rosto angelical da senhora e ele tinha cabelos compridos e enlaçados por um laço.
Eles eram nobres de algum lugar?
Até que eu vejo uma imagem aterrorizante... vejo um menino, um corpo de um menino envolvido no meio do abraço deles. Era a prole deles...
Eu começo a ter um aperto no coração ao ver o pobre e pequeno menino.
Eu não poderia ajuda-los e nem trazê-los novamente.
- Sirene! Venha ver!
Eu nado mais para dentro da embarcação.
Ela tinha vários humanos de uma cor mais escura que as dos demais com roupas esfarrapadas.
Mas porque estavam amarrados em um porão? E porque pareciam estar tão doentes...
- Sirene, venha! Rápido!
Eu nado para cima do porão, tinha um corredor a qual tinha vários quartos.
- Lydia!
Ela aparece na porta de um quarto e diz para eu entrar ali.
Eu nado até lá e entro.
- Lydia!
Eu exclamo.
- Sirene! Olha que belíssimas jóias...
Eu pego um broche que tinha entre os escombros, tinha uma forma de uma alga, ou alguma flor humana bem peculiar e elegante.
- essa espécie de flor é belíssima...
- não a conheço, mas devo admitir que é extremamente bela.
Eu resolvo ficar com esse belíssimo objeto.
Lydia vai até uma enorme caixa com portas e as abre.
- Sirene... Que belíssimas vestimentas.
- devo concordar. Essas vestimentas são tão elegantes.
Ela pega uma das vestes femininas e vai até um espelho.
- como deve ser vestir - se assim?
- você pode tentar prova-las, somos sereias, só temos vossa cauda.
Um enorme sorriso ilumina seu rosto e ela vai até a caixa novamente.
- qual a serventia disso?
Ela pega e mostra uma coisa que pelo visto ia no abdômen e que parece ser apertada.
- parece ser um instrumento de tortura.
Ela gargalha e veste o vestuário elegante sem aquele objeto esquisito.
O vestuário está inflando, por causa da água.
Ela coloca o belo vestuário e eu tento ajeita-lo atrás.
Depois de alguns minutos eu ajeitei
Eu realmente estava tentando, mas eu não entendo como vestes podem ser tão complicadas.
- como estou?
O belo vestido que cobria totalmente sua cauda reluz seus olhos azuis e sua pele pálida.
- Você parece uma jóia brilhante. Estas deslumbrante.
Aquele vestuário feminino era muito belo, mas ficava mais belo ainda em Lydia.
Lydia se vira e me olha nos olhos, seu rosto estava iluminado.
- Lydia...
Ela me encara e seu sorriso desaparece.
- Sirene... Eu estava a pensar...... O mar é tão belo, mas tão igual... Eu quero visitar terras novas... Mas não aqui... Quero tornar-me humana... Não estás a ficar chato fazer tudo igual toda vez que o dia nasce?
Eu fico incrédula e arregalo meus olhos.
- Lydia... Saiba que estarei ao seu lado... Mas receio que seu desejo possa ser impossível de ser realizado...
É impossível uma sereia ser transformada completamente em humana e recomeçar uma vida nova em solo terrestre.
- nada és impossível, Sirene...
(...)
Meus pensamentos vagavam pelo desejo quase impossível de Lydia.
Queria tanto lhe dizer que poderia ser possível.
- estás bem, Sirene?
Minha irmã Celestia, me traz novamente a realidade.
- estou excepcionalmente bem.
Quando volto a concentrar-me novamente na realidade, vejo que havia deixado as algas que colhi para o jantar caírem.
- oh... Sinto muito!!!
Exclamo recolhendo-as em meio as pedras e corais.
- estas agindo estranho desde hoje de manhã...
Pelo vosso santo coral sagrado!!! Estou sendo muito transparente?!
Lydia pediu-me claramente para guardar segredo.
Recolho rapidamente a alga que tinha caído e tento manter meus pensamentos longe e concentrar - me em colher algas.
O que estava sendo um pesadelo de ser realizado...
(...)
Ao chegar a Atlantis e colocar as algas para serem servidas, deito-me em minha cama a qual é uma enorme pedra envolvida completamente de corais.
Será que Lydia tinha razão? Talvez cada amanhecer esteja se tornando um inferno a vida dela por ser repetitivo?
E agora que estou começando a dar-me conta que não há nada de especial ou novo a cada amanhecer.
Quero ajudá-la... Talvez até conseguir alguma resposta para o que estou sentindo agora... Depois de abrir meus olhos sobre o que está acontecendo...
Viro-me na pedra e sem dar-me conta... Caio...
Será que quando humanos caem das pedras deles também ficam flutuando até caírem intactos no chão? Ou não?
- Sirene!!! Venha jantar!
Minha irmãzinha mais nova, Elemeny vem avisar-me.
- caíste da pedra novamente? És uma desastrada!
Ela começa a gargalhar.
- estás sendo uma comédia para você não é mesmo irmãzinha?
Digo ainda pensando em qual seria a graça. Não estava caída no chão... estava flutuando...
Ela se despede e vai nadando até a sala de jantar.
Eu me recomponho e começo a nadar até a sala de jantar.
Quando sento-me na pedra e me deparo com a mesma ceia de jantar, percebo que vosso pai estava totalmente estranho.
- minhas queridas meninas, preciso lhes dizer algo... Sinto muito pelo que irei dizer, mas é necessário... Comprometi cada uma de vocês com tritões de alto escalão e nobreza...
Engasgo-me com a alga que acabei de comer.
A que ele está se referindo quando disse " comprometi"?

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