Prólogo

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Me sentia vazia, não entendia o porquê, não me lembrava de nada, como havia parado ali, para onde estava indo, ou mesmo o porquê estava ali. Minha cabeça doía, enxergava tudo embaçado e não conseguia me manter em equilíbrio, parecia estar drogada, e de fato estava. Era ajudada por dois homens que me guiavam em um longo corredor, chegando até uma porta negra, um deles a destrancou me jogando na sala escura e fétida. Uma luz fraca iluminava o local, não era de muita ajuda o lugar permanecia escuro, mas era possível ver duas camas dispostas lado a lado, me arrastei até uma delas, mas senti que não estava sozinha. Em meio a escuridão via um rosto magro e corpo esquio, esfreguei meus olhos para ter certeza, mas ao invés de desaparecer, uma garota surgiu das sombras entrando em uma área cujo a luz iluminava, me parecia uma garota bonita, pele oliva, cabelo curto e negro, roupas brancas como as minhas, mas não conseguia enxergar seu rosto.

–Você está bem? – Ela se aproximou do meu rosto e se pôs a me observar.

–Minha cabeça dói, onde estou? – Disse enquanto tentava forçar minha vista a enxergá-la.

–Droga! -Ela gritou enquanto se afastava de mim, pensativa. –Eles irão matá-la desta forma, finja que não sabe de nada e logo estaremos longe daqui –Ela ordenou.

–O que se passa? Quem são eles? –Me sentia enjoada.

–Não pergunte nada, eles podem ouvi-la, apenas mantenha-se desta forma e logo poderá voltar aquele buraco de onde veio. –Ela disse rispidamente.

Resolvi não a questionar e apenas manter-me em silêncio, pelo menos até que minha cabeça melhorasse, assim evitaria confusão.

Acabei caindo em sono. Quando acordei a dor de minha cabeça havia passado e minha vista já não estava mais embaçada, na verdade, via coisas estranhas a minha frente, pequenas informações apareciam como fossem objetos nítidos e reais a minha frente, mas não eram, minha mão passava sobre as pequenas letras a minha frente me possibilitando uma certa interação, mas não sentia nada. Uma mulher se formou a minha frente, pele cor de mel, cabelos esbranquiçados e curtos, um blazer moderno e branco e uma pose ereta, confiante declarando sua mais alta posição social.

–Olá eu sou Jannete, bem-vinda aUrbs Ignis , esse é o seu Tersus nova cerebrum, ele será sua conexão com a sociedade tenha qualquer informação nas palmas de sua mão: Notícias, entretenimento, dicas, conexão, redes sociais e muito mais. –A mulher caminhava pelo quarto, apresentando funções do aparelho de forma interativa. Tentei toca-la, mas minhas mãos passavam por seu corpo como se ela fosse um fantasma. Por fim se abriu um menu, onde era possível selecionar opções diversas, sobre funcionamento entre outros. Fiquei confusa, a imagem começou a dissolver como se recebesse uma interferência, que fez minha cabeça voltasse a latejar de dor, uma mensagem de alerta apareceu na tela, e as imagens se dissolveram a minha frente. Voltei a cama e permaneci em silencio. Minha cabeça parou de doer na mesma hora.

A garota ainda dormia na cama ao lado, parecia um gato dormindo em silencio e sem se mexer, sem me enxergar quase desmaiar de dor a sua frente.

Passaram-se algum tempo desde que havia chegado aquele lugar, porém a ausência de um relógio me impedia de saber quanto tempo havia se passado ao certo.

Os mesmos homens que me levaram até ali, apareceram a porta da pequena sala, agora que pude vê-los de forma mais nítida, podia notar que um era baixo, forte, branco e seu cabelo era calvo, cujo a lateral ainda dispunha pequenos fios, e o outro era negro, alto e careca, pareciam monstruosos e me deixavam assustada.

–Levantem-se, a estadia acabou! – Disse o cara alto, careca e musculoso, usando um porrete para bater na porta de ferro e demostrando uma forma rude e rígida ao falar.

O cara careca me segurou enquanto seu acompanhante segurava a garota que estava na sala comigo. Seguimos em um corredor até uma porta pesada de ferro, o careca passou seu pulso sobre o leitor, e usou a biometria, a porta se abriu deslizando pelas laterais, uma luz forte adentrou, passamos por ela.

Estávamos agora no lado externo o lugar era enorme, cercado por cercas elétricas e grades de ferro, tinha até mesmo uma aparência bela, com a grama verde e aparada, o céu estava azul com poucas nuvens, o local de onde saímos era como uma mancha negra na grama verde e bem aparada. Olhando adiante eram visíveis apenas arvores e uma mata diversificada,como se está lutasse para recuperar o espaço que fora tomado pela enorme e vazia estrada. Seguimos em uma Van, onde fomos trancafiadas, não era possível ver o motorista e sequer haviam janelas para se olhar para fora, ela um cubo pequeno e fechado se disponibilizando apenas um vão superior para que não morrêssemos sufocadas. A garota que estava comigo, olhou-me fixamente por um longo tempo, como se analisasse algo novo e intrigante.    

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⏰ Last updated: Apr 24, 2018 ⏰

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