Capítulo Trinta e Sete

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O silêncio voltou a sufocar o ambiente exíguo do Corvette.

Elisa olhou para o lado, a ponto de perguntar se Marco queria ligar o som. Ele estava tão quieto... Mas então ela viu a expressão dele e franziu a testa.

Mas que froga! Não havia se explicado bem e o ofendera. Pensando que era melhor parar o carro para conseguir lhe esclarecer adequadamente seu ponto de vista e deixarem tudo em pratos limpos, ela se lembrou de um lugar próximo em que poderiam ter privacidade antes de seguirem até o hotel em que ficariam.

No dia anterior, Elisa optara por fazer a reserva de uma cabana com dois quartos, pois já refletia que talvez aquela relação não fosse para ser.

De qualquer forma, do jeito que andava a sorte deles, as chances de terem um imprevisto como uma cama quebrada ou chuveiro estragado eram grandes. O melhor seria ter alugado uma cabana com dois banheiros, na verdade, afinal, ela até podia imaginá-los molhados e ensaboados após uma tentativa de sexo no banho. Teriam de aguentar o frio e solicitar outra cabana ou quarto ou uma resistência nova para o chuveiro e, obviamente, o hotel estaria com todas as reservas ocupadas e sem resistências extras. Portanto, o resultado seria quase como voltar ao motel das formigas uma vez que não teriam coragem de terminar o banho gelado e o sabonete certamente lhes daria uma alergia terrível.

Bom, ao menos estavam prevenidos em relação à cama, o que foi o mais sensato, com certeza. Ainda mais quando Elisa começava a refletir sobre o motivo de Marco e ela nunca conseguirem chegar aos finalmente.

É um sinal, diria Luana, e ela seria obrigada a concordar. No fim, não perdera o Corvette por causa de um sinal? Um sinal de um maldito gato. Sem falar que também perdera uma transa que prometia ser M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A por causa desse mesmo maldito gato...

Era óbvio que se tratava de outro sinal. Outros, na verdade, porque aquela criatura só conseguira atrapalhar uma das quase transas dos dois. Do resto, o próprio destino se encarregou.

Elisa engoliu a amargura ao se lembrar do Destino que viu num filme uns tempos atrás. Ele era um homem muito simpático e de bem com a vida. Usava ternos purpurinados e tinha uma paixonite pela sua colega de trabalho, nada menos do que a Dona Morte em pessoa. Que coisa, ela simpatizava com aquele Destino, mas porque ele precisava sabotá-la tanto na vida real?

Naquele momento, no entanto, Elisa lidava com uma preocupação maior: Marco continuava quieto, com a expressão séria, olhando apenas para a frente.

Seus pensamentos deram voltas e voltas enquanto dirigia. E quando finalmente chegaram ao lugar que ela queria, já tinha mais ou menos umas cinco argumentações diferentes na ponta da língua, prontas para serem atiradas no colo de Marco de maneira que ele acabasse achando graça da situação dos dois e a entendesse.

Froga, Elisa sentia que ia ter um daqueles ataques de riso que só a acometiam quando nervosa.

Tudo porque havia decidido que, pela primeira vez na vida, não colocaria suas urgências sexuais na frente das amizades.

Que bela portaria, queria muito mais ter o Dr. Marco Greier nu e amarrado na minha cama do que como amigo... Mas fazer o quê se aquele Destino safado não deixa?

Lutando entre resmungos e o riso nervoso, Elisa saiu da pista de asfalto e seguiu pelo acostamento até uma estradinha. Não muito tempo depois, entraram numa espécie de clareira que margeava um pequeno lago. Àquela hora, tudo estava escuro, e as únicas iluminações que tinham era a dos faróis e da lua.

Mais por se lembrar do lugar do que por saber que não cairiam num buraco oculto pela vegetação um tanto alta, ela estacionou o Corvette de frente para o lago e entre as árvores onde Fernando adorava parar para tomar um chimarrão quando eles saíam em família.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now