Chapter One. People are all over.

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Boston, Massachusetts – 13:32

AMBER não se sentia mais nervosa fazendo isso. O único impacto que sentia dentro de si era a excitação, que pode tanto ser como não ser da cocaína que havia cheirado já naquela manhã.

Agora, a mesma estava sentada no banco traseiro de um táxi e em suas mãos um pacotinho embrulhado em um saco brilhante. Dentro desse pacotinho estava alguma substância ilícita que ia fazer a entrega. Tudo naquele momento era suspeito; qual o sentido de colocar algo ilegal dentro de uma embalagem que chamaria tanto a atenção? Por que o comprador havia marcado um lugar tão aberto e no meio do dia para isso? E sem mencionar seu nome, Reno? Isso não é um filme de cowboy.

A garota era despreocupada demais para se questionar de tantos detalhes, mas não o seu companheiro, KLAUS LEHDER. Os dois já estavam morando juntos por um mês e sua relação sempre foi de “escambo profissional”, como gostavam de falar. Em troca de um teto e proteção, Amber Hill havia oferecido a ajudar nas suas vendas, que tinha grande demanda já que era um dos melhores traficantes da região.

Dentro do casaco verde, seu telefone Motorola StarTAC começou a tocar algum som patético que indicava que ela estava recebendo uma ligação. Fica perdida procurando o aparelho nos infinitos bolsos da jaqueta e depois de um bom tempo acha. Na tela, o nome de Klaus brilhava. Atendeu a ligação já um tanto impaciente pois parecia nunca chegar no lugar marcado.

- Fala.

- Volta pra casa. Agora. – A voz dele tremia.

- Por que? Eu ainda não fiz a entrega que me pediu.

- Você quer saber o por quê? É porque você é uma desleixada que não acorda para a vida! Reno! Eu sabia que isso não podia ser um nome real. – As palavras saiam descontroladas de sua boca, o que deixou Amber frenética.

- Seu filho de uma puta!- Abre a boca se sentindo insultada e grita, dando um tapa no banco da frente, o que chama a atenção do motorista que vira para perguntar se estava tudo bem.- Não, não está tudo bem. Volta pra onde você me pegou, eu preciso ir bater em um cachorro.

- Foda-se, eu não ligo. Só vem logo pra cá, porra!

- Você nem vai me falar o por que de tanto desespero?

- Ele é da polícia, Amb, da police.

Essas palavras foram o suficiente para fazer com que seu corpo todo se esquentasse de raiva e fosse tomada pelo desespero. Começou a perder o raciocínio e a primeira coisa que fez foi jogar a encomenda pela janela. Foda-se, não era seu prejuízo. No caminho todo de volta só conseguia pensar em quais palavras poderia usar para xingar Klaus. Achava que uma simples foda não resolveria as coisas dessa vez. Quando chega de volta ao apartamento, joga uma nota amassada no banco do piloto e ameaça o taxista:  

- Se te perguntarem, você nunca me viu, tá me ouvindo?- Só não ameaça mais verbalmente o motorista por que sabia que ele entenderia a mensagem assim que visse os dois X nos olhos do rosto estampado no dinheiro.

O prédio parecia abandonado, era mal cuidado e pouco habitado, perfeito para um traficante. Ela sobe as escadas correndo já com as chaves na mão, abre a porta da casa e grita para os três andares de prédio inteiro ouvir

- Mas que caralho?


No outro lado de Boston, Massachusetts – 13h47

Os passarinhos cantarolavam pra for a da janela, o sol raiava e os esquilos corriam felizes pelos jardins, mas isso só lá fora mesmo. Dentro da casa, FREDERIC acordava de mau humor mais uma manhã. As excessivamente peludas pernas de NORMAN estavam em cima dele, que joga elas pra longe para conseguir se levantar e acordando o mesmo.

- Dia, tarde, noite. Se levanta.

- Nem deseja que seja bom mais, poxa?

- Tanto faz.- Ele pega um roupão jogado pelo quarto e cobre seu corpo pelado.

- De novo mal humorado, Frederic? – Uma voz feminina vem debaixo da cama que pertencia a MAY, ela havia dormido também pelada debaixo deles, por que não aguentava mais o entra-e-sai repetitivo dos dois. Eles eram insaciáveis! – Hoje é um novo dia, mude sua atitude! Novo dia, novo sol, nova carreira, novo canudo…

- Quer que eu mude de personalidade também e invoque o Devon em mim? – Frederic sabia que o único jeito de calar a menina era insultando sua doença. A mesma sobe na cama e se encolhe, fingindo estar se sentindo vulnerável.

Eram as três personalidades mais difíceis da pensão. Um Sherlock Holmes sem glanour, uma Arlequina doida de pedra e um total psicopata, e claramente seriam os mais barulhentos do local, com gritos e gemidos durante dia e noite para perturbar os vizinhos, que eram dividos entre traficantes, drogados e famílias que fugiram dos seus países ainda não eram muito melhores que eles. Era um casarão perdido e mal cuidado no centro da cidade, o que não era raro de se ver lá perto. Seu interior era estilo de casa antiga, muito mal tratado porém ainda pode se ver uma beleza nele, nas escadas de madeira e nas portas com seus detalhes desenhados.

Já foram ameaçados de despejo incontáveis vezes, mas Frederic Thomson ganhava as pessoas na lábia (ou nos lábios…)

Rumou ao chuveiro com um cigarro na boca indo fazer seu ritual de preparação para dias como esse, enquanto no quarto Norman Bright e May Bluewood riam e brincavam de seu jeito sádico.

A moça loira de cabelos curtos pega uma mordaça gag, muito presente nas suas histórias de vida, que estava jogada na cabeceira da cama e se posiciona em cima de Norman.

- Relaxa.

Pede e coloca a bolinha vermelha em sua boca, o garoto estava com sono demais para impedir então a deixa fazer o que quiser. A garota começa a passar as mãos em seu cabelo e em seu rosto, os dedos passavam delicadamente pelos seus poros até a boca. Os olhos dela eram frios e centrados, tanto que ela nem piscava naquele momento. Isso seria uma imagem assustadora para qualquer outra pessoa sendo vítima disso, mas estavamos em um cenário com Norman Bright, e nada era mais assustador que suas próprias ações.

As mãos de May enforcam seu pescoço de maneira sensual, até que pega ele de surpresa qua do começa a simplesmente tentar enfiar a bolinha mais fundo, quase aterrando na em sua garganta, o fazendo perder o ar e engasgar. A mesma começa a rir da cena do amigo quase morte do enquanto ele tira o brinquedo sexual da boca e começa a dar um sermão nela, a puxando pelo cabelo e dando tapas em seu rosto.

- Você está ficando cada vez mais louca, sua vadia! Ouviu? Louca! – Dizia enquanto continuava a bater e a deixar marcas na pele super branca da menina que nem estava ligando. Todo o sono naquele ponto já havia passado, a violência era o que os deixava acordados.

Frederic ouve os gritos e as risadas exaltadas então assume que os dois ainda não estavam prontos para sair.

- Será se vocês podem parar de serem dois porcos preguiçosos e se arrumarem logo?

- Você sempre acaba com a diversão, Thomson. - May se larga das mãos de Norman limpando o sangue que escorria do canto de sua boca, ainda dando risada. 

Frederic deixa a toalha cair ficando totalmente despido mais uma vez, exibindo seu corpo malhado que distrairia qualquer um, menos os dois que estavam acostumados a ver (e a tocar) aquilo todos os dias. O trio coloca suas roupas escuras e pega suas máscaras para sair.

Já prontos, Norman joga a mordaça babada no rosto do companheiro, que faz cara de nojo quando sente o cheiro do objeto, que ainda tinha o mau hálito matinal do rapaz.

-Feliz agora? Vamos. – Diz já esperando por eles na porta.

   E lá vão eles, rumando a mais outro roubo, só mais um na lista de seus crimes.

Desperation HouseWhere stories live. Discover now