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Mais profundo.... Mais... Mais um pouco... Estou quase lá... Quase... AAAAAAAH!
Gina dá um pulo abrupto da cama e permanece sentada.
- Que foi? Que foi? - pergunta desesperado Lion, aflito com quem poderia roubar sua casa à essa hora da manhã, 3 da manhã, mais especificamente.
Gina apenas dá uma leve risada.
- Estranho. Eu sonhei que estava com um cara em uma colina, escalando, e de repente veio um vento forte e quase caí. Mas parecia muito outra coisa. - Ela suspira comicamente.
Lion arqueia uma de suas sombrancelhas.
- Que cara?
- Ninguém, amor. - Ela pressiona os lábios em sua testa e se deita em sua direção oposta. Agarra parte livre da coberta e "dorme". Bem, é o que Lion pensa. Homens são realmente bastante lerdos.
Quem é Victor Alreads?
Esta pergunta permaneceu proeminente na mente de Gina, martelando, como se quisesse fazer um buraco na cabeça. Por mais que se negasse a pensar em uma fantasia, é o que realmente é, improvavelmente, não conseguia. Como poderia sonhar com alguém que nunca vira? Ela riu.

No dia seguinte, Lion vestiu rapidamente sua calça social, beijou suave e calorosamente seu queixo, em um determinado local que faz fronteira com seu pescoço. O simples ato fez Gina acender. Realmente ama esse homem. Ele disse que hoje teria muito trabalho, e que não voltaria para jantar com ela. Ela obstantemente estranhou a atitude, na realidade, Lion havia agido muito estranhamente ultimamente. Não querer jantar com ela é uma atitude bem estranha. Lion sempre diz que adora sua comida. E ela sempre adorou cozinhar para ele. Deve ser apenas serviço acumulado, pensou ela. Gina tentava todos dias dizer a si mesma que deveria se acostumar com o emprego de Lion. Um cara como ele está sempre ocupado. Então é claro que noites como essa não seriam incomuns.
Ela ligou a chave na ignição de seu Corolla XEI cinza metálico, e ligou o rádio. Nada de interessante, nenhuma estação. Então plugou seu USB no (Player) e em seguida conectou em seu celular. Músicas clássicas começaram a tocar e ela logo alternou a pasta.
- Puts - ela riu. - "Como começar seu dia deprimentemente". Que tal isso, hã?
Trocou a função para (...) e pegou um CD no porta luvas.
COLETÂNEA 104 SUCESSOS
IRON MAIDEN
- Rá! Agora sim.

°°°

Gina chega em seu trabalho e logo reconhece o sax familiar. Glenn Frey.
You belong to the city, you belong to the night, you belong to the city, you belong to the night...
Gina forçou a voz assim que o artista o fez, You belong, you belong!
Uuuuuu! - Soltou um gritinho breve ela de sua mesa. - Hoje o dia vai ser longo, tenho muito trabalho a fazer, minha chefe é uma megera... - Cantou ela seguindo o ritmo da música e parou rapidamente ao levar um cutucão de Garry.
Ela se ajeitou na mesa, ajeitou o crachá e fingiu estar muito concentrada em seu trabalho como uma fiel e dedicada funcionária. Srta. McCoy a olha de relance, desconfiada. Depois segue rumo à sua sala.
- Ufa. Foi por pouco.
Garry dispara em gargalhar.
- Você é louca Gina. Completamente maluca. - Ele ri comicamente.
Ela esboça uma careta.
- Falou o cara com a risada zoada e o apelido mais zoado ainda. "Garry, está com fome?"
- Ah não Gina, aí você está de sacanagem. Zoar meu nome é maldade.
- Ahh, onde está sua prepotência, Garry? - brinca ela.
- Pare, Gina. Já não basta me chamar de caracol do Bob Sponja?
Gina cai na risada.
- Vamos, scargô. Vamos trabalhar.
- Vou te matar, Gina.
Ela ri alto.
- Pare de rir.
Ela não o obedece.

°°°

Gina chega em casa tarde da noite.
O aparentemente vazio furtivo a impulsiona a ligar. Espere aí, melhor não. Ela deixa uma mensagem na caixa postal.
Me liga quando puder, estou com saudades... Hoje o dia foi estranho.
21:05, Sent by Gina.
Meu macarrão está horrível. Parece que só vou bem na cozinha quando você está comigo. (Risos)
Sua massa é tão saborosa... Enfim. Nos falamos depois. Um beijo.
22:49, Sent by Gina.
Eu já disse que te amo? Te amo.
00:43, Sent by Gina.
Lion? Você está aí? Espero que tenha uma boa noite. Até mais. Te amo.
01:01, Sent by Gina.
Gina fecha os olhos adormecida. Mas acorda bruscamente ao ouvir o bipe da mensagem. Dá um pulo da cama e pega o celular com tanta euforia que ele cai no chão e a bateria voa para o outro lado.
Droga.
Ela encaixa a bateria e fecha a tampa.
"Gina, vá dormir. Estou bem."
Nossa, foi mesmo Lion que mandou esta mensagem? Foi curto e grosso. Indiferente. "O que está acontecendo?", pensou ela.
Pensou duas vezes em responder, mas então propôs algo que talvez o interessaria. Gina detesta ficar de mal.
"Que tal saírmos amanhã? Podemos comer em algum lugar legal. Quem sabe um cinema?"
01:05, Sent by Gina.
Ela esperou 20 minutos.
Ele não a respondeu. Um aperto invadiu seu coração. Teria como essa angústia crescer mais ainda em seu peito?
Ela não poderia dizer que mais tarde ele a responderia, pois ele nunca agiu dessa forma. Sempre tão pontual. Algo está errado.
Gina buscou não pensar nisso. Tem medo da resposta.

°°°

Gina acordara pertubada com outro pesadelo que tivera. Só que desta vez não tinha ninguém lá para consolá-la. Tocou o lado de sua cama só para sentir o vazio novamente.
Suspirou de angústia.
Tentou erroneamente dormir; todavia o que apenas conseguiu fora dar breves cochilos.
O dia seguinte foi terrível.
Gina protagonista de The Walking Dead, a zumbi.
- Uau Gina, você está horrível... - entona Garry.
- Bom dia para você também.
- Você foi dormir que horas ontem, mocinha?
- Acho que nem cheguei a dormir. De fato.
- Uh.
- Gina, eu quero essas planilhas prontas até hoje, às 3. Pode começar agora. - Ordena Alma, sua odiosa chefe.
- Mas, Srta...
- Não, não, não, Gina, por favor. Só faça o que eu lhe pedi. PRA ONTEM!
Gina revira os olhos.
Pensa: sinceramente, não faço ideia de como fazer essas merdas. Será que não posso apenas atear fogo?

°°°

O dia de Gina foi exaustivo, e estava na louca e desvairada esperança de chegar em casa após um fim de semana conturbado e encontrar seu apartamento à luz de velas com uma surpresa, comida japonesa seria uma ótima.
Ela entra apressadamente e liga a luz. Então chama-o desesperadamente.
- Amor! Cheguei!
Ela procura-o em todos os cômodos, pois a surpresa é outra então, quanto charme, pensou ela.
- Lion?
Ela parou e pensou um pouco; "Onde ele poderia estar?" Estalou os dedos do meio e polegar simultaneamente. Pegou o celular em cima do sofá e ligou para ele.
Esperou 5, depois 10, 20, minutos e resolveu desistir. Na, provável trigésima terceira tentativa, desistiu, quando a voz automaticamente gravada disse: O número que você está chamando está desligado ou fora da área de cobertura.
A voz irritante e mecânica a fez querer jogar o celular no chão; contudo, ela não o fez: sentou-se no sofá marrom de camurça médio, que agora ao ocupá-lo parecia ter cinco vezes mais seu tamanho normal.
Buscou pensar. Raciocinar. O que estaria acontecendo? A essa altura as coisas estariam caminhando estanhas demais para serem meras coincidências do destino. Agora, impossíveis de se ignorar.
"Por que ele estaria me evitando?", pensou. "Mais que isso, por que raios estaria me ignorando e sendo indiferente comigo?"
Procurou razões para os mesmos. Não encontrou. Sempre se dedicara ao máximo no relacionamento. Até mais que ele, diria. Então, por quê? Essa é a pergunta que não consegue responder a si mesma, tampouco tirar de sua cabeça.
Pensar nisto já estava criando galos em sua cabeça, olhou para seu rosto através do visor do celular: até rugas pareciam criarem-se ali.
Precisa comer. Algo a cutucava. É verdade, pensou.
Foi até a cozinha pegar uma lasanha bem recheada, de presunto e queijo, sua favorita, aliás, aliás mesmo, queria muito era ter uma surpresa; comer algo diferente, mas pelo visto isso era o que ela tinha de melhor para comer.
Quando foi fechar a porta da geladeira congelou em frente ao ler rapidamente o bilhete:
"Só passei aqui para pegar minhas coisas. Recebi ontem uma proposta irrecusável. Então tive que me mudar rapidamente. Era isso ou ser demitido. Não me ligue, estou em reunião.
Lion"

Gina ficara azul. Teve a impressão de que sua pressão iria cair, assim como ela mesma. Segurou-se firme na porta da geladeira. Fechou os olhos. Sua cabeça girava. Poderia dizer que diversos pensamentos a rondavam, mas não. Não tinha absolutamente nada em mente. Na verdade, tampouco sabia dizer o que acontecera ali agora mesmo.
Algo surgiu: Faz todo o sentido.
Ela sentou-se no chão. Apoiou os joelhos rente à testa. Agarrou-os firmemente. Segurou uma lágrima, mas esta só fez descer outra, e outra, depois outra, até estar em prantos e chorar até soluçar. Não tinha mais fome. Só queria chorar. Porque era tudo o que podia fazer.
Chorou. Chorou mais um pouco. Chorou até esquecer quem é. Chorou ao ponto de não querer chorar mais; está com olheiras horrorosas. Talvez dormir poderia velar esta má aparência. Dormir. É a última coisa da qual ela queria fazer. Conquanto forçou a si mesma a fazê-lo. E por incrível que pareça, dormiu.

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