"Um dia ensolarado faz bem a qualquer um". Era o que pensava Elisa, uma senhora que possuía certa idade ao tomar uma boa limonada na varanda de sua casa.
Ela gostava de limonada.
O neto Edmundo acabava de chegar da farmácia e logo se dirigiu a varanda. Ele foi ver o preço de um remédio para a avó, porém, distraído ele esquecera o nome do mesmo e voltou para perguntar. Encontrou sua avó ali, calma e tranquila. De repente ao tentar se levantar ao ver o neto, Elisa fica tonta e se segura na cadeira para não cair. O neto vê e sem demora vem ao auxílio da avó. Ele a segura e a ajuda a entrar em casa.
Elisa se senta no sofá da apertada sala e sorri para o neto.
- Obrigada meu filho, não estou muito bem hoje - Diz ela.
- Não se preocupe vó Lisa, vim passar as férias aqui com a senhora para ajuda-la em tudo. Já que a senhora não quis ir para São Paulo eu decidi vir pra cá - Falou o neto sorrindo de volta para a avó e se sentando ao lado dela.
- É sempre muito bem vindo meu filho!
Os dois ficaram ali desfrutando da companhia um do outro. Não era sempre que o neto visitava a avó e ultimamente ela estava sempre muito reclusa e inquieta. Era algo muito bom a visita, pois o neto amava a avó de paixão. Edmundo adorava a cidade pequena que era um abrigo contra o stress da cidade grande em que morava.
Edmundo fazia a avó sorrir com alguma historinha engraçada e a avó adorava ouvir o neto e gostava também de contar uma ou outra história para ele. O relacionamento dos dois sempre estava apoiado por boas histórias. Edmundo sempre trazia histórias reais, coisas do dia a dia que havia vivenciado e sempre conseguia contar de uma forma divertida para a avó. Já ela, sempre tinha uma história um tanto fantástica para o neto que sempre ouvia com gosto. Depois que Elisa perdeu o esposo há um ano, ela passava muito tempo sozinha. E sempre que o neto podia, ele a visitava nas férias. Ele era muito apegado a avó, mas ultimamente ela estava muito estranha. Falava que fazia tempo que não recebia visitas de um certo amigo.
Toda vez que alguém perguntava sobre quem seria ela desconversava, como se fosse um segredo. Era algo oculto, ou talvez até um delírio. A mãe de Edmundo dizia ao filho que a avó sempre falava de um período da infância de forma incomum. De pessoas que havia conhecido e até mesmo lugares que havia visitado. Ultimamente as menções a esse período estavam frequentes. Elisa sempre carregava um olhar melancólico, nostálgico e distante. Como se ela pertencesse a outro lugar, a outra época. Muitas vezes para sentir isso, Elisa não precisava falar nada, apenas sua presença no ambiente, sua postura, denunciava algo nesse sentido. Como se ela esperasse por algo ou por alguém que havia feito algum tipo de promessa a ela e que ainda não havia cumprido. Ela aguardava algo e com toda sua simplicidade escondia alguma coisa no olhar e no falar. Mas ninguém possuía ideia alguma do que poderia ser.
A noite chegou com uma chuva forte naquele primeiro dia da visita de Edmundo a sua avó. Começou mansa, como uma tranquila chuva de final de primavera e foi ganhando força. Elisa estava na cama. Sempre gostou de ficar deitada quando chovia assim. Parecia que o dia ficava perfeito para se descansar melhor.
Ela abre uma gaveta de seu criado mudo e pega uma sacola. Ela essa sacola com suas mãos enrugadas e delicadas bem devagar e de lá ela tira um caderno velho. Ela o abre e da uma pequena lida em suas primeiras páginas. Era um caderno fino e possuía algumas folhas amassadas. Elisa ainda possuía uma boa visão e não necessitava de óculos. Corria os olhos sobre cada linha e seus lábios mexiam pronunciando baixinho cada palavra. Ela fecha o caderno e um lágrima corre pelo seu rosto. Ela limpa rapidamente, mas o neto, que havia entrado no quarto silenciosamente para ver como ela estava, já tinha visto e não disfarçou de forma alguma. Fez questão de mostrar a avó que havia visto sua emoção.
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Cosmo Distante
FantasyEdmundo jamais imaginaria que um dia sua avô Elisa tivesse vivido uma aventura incrível quando ainda era uma verdadeira criança, em um outro mundo além do nosso. Ao ler seu diário ele descobre a existência de um mundo incrível e inimaginável. Com um...
