Não sai arte de um peito que sofre.
Sai dor, angustia e ressentimento.
Sai palavra não dita. Choro sem chorar, desabafo mudo.
Em um peito que sofre, não há palavra suficiente, não há metáfora delicada,
não há você
(nem nada)
Num peito que sofre tem agonia.
Pressa.
Uma pressa que não sabe de nada.
Nem o que deseja apressar.
E, ao mesmo tempo, tudo passa tão dolorosamente lento.
Dolorosamente sozinho.
Dolorosamente incontrolável.
Não sai arte de um peito que sofre.
Só melancolia.
