Capítulo único

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Os olhos se abrem subitamente, ele olha ao seu redor. "Tudo está como deixei", ele pensa. Ed, por uns momentos, reluta em levantar, pois sentia-se cansado. Após alguns minutos mais na cama, ele resolve se levantar e, ao caminhar até a sala, alguns ruídos se tornam mais audíveis. Ele, então, chega em sua sala e percebe que, na TV, estão sendo transmitidas cenas brutais de assassinato. Ele vê uma mulher tendo sua cabeça despedaçada por um tiro de espingarda, quatro crianças sendo torturadas, tendo cada um de seus ossos quebrados, tudo isso em frente a um homem que parecia ser pai dos pequenos. Vendo todas aquelas cenas, Ele parece sentir-se mal e resolve sair. Ao atravessar a porta de seu apartamento, percebe que o corredor de seu andar no predio tinha algo diferente, o ar parecia estar "pesado", mais do que o normal, mas Ed não dá muita bola para aquela estranha sensação. "Já tive dias piores", pensou. Então, ao sair do predio onde morava, percebeu que havia REALMENTE algo de errado.
Ed vivia em uma cidade enorme, que estava sempre movimentada e, assim que saiu de seu prédio, notou um vazio na cidade. Ao seu redor haviam carros sucateados, predios destruídos, lixo espalhado por todo canto mas, por onde passava, não via uma viva alma. Não havia ninguém na cidade! Ele olhara por centros comerciais e bairros residenciais mas não via ninguém. Ed avistou um shopping e notou uma fumaça negra vindo de lá. Decidiu, então, ir até o local, na esperança de encontrar alguém, pelo menos um corpo morto, pois nem isso ele via. Chegando no tal shopping, ele notou que as chamas que geravam a fumaça ainda estavam altas e, de repente, um enorme estrondo é ouvido do outro lado do shopping. Uma enorme explosão acontecera e Ed se assustou com aquilo, o estrondo o fez correr até uma loja de esportes destruída e procurar algo para se protejer. Em meio ao desespero, foi ouvido um grito que mais parecia um grunhido estridente e, sem saber de onde o barulho veio, ele agarra um taco de baseball. Suas mãos tremem e ele mal consegue empunhar o objeto firmemente, a medida que ele escuta algo como latas sendo derrubadas ao longo dos corredores do, até então, silencioso shopping. O desespero toma conta de Ed, aquele barulho de objetos caindo se aproxima dele e os gritos ficam mais altos. "Mas que merda é essa?", pensou em pânico, o suficiente para fazê-lo sair em disparada na direção contrária aos ruídos e, quando estava no corredor principal do shopping, o grito estridente aumentara, fazendo Ed acelerar como um corredor profissional, tropeçando nos objetos à sua frente. Ele olha pra trás e ve uma sombra gigantesca correndo, parecia sentir o cheiro de seu desespero. Objetos são jogados na direção da tal sombra e a fuga continuava, mais intensa a cada passo. Após muito tentar despistar aquela sombra, Ed se depara com um corredor bloqueado e um pequeno caminho estreito à sua esquerda, com um beco de uns 3 metros e uma porta no final. Ele vai por esse corredor e, quando a sombra se aproxima, ele, sem olhar pra trás, abre a porta, a atravessa e para na antesala de seu apartamento.
Ofegante, Ed se recosta na porta por longos minutos, sua cabeça se abaixa lentamente, como se estivesse perdendo a consciencia, até que ouve um barulho, como o de um tiro, ele olha na direção da TV e percebe um homem caído, com uma das pernas ensanguentada, chorando de dor. Ele se aproxima do homem e seu semblante muda repentinamente, de medo para frieza, beirando a psicopatia.

- Por favor, piedade! - o homem suplica, enquanto tenta se agarrar nas pernas de Ed.

- Não é nada pessoal, amigo. Só estou fazendo meu trabalho, já que você não fez o seu. - Ed responde ao homem, em um tom apático.

- Eu tenho família! Te imploro! - o homem insiste, enquanto Ed o chuta, fazendo sua cabeça bater no chão.

Ele se aproxima do homem, saca uma pistola de seu terno e aponta na direção do rosto do homem.

- Devia ter pensado nisso, antes de não cumprir sua parte do acordo que fez.

Ed atira impiedosamente no rosto do homem, estourando sua cabeça. Assim que o tiro é disparado, ele sente como se tivesse acordado naquele momento, sua roupas não eram mais um terno e gravata, ele voltara a usar seu jeans e camiseta branca que vestia antes de entrar em casa novamente. Quando olha para a TV, vê o homem que ele havia matado sendo transmitido, enquanto várias vozes ecoavam do aparelho, chamando seu nome e o acusando de assassino, mercenário, psicopata, além de xingá-lo de rato. Ed, então, se enfurece e sai novamente, pouco antes da imagem em sua TV mudar. Ao bater a porta de seu apartamento sua televisão transmite imagens de um homem caído, com o rosto coberto de sangue, desfigurado e, ao longe, um vulto pode ser notado, ao mesmo tempo que um som extremamente alto é ouvido em sua TV.
Do outro lado da porta, Ed se depara com um corredor mal iluminado, com o teto baixo, onde o cair de gotas ecoa ininterruptamente.

- Que porra é essa?! - exclamou involuntariamente, enquanto tentava entender a razão de ter ido parar ali.

A medida que Ed avançava pelo corrdor, ele percebia o desmembramento em becos menores, mais estreitos e escuros e, por mais que aquele lugar parecesse um labirinto pra ele, nenhuma outra pessoa foi vista. Avançando por aquele lugar, ele tropeça em uma barra de ferro e cai no chão, percebendo que caiu em um tipo de pele de animal morto, Ed se levanta rapidamente e, pegando a barra de ferro para se defender, foge dali sem rumo pelos corredores escuros. Ele sente uma corrente de ar e tenta seguí-la. Após vagar por mais alguns corredores, ele encontra a tal fonte do vento que sentiu: uma passagem que dá para um tipo de poço que, de onde Ed olhava, parecia sem fundo e, no alto, havia uma hélice gigantesca girando lentamente, o que geravam pontos de luz e penumbra alternados. Aquilo lhe deu calafrios e, no momento em que tentou voltar, ele ouviu pequenos e rápidos estalos se aproximando. Aquilo o pôs em estado de alerta, com a adrenalina no máximo, fazendo-o empunhar a barra de ferro que havia conseguido antes. Os ruídos haviam se aproximado de Ed e, daquele corredor escuro de onde ele viera, surgiu uma criatura de cerca de 2 metros de altura, o ser tinha um corpo de um humano nu, com cauda, pelos nas costas e cabeça assemelhando-se a um rato. Com um grito estridente, Ed acabou notando que era a mesma criatura que o perseguira no shopping. A medida que o estranho ser se aproximava passo a passo, ele resolveu não enfrentá-lo e, jogando a barra de ferro na direção daquela aberração, mergulhou no "poço", sem saber o que o aguardava lá embaixo. A medida que caía, ele ouvia os gritos da criatura se distanciando, mas ainda suficientemente altos para machucar seus ouvidos.
Após uma longa e tortuosa queda, Ed mergulha em águas turvas, aparentemente um esgoto. Ele não teve escolha a não ser nadar até encontrar uma saída daquele lugar inundado. Encontrando uma pequena sala, ele pode, finalmente, respirar. Aquele cubículo tinha uma porta enferrujada, ele tentou abrí-la e, durante as tentativas, a criatura reapareceu e, no momento em que a porta foi aberta, ele sentiu as garras da criatura arranharem suas costas. Rapidamente, Ed entra pela porta e a tranca. Novamente ele está ofegante, além de ter ferimentos profundos em suas costas. A criatura parece estar do outro lado, pois ele ouvia seus gritos e fortes golpes na porta. Ele percebe que está em seu apartamento novamente mas, agora, tudo estava mais escuro, com a televisão chiando e as luzes do quarto e do banheiro se apagando intermitentes. Enquanto a criatura batia à porta insaciavelmente, ele caminhava até a frente dá TV e, lá, ajoelhou-se.

- O que eu fiz de errado?? - Perguntou Ed, em prantos e desesperado por saber que, a qualquer momento, a porta de seu apartamento vai ceder aos violentos golpes.

Naquele instante, novas imagens aleatórias passavam em sua TV e ele ouvia sussurros em seu ouvido. As vozes voltaram a atormentá-lo, chamando ele de assassino, mercenário, rato inescrupuloso e, algumas delas, nitidamente, gritavam "você vai se afogar em seu próprio sangue, filho da puta!". Ed correu para seu quarto, procurando por remédios, na tentativa de aliviar as dores das feridas em suas costas. Enquanto procurava, ele sentiu um toque em seu ombro direito, aquilo o assustou e o fez cair sentado no chão, olhando para a parede que estava à sua direita, de onde surgiram várias mãos negras, aparentando serem feitas de carne podre. Quando Ed se deu conta, haviam dezenas de mãos como aquela espalhadas pelo seu quarto e, junto com elas, gemidos e urros raivosos, clamando o nome dele. Mas o que realmente o deixou em frangalhos foi o rosto que surgiu na parede à sua frente, chamando por ele e dizendo que, dali, não haveria escapatória, nem que se arrependesse de tudo o que fez. Ed acabou se mijando de tanto medo daquilo e correu de volta para a sua sala onde, frente à sua TV, ele viu a criatura com cabeça de rato que o perseguira e, em um pulo ágil, ela já estava em seu pescoço, roendo suas veias, fincando as garras de seus pés no estômago de Ed que, de tanta dor e desespero, entrou em choque. O estado catatônico o manteve acordado, sentindo toda a dor, até que a criatura termina com um golpe em seu rosto, o que o desfigura, fazendo finalmente com que ele feche seus olhos. Tudo era vazio, Ed apenas pode ouvir a criatura indo embora de seu apartamento e algumas risadas enquanto ele caía na escuridão do inconsciente.
Os olhos se abrem subitamente, ele olha ao seu redor. "Tudo está como deixei", ele pensa. Ed, por uns momentos, reluta em levantar, pois sentia-se cansado.

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⏰ Terakhir diperbarui: Jan 06, 2019 ⏰

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