Devo ser o único que ainda tem frutas na geladeira, se são boas ou não, não sei, mas vêm do meu próprio cultivo, vivo num cubículo com apenas dois cômodos, um deles é a cozinha que abriga a entrada do meu apartamento, é o cômodo mais apertado, a iluminação é bem precária, a única janela dá de frente com uma parede cheia de infiltrações essa é a melhor vista que tenho, nas beiradas da janela tem pequenos vasos de girassóis e de algumas ervas, o outro cômodo é ocupado por uma cama pequena e um vaso sanitário. De três em três horas ininterruptas tudo começa a chacoalhar, quando cheguei aqui a uns 9 anos atrás jurava que placas tectônicas se chocavam à todo momento sob meu prédio, porém era só o metrô distrital que abalava as estruturas do bairro inteiro, aquilo devia ser o resultado das minhas olheiras.
A 4° revolução industrial se deu por uma velocidade incrível, nós humanos fomos encurralados nos cortiços e nas zonas mais afastadas dos grandes centros, só estavamos vivos ainda porquê robôs não compram, estão programados apenas para produzirem e serem ordenados não muito diferente do que nós eramos, mas robôs não cansam e nem precisam ser pagos, dificilmente quebram e quando isso acontece são de imediato substituídos por outro, tomaram nossas vidas, nossos empregos, nossa dignidade, o mundo estava mergulhado no caos, os robôs também participavam de guerras, eram os policiais, os atendentes de caixas, os faxineiros, os taxistas.
Eles estavam por toda a parte, eu atendia meus pacientes na minha própria cama, o ofício de psicólogo já fora remunerado melhor outrora, uma coisa que o admirável mundo novo nos proporcionou foram os neuróticos, na cômoda guardava um revólver por precaução a eles, mas sempre os atendia da melhor forma, todos pobres e endividados, na maioria das vezes me pagavam com sementes, minha renda mensal era quase nunca o suficiente, por isso eu sempre tentava fazer bicos pela metrópole, diziam que o elevador estava quebrado mas sei que nunca existiu um elevador, descia as escadas todos os dias, tinham marcas de sangue e nas paredes marcas de tiro, a vista da rua era bem sombria apesar de ser mais de 8 horas da manhã existia sempre um clima nublado ali, as nuvens eram de poluição.
Ao lado do meu prédio existia um TecBunk que eram onde colocavam os robôs com defeitos e inúteis, eram incinerados e nunca consertados, alguns costumavam fugir, muitos eram depredados e usados como troféus para boa parte dos suburbanos, várias prostitutas sitiavam as ruas dá metrópole, eu estava seguindo a rua para tomar um chá gelado logo na esquina
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M3TR0P0L3
Science FictionUm psicólogo cercado pela extrema pobreza, neuróticos, revolucionários e humanoides.
