Nós nos mudamos de cidade um mês antes de eu completar 16 anos, mudamos para Brighton-Londres, meus pais são divorciados, por motivos que mais para frente entenderão. Espero que seja um novo e bom recomeço.
_ Mãe, vamos perder o ônibus. Gritei pegando as poucas coisas que ainda restavam naquela casa. Não queria deixar a Gold, minha Golden Retriever, ganhei-a quando completei 10 anos, dei o nome porque achei que combinava com o da raça, desde então me apaixonei por animais. Se eu pudesse eu teria todos os animais do mundo. Minha mãe falou que nos mudaríamos para um apartamento que não permitia animais e que por isso não poderia leva-la. Chamei a Gold, que veio correndo toda saltitante. Mal sabia ela que iríamos embora e ficaria com meu pai, acariciei sua cabeça.
_ Até mais, Gold, não estou te abandonando, nunca faria isso, espero que ele cuide bem de você. Disse em meio às lágrimas que teimavam em escorrer por meu rosto.
_ Venha logo, vamos nos atrasar Myra. Falou minha mãe.
Acaricie-a pela última vez e sai correndo enxugando as lágrimas que tanto teimaram desabar em meu rosto. Entramos no táxi e fomos para a rodoviária. Entramos no ônibus e partimos rumo a Portland. Encostei minha cabeça no travesseiro que apoiei na janela e adormeci.
"Tinha 7 anos, quando ouvi o barulho da minha porta abrindo, achei que poderia ser a mamãe para me dar um beijo de boa noite, e cantar uma canção. Mas pela sombra da porta percebi então que era um homem. Fingi estar dormindo, não consegui identificar aquela sombra"
Acordei em um pulo, assustada, aquilo foi tão real, que parecia que estava ocorrendo de novo (Lembro-me que nesse dia, alguns amigos do meu pai dormiram em casa). Chegamos a Portland e fomos direto para o apartamento. Dali a um mês minhas aulas começariam.
1 MÊS DEPOIS.
_ Mãe, ande logo, faltam 5 minutos para dar o sinal do colégio.
_ Já estou descendo. Não quero chegar atrasada no primeiro dia de aula.
Entramos no carro e partimos para o colégio. Os porteiros ficaram me observando. Dei um aceno para minha mãe, ajeitei minha mochila nas costas e, quando dei o primeiro passo dentro do colégio, um homem robusto me abordou:
_ Olá, você poderia me acompanhar até a diretoria?
_ Claro!
_ Qual seu nome, garota?
_ Me chamo Myra, e como você se chama? Ele deu uma risada um pouco irônica.
_ Me chamo Logan, ja que nunca gostei desse nome, é meio estranho para um cara como eu, então me chame de Bryan.
_ Por que Bryan?
_ Escolhi esse nome porque gosto do seu significado. Disse com um certo brilho nos olhos, não conte a ninguém, Myra, esse é o nosso segredo.
_ Não vou contar a ninguém, sou boa em guardar segredos. Falei sorrindo. Chegamos ao local e a diretora perguntou:
_ Você é a Myra, certo?
_ Sim gostaria de pegar meus horários e a sala que vou ficar.
Ela imprimiu e me entregou. Segunda, terça e quarta fico até às 14h, e de quinta e sexta até às 16h. Ela me levou até a minha sala. Bateu na porta, a professora com cabelos meio grisalhos abriu-a porta e deu um largo sorriso. A diretora entregou um papel, que deduzo ser a minha ficha, a mulher aparenta ter uns 60 anos, agradeceu a diretora e fechou a porta. Pegou minha mão e me levou até à frente da sala, observou o papel e falou:
_ Seja bem-vinda. Poderia me falar seu nome, idade e de onde você veio?
_ Me chamo Myra, tenho 16 anos, vim de Brighton-Londres.
_ Pode se sentar, Myra.
Assentei-me na primeira carteira e ela começou a explicar sobre a Revolução russa. A professora se chama Mary, daria aula de história. As aulas passaram rápidas. Minha mãe estava me esperando na entrada do colégio, passamos em um food truck. Almoçamos em uma mesa perto de uma roda gigante, depois que almoçamos ela me levou para o apartamento e foi trabalhar.
Destranquei a porta e entrei, tive a sensação que a Gold estaria ali me esperando sentada em frente a porta, abanando seu rabo, e esperando para pular em mim e lamber a minha cara. Mas não estava, sinto tanta a sua falta, limpei a lágrima que já escorria pelo meu rosto, fechei a porta e coloquei a mochila no sofá.Fui ao meu quarto, deitei na cama e liguei a T.V., estava reprisando a primeira temporada de Gilmore Girls, fiquei assistindo até as 18h30.
Levantei peguei minhas roupas e fui tomar banho, quando acabei, me vesti e ouvi a porta da frente abrir, coloquei minhas roupas que usei hoje no cesto, peguei meu celular e desci para a sala, vi minha mãe sentada no sofá assistindo ao jornal.
_Oi, a gente poderia ir ao shopping hoje?
_Oi, hoje não, estou um pouco cansada, quero descansar hoje, quem sabe outro dia.
_Ok, vamos pedir pizza, então?
_ Vamos!
Peguei o telefone e disquei para a pizzaria e pedi a nossa pizza favorita, chegou em 30 minutos, comemos e guardamos o que restou. Fomos para a sala, assistimos a um filme que estava passando na Warner Bross.
_ Como foi seu dia, filha?
_ Foi legal, quando entrei no colégio, um segurança me abordou, e eu o achei bem legal, tem cara de ser durão, mas acho que no fundo não é. A minha professora de história parece aquelas velhinhas carismáticas, eu fiquei sozinha durante todas as aulas e no intervalo também e o seu como foi?
_ Foi cansativo, mas gosto desse novo trabalho em que arrumei.
Quando deu 22h30, dei um beijo de boa noite a minha mãe e fui pro quarto. Sempre gostei das estrelas, vivia observando-as quando era mais nova, saia pela janela e sentava no telhado para observa-las, elas me davam a sensação de poder estar em outro lugar, outra vida, para mim elas são cheias de vidas, são as vidas que já morreram e viraram estrelas. Eu entendo as estrelas, elas são cheias de segredos, eu também.
Tinha 12 anos , sai pela janela e me sentei no telhado, observei as estrelas que estavam cintilantes no céu escurecedor da noite, vi Gold correndo atrás de um esquilo que ali apareceu, minha porta estava aberta, chorei ali lembrando do que ocorria comigo, tinha a esperança de que iria passar mas não sabia quanto tempo isso ainda iria acontecer, levei um susto ao perceber que meu pai alegando que estava frio e que era para ir pra dentro, entrei para o quarto, me deu um beijo de boa noite e foi para seu quarto. Fechei a janela, e deitei na cama e adormeci.
"Aos 6 anos, papai entrou em meu quarto, trouxe uma boneca de pano, sorriu ao me ver com olhos brilhantes olhando para a boneca de pano.
_Myra, não quer ir lá mostra pra sua mãe sua nova boneca
_ Sim!! Falei toda animada, peguei a boneca, sai correndo em direção ao seu quarto.
_ Mamãe, mamãe! Olhe o que eu ganhei do papai, uma boneca de pano, mamãe.
_ Que linda, filha. Mamãe disse com uma voz chorosa. Abracei-a.
_ Mamãe, porque está chorando?
_ Uma velha amiga da mamãe virou uma estrelinha. Fiquei olhando para a boneca em minhas mãos e lembrei da minha flor favorita, ela me alegrava quando estava triste.
_ Mamãe, eu já volto.
Fui até a sala, tirei do vaso a minha flor favorita, corri de volta para o quarto da mamãe, sentei ao seu lado.
_ Mamãe, me deixa mais alegre quando estou triste. Disse entregando-a para ela. Imediatamente ela sorriu ao me ver entregando a flor.
Deu um beijo na minha testa e disse que já estava se sentindo melhor, e que eu deveria ir dormir. Então dei um beijo em sua bochecha, peguei minha nova boneca e fui para o quarto dormir, nesse dia eu sai pela janela, observei as estrelas e imaginando que no meio delas a mais brilhante seria a velha amiga da mamãe." Depois que me lembrei, eu cai no sono.
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Myra
RandomAlerta: PODE CONTER GATILHOS ''Acordei em um pulo, assustada, aquilo fora tão real, que parecia que estava ocorrendo de novo ''
