É tudo tão intenso
Chega de lutar
Chega de resistir.
Já não sinto nada
Nada que me faça mudar
Nada que me ajude a superar
Nada que me dê uma luz
Já não sinto nada!
Chorando na madrugada
Sinto meu coração acelerar
Meu peito queimar,
Sinto um nada na minha cabeça
e dói...
Dói como um balão prestes a estourar
Aconteceu algo:
Um "pause".
Está tudo parado
Vozes são apenas um fundo
As lágrimas secam
As forças se acalmam
O meu maior demônio
Agora parcialmente controlado: a raiva.
O coração e o peito voltam vagarosamente para sua harmonia
A parede branca reflete o que eu sinto: nada!
Decisões e atitudes são um fardo
Raiva é uma consequência
Consequência insana que me consome
O descontrole é inevitável
Palavras faladas
Corações machucados
Arrependimento aguardado
Orgulho alimentado
Impossível dizer que não sinto nada
Sinto tudo e bagunçado.
Hoje me importo
Me importo tanto
Em segundos não me importo mais
A anestesia foi aplicada.
Quero chorar
Não posso fraquejar!
Já fraquejei
Finjo que não.
Já posso dormir?
Acreditar que tudo não passou de um pesadelo
Como um carimbo
marcando o papel
Tinta composta por insanidade e Melancolia
Não!!
Hora de jogar!
Comparações, críticas e julgamentos estão na mesa
Todos a postos!
Negação dos seus atos é o principal movimento
Como posso ganhar?
Já sei as regras.
Mas como posso ganhar?
Adversários experientes
Mestres em se camuflar!
Jogo sem sentido
Com um único objetivo
Aperfeiçoar a máscara
Máscara que moldamos com ilusões
Ilusões que criamos
para a negação do que somos.
O que somos?
Somos consequências
Consequências de atitudes e decisões erradas
Fim de jogo!
Tudo pronto
Vamos pular carnaval
A parede branca hoje é o cofre
Sentimentos vergonhosos e isolados
Guardados por trás da alvenaria
Essa parede branca tornou-se o meu bloqueio.
Camila Aparecida
