O solo sagrado estava bem a sua frente. Lynn não sabia se deveria ir lá ou simplesmente voltar novamente para onde estava. Era madrugada, os galhos das árvores haviam machucado a sua pele durante a caminhada. Não estava exatamente perdido, podia ver, mesmo que de longe o fogo que horas antes eles tinham feito para afugentar animais perigosos. Como ele havia parado ali era uma questão a se pensar, lembrava de ter dormido em algum momento e quando acordara não era exatamente seu saco de dormir que estava ao seu redor e sim, galhos. Puxou uma respiração, o medo se fazendo presente ao ouvir um galho se quebrar e folhas se mexerem bem ao seu lado. Não ousou se mover ainda que todos os seus músculos dissessem para correr.
Uma figura saiu das sombras, o coração de Lynn quase afundou dentro da caixa torácica. Um cabelo de cor prata foi a primeira coisa que viu e seu suspiro foi audível ao perceber que era sua irmã gêmea que estava ali. Layanna moveu seu casaco para encobrir um pouco mais do pescoço, deu uma olhada ao redor e farejou o ar, seus olhos cravaram exatamente onde estava Lynn que tratou de sair das sombras onde estava se escondendo. Os olhos com de âmbar de Layanna brilharam no escuro, um sorriso felino repuxou o canto de sua boca.
— Você também sentiu?
Um breve acenar foi a única resposta de Lynn. Bateu um pouco as folhagens que estavam grudadas em sua roupa e juntos foram para o lugar que antes, Lynn fitava.
— Você me assustou como o inferno, Laya.
Dando uma breve risadinha a irmã deu de ombros. Olhou para cima a e ainda podia notar a lua. Era lua cheia e para variar era noite de lua de sangue. Todos ficavam intocados na mata por conta do que acontecia com eles a cada lua de sangue. Há muitos anos, um cháman havia tido um sonho, uma praga estava vindo para ameaçar todas as tribos conhecidas. O mundo já era não mais o mesmo, o respeito entre raças havia se perdido. A tribo de Eli, era uma das únicas que ainda preservavam os antigos costumes. Sempre que aprecia a lua cheia, levava todos os remanescentes para um local específico dentro da mata. Só assim para segurar a besta dentro de cada um. A Deusa da lua os ajudava a ter controle sobre a sua transformação e mesmo que ela acontecesse eles ainda saberiam que o único fruto de sua alimentação eram os animais e não uns aos outros. A praga afetava todos os licantropos, fazendo com quem tudo o que eles vissem em frente fosse fonte de comida. Mas não àquela tribo.
Ao chegarem no círculo que ali formava, q sensação de energia estava entrando em sua própria pele, Lynn deu um aperto na mão de Layanna. O pai de ambos havia dito uma profecia havia anos, eles tinham apenas cinco anos quando souberam do seu destino, todos tentaram tirar a ideia da cabeça deles, mas não dava para correr do seu destino quando ele assim os chamasse. O que aconteceu a seguir estava fora de cogitação. Qualquer pensamento se dissipou quando ambos entraram ali e nunca mais foram vistos.
YOU ARE READING
O outro eu
WerewolfUm longa jornada começa agora. Nem todos vão dizer a verdade, assim como nem todos sabem o que está acontecendo. Será possível que tudo o que se conhecia ser mentira?
