Sexta-feira, 8 de junho de 2018
– Oh, querida! É tão bom ter-te cá!
– É bom estar aqui. – respondo à matriarca da família, a minha avó, a quem eu devolvia o seu abraço apertado.
– Anda! O teu avô está lá fora à nossa espera. Deves estar cheia de fome, estás tão magrinha, filha. Vou ter de falar com a tua mãe para te alimentar melhor. – pega-me numa mão e puxa-me para a porta que nos levava ao exterior do aeroporto, indo ao encontro do meu avô.
– Chica! Minha neta preferida! – sou imediatamente abraçada pelo meu avô materno, abraço esse que, claramente, foi correspondido.
– Sou a sua única neta, avô. – rio-me enquanto o ajudo a colocar a minha mala de viagem na bagageira do carro do idoso casal e, em seguida, sento-me no lugar de trás do mesmo.
A viagem até casa dos meus avós tinha sido curta, cerca de vinte e cinco minutos. Durante esse tempo, os meus avós foram-me contando algumas peripécias que não me tinham contado por telefone nas várias chamadas semanais.
Há cerca de cinco anos, os meus pais decidiram mudar de cidade, tendo a mudança sido feita do Porto para a capital. Na mesma altura, após a reforma do meu avô, o casal que estava casado há quarenta e sete anos resolveu embarcar numa aventura e ir morar para o arquipélago, com o intuito de levar uma vida mais calma.
Quando chegamos a casa dos meus avôs, a minha avó tratou de fazer um lanchinho para nós os três enquanto o meu avô me ajudava a instalar no quarto de hóspedes.
– Quantos dias é que vais cá ficar? Tenho a certeza que a tua mãe, e até a Dona Emília, já o disseram, mas agora falha-me a memória.
– Sim, avô, tenho a certeza que a avó Emília já o teria mencionado, mas apenas ficarei dez dias. Tenho exames nacionais para realizar em Lisboa.
A conversa ganha asas e, de repente, já estamos a falar sobre o meu futuro e a minha escolha universitária que, desde pequena, é Direito. Ouvimos a minha avó a chamar-nos para o lanche e descemos as escadas.
◈
Apesar de se encontrarem ambos reformados, os meus avós eram proprietários de uma padaria no centro da cidade, o que significava que tinham constantemente de lá estar a controlar tudo e ajudar os funcionários se fosse necessário. Hoje, não era exceção.
Como tinha ficado em casa sem nada para fazer, peguei na bicicleta, que pertencia ao meu primo Afonso, e fui dar uma volta pela cidade. Após alguma pedalada, parei junto à praia Formosa de modo a descansar os músculos e comer um gelado.
Encostei-me a um muro enquanto olhava o mar à minha frente, aproveitando para tirar umas fotografias. Após ter escurecido um pouco, e a maioria das pessoas se terem ido embora, sentei-me na areia a apreciar aquilo que se passava à minha volta.
– Definitivamente, a melhor vista da Madeira. – ouço uma voz e, finalmente, reparo no rapaz sentado do meu lado direito.
– Sim, o pôr-do-sol é incrível. – continuo a olhar para o rapaz que aparenta ter a minha idade. Aprecio o seu físico, reparando que se encontrava apenas de calções de ganga.
– Estava a falar de ti, mesmo. Mas concordo, o pôr-do-sol é incrível. – solto uma gargalhada, abanando a cabeça – Estou a falar a sério, miúda.
– Costumas dizer isso a todas as raparigas? – questiono enquanto me aproximo dele.
– Nem por isso, apenas àquelas que se encontram sozinhas na praia e que, sem sombra de dúvida, não são destes lados. – levanto a sobrancelha enquanto espero que me diga o porquê de achar que não era da ilha – O sotaque... definitivamente não és de cá.
– Francisca.
– Miguel.
– E sim, tens razão, estou só de visita à Madeira.
A conversa com Miguel ganhou asas e seguia por diferentes temas. Primeira impressão era que ter uma conversa com o rapaz era bastante fácil, uma vez que não demonstrava ser daqueles rapazes sem cérebro, típicos desta idade.
Miguel comentava que era natural da pequena ilha, mas que, tal como eu, estava apenas de visita. Contou-me tudo sobre os amigos que tinha no continente e deixou escapar que era jogador de futebol, sem nunca revelar que equipa representava.
Já eu, revelei que ambicionava entrar na Faculdade de Direito, de modo a que pudesse seguir a área de Direito Internacional e poder nos ajudar em conflitos internacionais, que, muitas vezes, contavam com as intervenções de organizações, tais como as Nações Unidas.
– Desculpa. – digo, enquanto retiro o telemóvel do bolso de trás dos jeans – Sim, avó? (...) Estou na Formosa, distraí-me com as horas. (...) Não se preocupe, vou já para casa.
Volto a colocar o dispositivo no lugar em que se encontrava anteriormente e, mais uma vez, deposito a minha atenção em Miguel.
– Precisas de ir, não é? – abanei com a cabeça, dizendo que sim. – Vamos, eu acompanho-te.
Levanto-me com a ajuda do madeirense, que me estende a mão.
– Sabes que não tens de fazer isso, certo? Não me vou perder.
– Não é uma questão de te perderes ou não, Francisca. É uma questão de que não consigo te deixar ir embora sozinha, sabendo que já passa das oito e meia da noite e que nunca sabemos quem é que anda por aí.
– Estás pronto para pedalar? – Miguel solta uma gargalhada que contagia e retira do bolso as chaves do seu carro.
– Bicicleta na bagageira, por favor.
Dou-lhe a morada da casa dos meus avós e ele segue viagem. São apenas quinze minutos, mas que, para nós, serviram para trocar números de telemóvel e combinar atividades a realizar no dia seguinte. Quando Miguel me avisa que chegamos, consigo reparar, pela visão periférica, que o meu avô se encontra à janela.
– Obrigada pela tarde, Miguel.
– Não tens de quê. Também te agradeço, Francisca.
Despedimo-nos com um beijo na bochecha e um abraço.
– Amanhã venho-te buscar por volta das nove, pode ser?
– Mal posso esperar.
segundo o documento word do meu querido pc, esta coisa está escrita desde meados de julho mas, vá-se lá saber porquê (lê-se: "a Filipa é uma incompetente que coloca um ou dois capítulos de uma história e depois não a atualiza durante um ano") nunca a publiquei.
espero que gostem!
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madeira » miguel nóbrega
Romance10 dias na ilha da Madeira mudam, completamente, as vidas de uma futura estudante de direito e de um jogador de futebol.
