O olhar que não tinha alma

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Estava tudo tão próximo, eu aproveitei meus dias? Com certeza não, afinal com o que eu iria aproveitar? Exatamente, Nada. Bem hoje é um dia especial, eu já não aguentava essa rotina que mais me parece um inferno.
Eu até estou tranquila para o que irá acontecer, mas eu tenho certeza que a calmaria das minhas emoções bem de um enorme desejo e preparação, só espero o relógio correr para a hora tão esperada.
De manhã, tem muitas pessoas passando, pela tarde o tráfego triplica, e então ao anoitecer todos estão voltando, terei de esperar a madrugada.
Hoje pela tarde eu vi muitos animais se recolhendo, O inverno chegou logo quando irei, fico olhando de minha janela as pessoas com suas vidas, todos trabalham e trabalham para tentar serem bem sucedidos, para no fim serem enterrados e perderem tudo. Francamente isso é uma enorme tolice para mim.
O relógio me provação com seu tic-tac, repetindo e repetindo, penso em ceder a anciedade do momento mas logo me sussego em meus pensamentos, é uma tentação enorme, me provocando a cair de medo. Não posso permitir afinal, não quero desistir tão fácil, tamanho esforço para orquestra tudo.
Agora pela noite eu me pergunto "se não der certo?", Creio que estou cedendo lentamente ao medo, isso está me frustrando, afinal não quero ser atrapalhada por pensamentos próprios. Logo eu tão decidida, fraquejando por um medo estúpido.
Assim que eu mesmo notei eu estava na rua, o clima parecia pesado e sombrio, tudo bem afastado e vago, as luzes desfocadas na minha visão, sigo andando para o asfalto molhado com com os pingos de chuva, eu me sentia vigiada, a meu cérebro queria me fazer voltar.
Eu já estou chegando no lugar tão esperado, sem carros, sem chuva, sem pessoas, sem sons... sem nada. Eu coração batia rápido, batia forte, o frio na barriga já estava virando agoniante e desconfortante. Escalei a grade de proteção e então fiquei sentada na beira, olhando para baixo.
Era como se tudo que eu já havia feito estivesse voltando a tona, tudo me cercava, tudo me sufocando, me torturando. Eu estava tremendo de medo, o que não era pra acontecer! Fechei os olhos calmamente e então...

– Eu estou vendo claramente que você tá com medo. – Disse uma voz calma.
– Como caralhos?! – Falei assustada —Quem é você?!
– Eu sou alguém que viu que você está com medo, qual seu nome? – Ele perguntou ainda calmo.
– Você é maluco?! – continuei gritando frustada.
– Eu sou um cara normal, fazia uma caminhada e agora aqui ajudando uma suicida.
– Quem faz caminhada às 3:00?! – Olhei pra ele.
– Eu, olha eu sei que você tá meio nervosa mas, meu nome é Alex. — Ele me olhou, abriu um sorriso e falou. – A dona nervosinha não tem nome?
– Você o que de mim? Me estuprar? Dinheiro? Me sequestra? Me "salvar" depois postar na internet? – Comecei a perguntar impaciente.
– Não, não, não e quase, tirando a parte que eu não vou postar. Só quero tentar te fazer mudar de idéia. – Ele falou sentando-se no chão, encostado na grade de segurança.
– E o que te faz pensar que eu mudaria de idéia falando com um desconhecido? – retruquei.
– O simples fato que você tem medo de dar errado, e que não quer desperdiçar a sua vida, porém não quer viver o mesmo cotidiano de sempre, está cansada e só quer tentar ter um pouco de paz, mesmo que seja de forma desesperada. – Ele falou serenamente. – Seu olhar sem alma me diz tudo isso.
Fiquei calada refletindo, eu realmente queria o fim de forma desesperada.
– Achei que ia falar que tem pessoas que me amam e etc... - Disse curiosa.
– Eu não tô nem aí se alguém ama você, pessoas são relativas, você pode viver sozinha, porém ser bem feliz. Ou viver rodeada de pessoas, mas ser infeliz. – Ele falou com tom sério porém meio jogado.
– Você é algum tipo de psicólogo? – Falei intrigada com o peso de suas palavras.
– eu só tenho 19 anos. – Ele disse rindo.
– Meu nome é Alana. – Falei escalando a grade se segurança. — Você é de longe a pessoa mais estranha que conheço.
– Vou encarar como um elogio, Alana. – Ele deu as costas e foi andando para longe.
– É assim? – Gritei para ele me ouvir.
– Eu vejo você depois! – Disse ele já indo embora.
- Vejo... você depois? – Repeti para mim mesma.

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⏰ Son güncelleme: Jan 10, 2019 ⏰

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