Sem pressão, abigos

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28 de Agosto

"Senti o coração acelerando e a dor vindo, mascarei os sentimentos e segui aos tropeços. Não queria sufocar, não queria que o resto de mim fosse encoberto por uma versão mais "inteligente".
Considero a possibilidade de me perder no outono sintilante que repousa nos teus olhos. Me autorizo a só mais alguns momentos, só dessa vez. Desfaço os laços com o orgulho, quero me propor a sensações e sentimentos por uma vez na vida, depois que acontecer eu lido. Depois que machucar eu corro atrás da cura! Por hora, eu pulo, depois verifico se tem água ou espinhos pra me receber.
-Como um mecanismo velho que volta a funcionar por livre e espontânea vontade, bem vindo a terra dos vivos, caro coração."

O primeiro erro; responder as mensagens do filho da mãe. Beija-lo, dias antes, nem foi grande coisa assim. Quer dizer, foi bom, obviamente, como todas as outras vezes foram, mas eu não teria me iludido, entende? Eu teria agido com classe e fingido demência sobre o assunto, provavelmente passando por ele com nada mais que um sorriso educado e um cumprimento sutíl.
Mas apesar do erro ser óbvio, é preciso começar a analisar os fatos, ver onde que eu errei, pra tentar no mínimo prever o que acontece quando ele for embora. E a merda fede nesse primeiro texto.
Eu esqueci como eu era. Esqueci de onde diabos eu tirava minha motivação pra ser feliz antes de ele chegar, e acredite, eu tenho consciência do quão ridículo isso soa, Clementine. Eu sempre fui relativamente forte. Sério mesmo, chegava a ser insensível o jeito que eu banalisava a importância dos sentimentos pro equilíbrio de si mesmo, mesmo que eu admitisse isso só pra mim mesma. Acho que esse foi um dos pontos pra eu acabar aqui e agora, instável, chorona e meio quebrada; Karma. Só pode. Karma por todas as vezes que eu disse algo como "ele vai sobreviver" quando me referia ao colega que chorava por amor ou pelas vezes que eu simplesmente corria bem rápido pra bem longe quando me deparava com alguém tendo uma crise de ansiedade por conta de uma depressão. Ironia hoje em dia ter que lidar com as minhas próprias crises (que arrisco o palpite de não serem exatamente de ansiedade) e não, eu não tenho depressão, mas deixo aqui fixado o que todo mundo já sabe: Não da pra correr de si mesmo.
Não da pra fugir.
Mas calma lá, Clementine, não seja exagerada, eu não estou nesse ponto de estrago. Não ousei dar um poder tão grande pra ele a ponto de perder o rumo completamente agora. Sério mesmo. O que acontece é que eu coloquei ele no centro de boa parte de tudo que me abastecia. Minha disposição, minha inspiração e minhas expectativas, em cima dele, como um peso invisível que eu pensava ser um fardo pra ele carregar, mas que só recaia sobre os MEUS próprios ombros.
Ta vendo Clementine? Esse foi meu segundo erro. Não se pode colocar o seu combustível no tanque de outro carro e esperar que, por tabela, seu carro também ande. Parece até meio óbvio, e de fato é. Só que na maioria das vezes, as coisas óbvias, justamente por serem tão óbvias, são deixadas de lado, afinal a gente já "sabe" pra que ficar lembrando? E aí o que acontece? Isso mesmo, você toma no cu.

Querida Clementine, ...Where stories live. Discover now