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Prólogo: Confusão

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          Cortes superficiais nas exterioridades da pele, o osso da perna esquerda ainda está fraturado, incontáveis hemorragias, mas mesmo assim você sobreviveu, impressionante, guerreiro – uma voz calma e doce diz, quase que para si mesma, olhando um homem com o seu corpo enfaixado, inconsciente e deitado em repouso.
          Por milagre, ou por pura sorte, depois de dois meses em coma, o homem desperta, ao abrir lentamente os seus olhos, visualizando o seu arredor. Desorientado, ele percebe que está deitado em uma cama, no interior de um quarto iluminado pela claridade do sol a qual adentra pela janela próxima a um armário antigo e despedaçado por cupins, sofrendo arduamente pela ação do tempo.
           Logo, ele avista uma mulher, sentada ao seu lado, checando seu pulso atentamente.
          —  Qu-Quem é você? — sua voz sai fraca, quase inaudível, a mulher se assusta um pouco ao ouví-lo.
          – Você acordou!!! – Ela afirma, com os seus olhos brilhando de alegria em conjunto a suas mãos que começam a tremer de emoção e entusiasmo. Porém a mesma acaba não respondendo a pergunta daquele estranho à sua frente, sendo assim ele só fica cada vez mais confuso com a situação em que se encontra..

          – O que aconteceu comigo? – Ele fala após sentir dores veementes em todas as células que, por pouco, o mantinham com vida e ao visualizar cortes e curativos em sua pele. Sua parte inferior está coberta por um manto de cor escura, ele suporta uma dor ainda mais aguda e intensa em sua perna esquerda.
          – Nem eu sei direito... Encontrei seu corpo quando peguei um atalho por uma floresta, você estava encostado em uma pedra gigantesca, vestindo uma armadura completamente despedaçada e manchada de sangue seco com exceção, apenas, de sua máscara, sinceramente pensei que estivesse morto, até sentir seu pulso. – Antes de prosseguir ela respira fundo e refresca sua memória. – Eu salvei sua vida, porém nem ao menos sei quem você é. – Ela explica, depois de entregar um copo cheio de água para ele. Com a garganta seca (e o corpo ansiando pela obtenção do líquido) a água é ingerida com rapidez, enquanto o guerreiro tenta se lembrar de como deixou seu corpo em um estado tão crítico. No entanto sua tentativa é em vão.

          Ele coloca o copo vazio em cima do criado mudo, feito rusticamente de madeira, ao seu lado, com certa dificuldade por conta de suas mãos trêmulas..
          – Não consigo lembrar nem ao menos o meu nome... – diz, ela suspeitaria de alguém que não quer falar seu próprio nome, mas, pelo tom sincero aparente em sua voz e olhares, decide acreditar em tais palavras.
          – Tudo bem... Descanse mais um pouco, você me parece bastante abatido. – O estranho agradece pela hospitalidade e por conta da oportunidade de descanso com um discreto aceno de cabeça, sorrindo.
          Ela fecha as janelas para que o seu "paciente" possa repor as suas energias e refrescar sua mente. Quando está prestes a sair, e encostar a porta de carvalho, o mesmo fala em um tom baixo, mantendo o seu sorriso:
          – Obrigado por ter me salvado. – Logo seus olhos se fecham a fim de descansar seu corpo, mente e alma.

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